O Fluminense fará neste sábado (4), no Maracanã, o último dos 13 jogos na jornada pela Glória Eterna quando entrar em campo pela final da CONMEBOL Libertadores contra o Boca Juniors, a partir das 17h (de Brasília), em partida com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. E, assim como Fernando Diniz e seus comandados, esta será a última partida de uma longa jornada para alguns torcedores.
O ESPN.com.br encontrou quatro fanáticos que acompanharam o time em todas as partidas (ou quase) do clube durante a campanha, seja dentro ou fora de casa, em uma jornada que começou em Lima, no Peru, e foi até Porto Alegre, local da semifinal.
“Somente o que sentimos justifica o que fazemos”, disse Alexey Dantas. “Para mim tem uma simbologia muito grande ver o Fluminense campeão em casa, tendo ido a todos os jogos, corrigindo essa injustiça histórica do futebol. E agora, 15 anos depois, esse equívoco histórico vai ser corrigido, se Deus quiser, diante da nossa torcida, com uma grande festa no Maracanã”.
“A gente espera esse momento há muito tempo. Eu costumo dizer que é como aquele videogame que você está para passar de fase, mas no último momento você perde e tem que começar tudo de novo. A gente está de novo diante do ‘monstro’ para conseguir passar de fase”, afirmou Alexandre Vilella.
Com gastos e estilos de vidas variados, esses torcedores têm duas coisas em comum: o amor pelo Fluminense e as histórias para contar de tantas viagens.
A paixão como modo de viver, sem perder um minuto sequer
Alexandre Vilella já é uma figura conhecida na torcida tricolor. Há mais de dois anos com seu canal Vilella Viajante Tricolor, ele mostra as aventuras de se viver o Fluminense intensamente todas as semanas.
Desde 2019, Vilella iniciou uma jornada para ir a todos os jogos do clube. Naquele ano, acabou faltando em seis partidas. Depois, a pandemia acabou atrapalhando sua sequência. Em 2022, então, conseguiu ir a todos os jogos, de Bangu à Colômbia, completando 71 ao final do ano.
“Ano passado, eu fui para Barranquilla ver Fluminense 0 x 3 Junior Barranquilla. Nenhum torcedor, nenhuma imprensa, exceto a delegação, foi para lá. Teve um torcedor de Miami e uns de Bogotá, amigos meus. Nós eramos quatro torcedores no estádio. Esse é um registro histórico para mim. Tudo que eu já passei, quantas viagens que voltei triste, derrotado. São vários momentos especiais que a gente achava que ia e acabou no limbo”, disse ele.
Na Libertadores, ele vai a todos os jogos desde as quartas de final de 2008. E já cumpriu promessas bem diferentes nessas viagens...
“Um momento especial foi nossa vitória na Bombonera, 4 mil torcedores lá. Eu fiz uma promessa que se a gente ganhasse, eu ia dar uma volta pelado no Obelisco. Mas aí eu pensei duas vezes e se eu ficasse pelado, de repente ia ser preso. Então, acabei dando duas voltas de cueca”, relembrou de forma bem-humorada.
Apesar de estar em todos os jogos, se engana quem pensa que Vilella é um ‘bon vivant’. Com as parcerias de seu canal e auxílio a conhecidos nas viagens, ele conseguiu custear praticamente todas as viagens na Libertadores de 2023.
“Por exemplo, o jogo contra o River Plate. Eu levei 100 pessoas, ai fecho 40 quartos de hotel, faço transfer de jogo, eu faço toda a estrutura sozinho, monto toda a estrutura. Mas aí eu faço uma coisa meio que para pessoas que eu conheço, amigos, parentes e indicações. Porque eu não quero quantidade, eu quero uma coisa menor para poder ter o controle total. Pessoas que eu conheço que já estão acostumadas a viajar comigo e isso também, num jogo como o River, é uma fonte de renda”, revelou ele, que ainda mantém um planejamento minucioso para conseguir as melhores condições em suas viagens.
“A passagem para o Olimpia, eu estava assistindo o jogo contra o Flamengo, já estava tudo pesquisado, quando o juiz apitou, eu só cliquei no ok. Para esse Mundial, não está sendo diferente, está sendo tudo estudado”, completou.
Na campanha da Libertadores, duas viagens acabaram sendo mais especiais, por motivos diferentes: Assunção e Porto Alegre.
