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De cuidado para não ser driblado a atenção com Xerém, saiba bastidores de Marcelo no Fluminense

Grande contratação do Fluminense na temporada, Marcelo buscará seu primeiro título de CONMEBOL Libertadores, assim como o clube, na final contra o Boca Juniors neste sábado (4), às 17h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Craque dentro de campo, o lateral-esquerdo conquistou seu espaço no vestiário tricolor. No dia a dia, o veterano se tornou peça importante para o convívio entre os atletas. E, com suas atitudes, se tornou um dos líderes do time. E sua influência tem sido muito positiva para os jovens formados na base do clube.

Um dos "moleques de Xerém" de maior sucesso nos últimos anos, Marcelo é um espelho para os garotos que chegam da base ao time profissional – e sabe. Até mesmo por isso, o camisa 12 costuma passar muito tempo perto dos mais jovens, dando conselhos em partidas e estando perto nos treinamentos. Até mesmo por isso, em setembro, durante uma das folgas na data Fifa de setembro, quando estava em fase final de recuperação de lesão, o lateral foi até Xerém para treinar com o time sub-17.

Mas a aproximação do experiente atleta com os mais jovens não é somente de aconselhamento. Descontraído, o lateral-esquerdo vem sendo conhecido por seu jeito leve. Em entrevista ao ESPN.com.br, Luiz Henrique, ex-jogador do clube que treinou no CT Carlos Castilho durante suas férias do Betis, brincou com o ídolo, recebeu um conselho e ainda não escondeu: “Marcelo é um molecão”.

“Fui treinar no CT, falei com ele, até brinquei que ia voltar para jogar com ele, ele respondeu: ‘Não, tá maluco. Tá muito novo ainda, só tem um ano lá. Faz que nem eu, ganha tudo na Espanha e depois volta’. Mas o Marcelo é um cara super gente boa, humilde para caramba. Falou que qualquer coisa que eu precisar na Espanha, posso falar com ele, mandar mensagem que ele está aqui para ajudar”, afirmou.

“Marcelo é um ‘molecão’. Muita resenha, ele sempre está com os moleques, que ficam brincando com ele. Quando ele estava machucado, ficava brincando com os moleques, sempre estava dando apoio aos moleques, passando a experiência para a gente, sempre falando coisas boas. E é um cara muito de boa. Quando eu fui, primeiro dia no CT, fiquei maluco. Parece aqueles molequinhos que é mais velho, mas é um ‘molecão’ ainda, muito brincalhão”, completou.

Cuidado, perigo de drible

Se você pensa que Marcelo fica perto apenas dos mais jovens, está enganado. Aos poucos, o lateral também se aproximou do restante do elenco, que já sabe muito bem de uma coisa: se der bobeira nos treinamentos, vai levar um drible.

“Quem marca ele já fica ligeiro, porque qualquer lance ali pode ocasionar uma caneta ou chapéu. E a gente que enfrenta ele ali nas finalizações e dentro dos trabalhos que o Diniz passa tem também bastante dificuldade, porque ele muda muito fácil a forma de fazer a finalização. Quando você acha que está bem ali para fazer a defesa, ele consegue achar um espaço ali, dá uma cavada, ele passa da linha da bola e consegue finalizar”, disse Fábio ao ESPN.com.br.

“É acima da média. É um cara que sempre foi qualificado como o melhor da posição ou entre os melhores no mundo por muito tempo. Então, a gente tem a felicidade de estar com ele aqui e vem nos ajudando muito no dia a dia, passa na experiência também do que vivenciou ao longo da vida toda, jogando em uma equipe de ponta como o Real Madrid. Então, a gente agradece por ele estar do nosso lado”, acrescentou.

Outro líder do elenco e um dos capitães do time, Felipe Melo citou conselhos que já recebeu do lateral dentro dos treinamentos, sem deixar de citar os momentos que se impressionou com sua técnica. “Marcelo é outro cara que ajuda bastante também. A técnica apurada dele, ele faz algumas coisas no treino que o pessoal fica: ‘rapaz, olha o que esse cara fez no treino’. Mas de fato, conversa muito com os nossos companheiros, está sempre fazendo com que os nossos companheiros fiquem atentos. ‘Opa, você está errado aqui e vem para cá’, consertando taticamente, posicionando cada peça no seu lugar e ajuda também”.