“Esse ano, foi o Olimpia, foi uma vitória épica, ficamos bem instalados, fiz uma matéria com o Romerito, um ídolo que virou amigo meu. Quando você ganha, passa a ser uma coisa épica, consegue ter uma viagem amplamente feliz”, afirmou.
“O Inter foi algo surreal. Eu acho que a final vai ser na mesma vibe. Eu fiquei em um estado terminal em Porto Alegre. O que eu chorei no jogo, eu depois fiz uma live, recebi um carinho enorme dos torcedores. Eu fiz a live chorando, o nome deveria ser ‘choro tricolor’, porque foi devastador. Eu tenho quase 60 anos, você fica muito mais sensível, me emociono facilmente, com o Fluminense não é diferente. Eu fiquei com uma alegria descomunal”, acrescentou.
Seu planejamento, agora, visa a possibilidade de viajar para o Mundial, em caso de título, o que o faria chegar a 72 jogos in loco no ano. Mas, mais do que nunca, seu canal será imprescindível para conseguir cumprir essa missão.
“Se o Fluminense for campeão, eu nunca peço, nunca pedi ajuda para viagem, mas eu vou pedir ajuda para ir para a Arábia, porque é muito caro, não vou fazer operação nesse jogo. Esses jogos tem uma despesa calculada em R$ 30 mil, vou ter que pedir ajuda para os membros do canal, amigos. Porque eu não tenho esse dinheiro para ficar custeando essas viagens. Eu não tenho grana para essas viagens, consigo ir porque tenho as milhagens, tem o canal, mas eu preciso crescer mais o canal para poder ter a sustentabilidade total disso, da minha vida”, finalizou.
Advogado teve que pegar carro para cruzar fronteira para ver o Flu
Ex-vice-presidente do clube, Alexey Dantas possui uma vida muito ligada ao Fluminense. Presente em outras campanhas de Libertadores como torcedor e dirigente, o advogado organizou sua vida em 2023 para acompanhar sua paixão de perto.
“Eu faço parte de um grupo chamado ‘viajantes tricolores’, e a gente combinou de fazer esse esforço para estar em todos os jogos. Eu, por um lado, tenho uma facilidade, porque sou advogado, sócio do meu escritório, então tenho uma flexibilidade. Mas tenho compromissos, audiências, alguns eventos profissionais são inadiáveis. Eu consegui mudar uma reunião com um cliente, mas sem dizer que a razão era o Fluminense, disse que era uma questão de foro pessoal para ir a La Paz”, relembrou.
A paixão de Alexey vem de longe. E até mesmo sua festa de casamento foi afetada por isso. “No meu casamento, 3h da manhã, eram 500 convidados, uns 300 eram tricolores, e eu falei para levarem alguma coisa do Fluminense. Chegou de madrugada, eu comecei a acender fumaça nas cores verde, branco e grená, tiveram que abrir todas as janelas porque ia disparar o sistema de incêndio. Eu brinco que ser tricolor é o melhor dos estados de espírito e que eu dependo do Fluminense para ser feliz”.
Nesta Libertadores, o advogado passou por poucas e boas. Uma delas ocorreu na ida para Assunção, quando a ex-namorada esqueceu o cartão de vacinação da febre amarela em casa, e a viagem quase foi cancelada.
“Assunção foi uma situação que agora é divertida. A minha namorada era enfermeira e esqueceu o cartão de vacinação dela. E a gente acabou perdendo o voo. Foi uma coisa louca. O aplicativo dela não tinha (o cartão de vacinação), e ela, enfermeira, tinha todas as vacinas possíveis, mas o aplicativo só mostrava a vacina de COVID”, disse.
“A gente teve que ir na casa dela pegar o cartão, perdemos o voo e tive que pagar R$ 2000 para um voo para Foz do Iguaçu no meio da madrugada que antecedeu o jogo. Chegamos 3h em Foz para ter 6h30 de viagem de carro para Assunção”, completou.
Outra saga de Alexey e seu grupo ocorreu na semifinal, quando um dos amigos quase perdeu o ingresso restando poucas horas para a partida. “Em Porto Alegre, um dos membros do nosso grupo perdeu o ingresso no táxi, dentro de um envelope. E o cara era de Canoas. A gente teve que pegar outro carro para encontrar ele no meio do caminho para conseguir pegar o ingresso. Tudo isso sem falar que no envelope tinha o ingresso. São muitas histórias. O Fluminense sendo campeão vai coroar uma saga”.
“A gente sendo amassado pelo Inter, Beira-Rio lotado, e o Fluminense vira em seis minutos. Como diria Nelson Rodrigues, você precisa ter sorte até para chupar um picolé, senão suja a roupa. Então, para ser campeão, você precisa de um pouco de sorte”, falou.
Alexey afirma ter gastado cerca de R$ 30 mil, além de ter feito uma saga com quatro computadores e dois celulares para conseguir um ingresso para a final. Tudo justificado pela paixão que o remete a seu avô.
“Meu avô faleceu em 2020, vítima de um câncer. Em 2008, ele com 82 anos, eu incrédulo, com as lágrimas no rosto, ele bateu no meu ombro e disse: ‘levanta a cabeça, vamos embora, você tem a vida inteira pela frente para ver o Fluminense campeão da Libertadores. Já eu não sei’. Infelizmente, ele não viu essa conquista nesse plano espiritual, mas está nos ajudando nessa campanha, sei que está vibrando”.
Do ‘pé frio’ em 2022 à viagem de barco para chegar na Argentina
Uma das cabeças a frente do canal ‘Central Fluminense’, Filipe Capuano foi um dos poucos tricolores presentes no estádio Defensores del Chaco na eliminação para o Olimpia em 2022. E sua saga na queda aumentou ainda mais seu desejo de ir em “um ou dois jogos” fora de casa já na fase de grupos. E, desde antes do sorteio, ele já imaginava os possíveis cenários.
“Foi chegando mais perto do dia, comecei a ver o dinheiro que eu tinha, comecei a fazer as simulações de preço de passagens, comecei a fazer muita simulação de preço já antes do sorteio acontecer. Eu comecei e eu falei: dependendo de onde for esse negócio, eu comprando antes, dá para eu ir em dois jogos dessa fase de grupos fora de casa. Dá para ver. Quando saiu o sorteio, deu Peru, Bolívia e Argentina”, relembrou.
“Eu pensei: Bolívia, eu não vou nem ferrando. Argentina é perfeito, era uma viagem que eu já queria, vou eu e minha namorada, passamos uma semana em Buenos Aires. Aí, olhei o Peru, deu vontade de ir. Olhei a passagem, foi R$ 2.500. Mas como eu não tinha gastado com nenhuma passagem, não pareceu absurdo, parcelei. Essa foi a primeira viagem, isso já tinha comprado Argentina também”, acrescentou.
Na estreia, contra o Sporting Cristal, um fantasma começou a rondá-lo em forma de piadas dos amigos: a fama de pé frio conquistada nos jogos fora de casa. Sorte dele que, assim como o Fluminense, ele estreou com o pé direito – e acabou até mudando de ideia sobre uma das possíveis viagens.
“Até o jogo contra o Sporting Cristal, a galera ficava implicando comigo porque quando eu fui contra o Olimpia, a gente foi eliminado. Eu fui em vários jogos no Brasil fora de casa ano passado, e o Fluminense não ganhava. No final do ano, o Fluminense venceu o Corinthians no Brasileirão, eu não fui, vagabundo começou a cair em cima de mim, perturbando, chamando de pé frio. Aí o jogo (em Lima) foi aquela coisa maravilhosa. E o meu amigo foi na hora certa botar pilha da Bolívia. Ele conseguiu um bom preço, fomos para outro lugar e de lá para La Paz. E com isso fechou a fase de grupos”, afirmou ele, que passou uma semana inteira com a namorada em Buenos Aires para o jogo contra o River Plate.
Em La Paz, Filipe brincava que iria fazer vídeos “correndo e fumando” para desmistificar a altitude. A realidade, porém, foi diferente. “Eu respeitei muito por estar morrendo de medo, vi que tinha que evitar beber muito álcool, comer coisa muito gordurosa. Chegando na rua onde tinham uns restaurantes, mas tudo com cara de não ter nada para comer que não fosse uma fritura”.