“A coisa que o Diniz tem de bom é que ele escuta muito também. E muitas vezes o Marcelo chega para falar. Hoje, por exemplo, eu virei uma bola, foi até uma bola bonita para caramba, e o Marcelo falou assim: ‘olha lá que o Arias está do outro lado sozinho, já pega e vira de primeira’. Então, quer dizer, grandes atletas com experiência como ele vêem algumas coisas que de repente a gente não vê. Assim como muitas vezes eu falo, ‘Marcelo faz isso, faz aquilo’, porque eu estou aqui por trás, aqui, olhando tudo. Então, essa experiência que ele tem junto com a qualidade dele, de ser um dos maiores da história da posição, isso ajuda bastante. E, como eu falei, graças a Deus nós temos um grupo que sabe escutar e todo mundo escuta bastante, porque sabe que quando o Marcelo abre a boca para falar vai vir coisa boa”, contou.

Jeito brincalhão vem de longe

No Fluminense, Marcelo se sente em casa. Criado na base do clube, o lateral demonstra a quem é próximo dele que se sente bem no clube. Companheiro no início de sua primeira passagem e amigo, o ex-lateral-direito Gabriel contou isso ao ESPN.com.br.

“É visível que ele está se sentindo totalmente em casa. Eu encontrei com ele antes da estreia, eu fui no CT visitá-lo. A gente falou, ele está se sentindo super em casa, isso é visível e eu espero que essa passagem dele, não sei se a última passagem dele no futebol ou se ele vai para outro time depois, se encerra no Fluminense, mas que seja vitoriosa. Foi o que eu desejei para ele no vídeo (de sua apresentação). Foi o que eu desejei pessoalmente. Aliás, desde que subiu do profissional em 2005, que era a época que eu estava no Fluminense, desejo isso pra ele na carreira toda”, relatou.

Gabriel foi um dos jogadores que sempre se impressionou com o talento de Marcelo. E os relatos que recebia vindos de Xerém somente aumentavam a expectativa para vê-lo de perto. “Me lembro que eu estava lá em 2005. Foi meu melhor ano no Fluminense, fui artilheiro, enfim, foi um super ano. E aí eu escutava os bastidores e alguns até companheiros falarem: tem um moleque na base que ele tem o seu estilo de jogo, vai pra cima, dá caneta”.

“Além de fazer gol, que esse ano estava muito focado nisso, além de ajudar a equipe, mas eu tinha que sair de um jogo com uma caneta, com um chapéu, com alguma coisa do tipo. Isso era um combustível para mim dentro de campo. E o Marcelo tem esse estilo aí. Ele é habilidosíssimo, futebol alegre, um futebol bonito de se ver com classe. Então ele faz tudo pensado, ele antevê a jogada. Então, desde moleque, ele é assim. Eu me lembro que ele subia para treinar no profissional e no meio de um monte de cara, Marcão, que hoje está na comissão e tudo, ele nem aí, pedalava, pisava na bola com personalidade e acabou virando esse jogador que a gente torceu e acompanha aí por esse mundão afora”, relatou.

Presente no time de 2006, única temporada completa do camisa 12 no Flu, André Moritz guarda até hoje os absurdos que o brincalhão colega fazia no clube. “O Marcelo, desde que eu cheguei no Fluminense, eu falei: é um negócio absurdo. Todo mundo já viu o Marcelo jogando, ele já é diferente. O Marcelo solto em treinamento, o cara que treina com ele fala: ‘cara, o que que é isso, Senhor? Da onde tira tanta qualidade?’ E eu sempre falo, falei toda a minha carreira, todo mundo me pergunta qual foi o maior jogador que jogou melhor assim tecnicamente: Marcelo, não existe ninguém, tecnicamente, que eu tenha jogado melhor do que o Marcelo. Não existe. É um negócio absurdo”.

“E naquela época nós éramos muito moleques. Então, era só palhaçada no vestiário. A gente tinha o nosso cantinho ali, que era o pessoal que saiu de Xerém, o pessoal mais jovem. Eu cheguei ali com 19 anos, no Fluminense, nós tínhamos o nosso canto. Era o Fernando Henrique, o Fernando Buchecha, irmão do Carlos Alberto, e eu, o Marcelo, Juliano, Ulisses, Radamés. A gente ficava naquele cantinho ali, a molecada, e era só palhaçada. E no fim, o Marcelo sempre é um cara dos mais brincalhões que eu já vi no futebol. Um cara sempre de bem com a vida, alegre, fazendo muita palhaçada, muita brincadeira. Então foi um cara que eu sempre levei como um exemplo como pessoa e sempre falei que para mim, tecnicamente não existe, nunca joguei com ninguém nem parecido com com o Marcelo. É um cara extraordinário”, finalizou.

Onde assistir a Boca Juniors x Fluminense pela Libertadores?

Boca Juniors e Fluminense se enfrentam no dia 4 de novembro, às 17h, no Estádio do Maracanã, pela decisão da CONMEBOL Libertadores, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.