“Acabei pedindo um chopp grande e uns dedos de frango frito, batata frita, tudo que não poderia. Acho que a mistura de ansiedade com a comida, nem terminei, cheguei no hotel com uma dor de cabeça bem chata, fui tomando remédio. No dia seguinte, comprei folha de coca, porque falaram que ajudava. Comecei a mastigar como se fosse chiclete, ficou estranho e cuspi fora. Melhorou na hora (a sensação de falta de ar). Depois fui procurar como fazia, não era para mastigar, era para colocar no canto da boca. E a folha era aromatizada, me deu uma enjoada, a dor de cabeça foi voltando. O jogo foi um horror, frio no estádio e uma dor de cabeça muito grande”, revelou.
A grande jornada, porém, ocorreu nas oitavas de final, retornando para a Argentina, mas, dessa vez, pegando até mesmo barco para chegar ao jogo. “Acho que a maior dificuldade foi a agonia para comprar a passagem pro Argentinos Juniors, porque estava naquela indefinição do dia do jogo. E eu estava indo no bate e volta para ficar o mínimo de tempo possível e gastar menos”.
“E o jogo foi marcado para terça, que era o pior dia possível em termos de preço de passagem. E estava esperando para saber qual estádio seria o jogo. Contra o River, eu fui pagando 1.500, voo direto e era feriado. E nesse eu paguei 1.900 com a voo para Montevidéu, escala em São Paulo, e chegando em Montevidéu peguei uma viagem de 4 horas de barco, fiz essa loucurinha. Não chega a ser um perrengue, mas foi um custo benefício péssimo. Foi ruim em termos de logística e preço”, acrescentou.
Nas quartas, o destino quis colocar novamente na frente de Capuano o Olimpia e o Defensores del Chaco. “Quando o Flamengo foi eliminado, foi um misto de felicidade, que é sempre muito gostoso, mas pensando que ia ter que ir pro Paraguai, que já tinha ido ano passado, já tinha amaldiçoado o Paraguai. Mas fazer o quê? Fui. Sempre na vibe de parcelar e todo dinheiro que for caindo, vou abatendo”.
Na semifinal, o planejamento para a ida foi bem feito. O grande problema veio depois. Mas nada que um amigo não pudesse resolver. “E isso de ir a todos os jogos foi o que me salvou, porque na semifinal não consegui ingresso contra o Inter, passagem já comprada, felizmente, o Pedro Gilio, amigo meu tinha comprado, mas não tinha a passagem e foi a minha salvação”.
Ao todo, Capuano afirma ter gasto entre 12 e 13 mil reais. Mas a esperança no título faz pensá-lo em outro desafio: a Arábia Saudita. “Vai ser uma coisa diferente. E aí o desafio vai ser outro, arrumar dinheiro não sei de onde para ir no Mundial. Não tem como não dar agora, eu tenho dois rins saudáveis, a gente vai ver alguma coisa”.
Dos finais de semana perdidos ao pedido de namoro
Para ir a tantos jogos fora de casa, muitos torcedores precisam também negociar com seus chefes a liberação no trabalho. Para Mauricio de Souza, vendedor da loja do Fluminense de Copacabana, isso quase deu certo. Não fosse por uma partida apenas.
“Eu queria muito que fosse o Atlético-MG, porque o Sporting Cristal veio do pote 4 e já estava previsto que seria o lançamento da nossa camisa branca. Como eu trabalho na loja, não teria como me liberar para viajar. Sendo o Galo, eu poderia ir e voltar de Minas tranquilo. Sendo em Lima, não conseguiria ir. Daí, comecei a me planejar (para os outros jogos). Tirei férias do dia anterior ao jogo em La Paz até o jogo contra o River”, disse.
“Meu voo para a Argentina foi direto (de La Paz). Tenho amigos do Vélez, fiquei na casa de um deles, já fui para lá algumas vezes, fiquei 20 dias lá para o jogo, cheguei a ir em jogo do Vélez. Inclusive contra River e Argentinos Juniors, que acabaram sendo dois adversários”, seguiu.
Depois da fase de grupos, sem conseguir pedir mais férias, Mauricio iniciou uma longa caminhada, abrindo mão de feriados e finais de semana para conseguir fazer as viagens, muitas vezes chegando apenas para os jogos.
“Quando voltei para o Rio, deu um tempo para compensar no trabalho, trabalhar alguns domingos e feriados, fui pegando folgas sabendo que poderíamos ir para as oitavas. Quando sorteou o Argentinos Juniors, eu não tinha como pegar férias, fiz um bate e volta, peguei o voo a noite, cheguei na Argentina, fiquei o dia todo e depois do jogo já voltei para o trabalho”, acrescentou.
E foi no mata-mata que alguns perrengues quase atrapalharam sua sequência na campanha. “Nas quartas, fiquei na esperança de ser o Flamengo, por ser aqui no Rio, mas saiu o Olimpia e já tive que começar a apelar no trabalho. De novo, fui pegando alguns feriados, domingos, porque não tinha como fazer o bate e volta, não tinha voo direto. Fui em cima da hora para Foz, de lá fui de carro. Mas primeiro o voo atrasou duas horas. Depois, chegando lá, o carro quebrou em Ciudad del Este. Esperamos outro carro, trocamos e a gente foi chegando e o Sol baixando, medo de não chegar a tempo (do jogo). A gente chegou em um shopping onde estava todo mundo, conseguimos pegar o ônibus, muito trânsito, mas deu tudo certo”.
Em Porto Alegre, Mauricio investiu na ida no dia do jogo, pouco depois de seu trabalho. Atrasos, porém, quase atrapalharam sua missão. “Consegui comprar a passagem para 16h30 (do dia do jogo), dava tempo, trabalhando até 15h. Quando cheguei no aeroporto: 1 hora de atraso. Chegando em Porto Alegre, quando estava pousando, o avião arremeteu e veio a mensagem: mais 40 minutos”.
“Era para chegar 18h30, ia acabar sendo 20h10. A gente ficou desesperado. Quando desceu, fui ver o tempo até o Beira-Rio, um trânsito, uma hora, não ia dar tempo, fui de Uber moto. O motorista era até colorado, mas me ajudou, coloquei uma bolsa na frente do casaco do Fluminense, passamos no meio da torcida deles e conseguimos chegar antes do jogo”, relatou com alívio.
A partida contra o Internacional, inclusive, rendeu promessas e até o adiantamento de um pedido que já estava ‘para sair’. “Eu fiz uma promessa durante o jogo, faltando 10 minutos, que ficaria um ano sem tomar refrigerante se classificasse. Comecei a rezar muito no intervalo. Agora estou sofrendo só com suco, mas está sendo uma experiência incrível”.
“O Inter foi surreal, a virada no final, sem acreditar. Eu pedi minha namorada em namoro no segundo gol, fui na emoção. Já estava há um tempo para pedir, mas na emoção, aconteceu”, afirmou.
A campanha ainda serviu para quebrar uma ‘fama’ que Maurício tinha conquistado entre os amigos. “Desde 2016, eu tenho Instagram de jogos fora de casa e meu retrospecto não é muito bom (risos). Então, teve uns amigos dizendo: ‘você precisa parar de ir, Mauricio pé frio’. Mas ano passado, em Bogotá, muita gente falando para não ir, mas eu garanti: ‘vou voltar com a vitória’. E foi equilibrando, comecei a ir em uns jogos que a gente ganhou, deu tudo certo”.
Só quem não ficou muito em cima da missão de Mauricio foi justamente sua mãe. Morando longe, ela muitas vezes soube das viagens por amigas. “Minha mãe mora em Saquarema, tem uns três meses que não vejo minha mãe”.
“Poderia ir em alguns feriados ou final de semana, mas eu peço para trabalhar, fico mais algumas horas para conseguir pedir essas folgas e poderia viajar. Esse ano, eu fiz essa força para poder. Minha mãe é flamenguista, não tem Instagram, ela não sabia que eu viajava, as amigas que mandavam mensagem falando. Aí, ela me ligava falando: ‘filho, você foi atrás do Fluminense?’ Eu esquecia”.
Agora, falta pouco para essa campanha – e alguns pesadelos – acabarem. “Eu acordo no meio da noite, tenho pesadelo com a final. Como estou sempre indo, começo a sentir muito mais (a campanha). A gente sempre viveu muito essa Libertadores, mas no mata-mata foi quando a torcida abraçou de vez, começou a acreditar”, finalizou Mauricio.
Onde assistir a Boca Juniors x Fluminense pela Libertadores?
Boca Juniors e Fluminense se enfrentam no dia 4 de novembro, às 17h, no Estádio do Maracanã, pela decisão da CONMEBOL Libertadores, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
