Herói em 2006, André Moritz se declara ao Fluminense e diz que time de Diniz 'reaflorou' desejo por futebol

Nesta quarta-feira (4), a partir de 21h30 (de Brasília), Fluminense e Internacional disputam a partida de volta da semifinal da CONMEBOL Libertadores no Beira-Rio. Ex-jogador das duas equipes, André Moritz esteve no Maracanã na partida de ida e não escondeu seu lado.

Apesar de ter sido formado na base colorada, o ex-meio-campista é tricolor 'de berço'. E a paixão de família é nutrida até os dias de hoje.

"Muita gente me pergunta, porque eu tenho dois clubes do coração, que são Avaí e Fluminense. Eu sempre explico para as pessoas o seguinte: eu, quando eu comecei a frequentar estádio, foi o Avaí, o clube que eu ia ao estádio torcer. Mas o Fluminense vem de berço. O meu pai é tricolor. Então, desde que a gente nasceu, a nossa casa sempre teve bandeira do Fluminense e a gente sempre vestiu o Tricolor. As pessoas não entendem. Hoje, a galera que tem 20 anos via o Avaí na Série A. E, quando eu explico, as pessoas entendem que realmente um clube na terceira divisão tem que ter um clube que acompanha nas rádios, nos jornais, enfim", disse ao ESPN.com.br.

Depois de subir ao time profissional do Inter, André Moritz se transferiu para o Flu em julho de 2006. E, em pouco mais de um ano na equipe, apesar de ter feito poucos jogos, marcou um emblemático gol na reta final do Brasileirão daquele ano, salvando o time do rebaixamento.

"Para mim, foi um momento muito especial. Eu, quando iniciei a minha carreira de jogador, jamais imaginei que eu ia jogar no Fluminense. Apesar de ser aquele sonho de criança, a família toda é tricolor. Na melhor das hipóteses, só queria me tornar um jogador de futebol, um dia me tornar um atleta profissional. E, por ironia do destino, logo depois que eu subi do Internacional, eu tive a oportunidade de ir para o Fluminense. E eu cheguei no Fluminense no meio de 2006 e foi um ano muito difícil. Era uma troca de treinadores constante, e eu não consegui me firmar no grupo", relembrou.

"Na reta final do campeonato, chegou o PC Gusmão, que foi o cara que me abraçou, que me colocou para jogar. E acabei ali. Naquela reta final, jogando bem, contribui bastante. É a cereja do bolo para o tricolor, acabar contribuindo com o gol que acabou salvando o Fluminense matematicamente daquele ano. Então, assim, o sentimento, aquele gol, eu lembro até hoje, eu fiz alguns gols na minha carreira, bastante até, inclusive, mas esse foi com certeza um dos gols mais importantes e que está vivo na minha memória até hoje", completou Moritz, que se sagrou campeão da Copa do Brasil em 2007.

O retorno ao Maracanã

Apesar da paixão pelo Fluminense, André Moritz ficou muito tempo afastado fisicamente do clube. Segundo o próprio diz, após o fim da carreira, em outubro de 2022, falar sobre futebol não era algo de seu interesse. O time de Fernando Diniz, porém, fez com que ocorresse uma reaproximação com o Tricolor.

"É muito engraçado, porque eu encerrei minha carreira no ano passado, em outubro, e eu estava com aversão ao futebol, não podia ouvir falar de futebol. Qualquer um que viesse conversar sobre futebol, eu não queria perder meu tempo. E, aos poucos, eu comecei a frequentar jogos do Avaí, aqui assistia a um jogo ou outro do Fluminense. E vou te dizer que eu me encantei pela forma como o Fluminense estava jogando e aquilo aflorou novamente a minha paixão pelo Fluminense. Eu nunca deixei de ser tricolor. Mas, a partir do momento que começa a ser jogador de futebol profissional, tudo depende disso. Você bota um pouco a paixão pelo clube de lado", admitiu.

"E quando o Fluminense passou para a semifinal, eu falei: ‘com certeza eu estou indo para o Maracanã. Quem vai junto?’ E dois dos meus irmãos se manifestaram e, com a ajuda do Guga, do lateral-direito, meu pupilo do Avaí, a gente conseguiu e foi sensacional. Eu não conhecia o Maracanã novo ainda. Para ter uma noção, eu não tinha entrado nesse Maracanã. A última vez que eu entrei no Maracanã foi usando a 10 do Tricolor", seguiu.

No estádio, André não chegou a ser muito reconhecido, como o próprio admitiu, mas isso não chega a ser algo ruim. "Eu gosto de aproveitar o meu momento com os meus irmãos, que é uma coisa que a gente sente falta quando joga. Ter esses momentos de prazer com a família, sem ninguém, não vou dizer que enche o saco, é claro que não, que é um prazer receber o torcedor, tirar uma foto. Mas uma das coisas legais de passar despercebido de vez em quando é que você pode curtir o jogo tranquilamente".

Apesar de ter passado despercebido no estádio, o ex-meio-campista recebeu muito carinho nas redes sociais. Algo que surpreendeu até ele mesmo, acostumado com os seguidores dos tempos em que atuou fora do país.

"Eu não sou muito da rede social, eu nunca fui de explorar muito isso. E o engraçado foi que eu fiz um tweet, inclusive eu começo ele em inglês e depois eu traduzo para o português e posto a foto minha no Maracanã. Ontem eu fui ver e está com 200 mil visualizações. Foi um negócio muito louco. E foi muito legal o reconhecimento, muito tricolor mandando mensagem, até o pessoal do Inter chateado. Daí eu me explico. Eu devo muita coisa ao Internacional, um carinho enorme pelo clube. Foram eles que me passaram para o profissional. Mas eu sou tricolor, não tem como esconder, né? E essa repercussão, o carinho dos tricolores, os torcedores assim para mim, isso foi surreal", citou ele, feliz com a recepção.

Mesmo com toda a reação, porém, Moritz não nega que a melhor parte da partida foi poder ter um momento de alegria ao lado dos irmãos. "Nós fazíamos isso quando éramos crianças, jovens ainda, e na minha época de torcedor eu peguei a década de 90. Então foi um marco na história do clube, até 95, estava indo tudo certo. Depois tivemos aquela série, uma corrida ruim ali por alguns anos e poder voltar ao estádio, ver o Fluminense bem, numa semifinal de Libertadores, com grandes chances de conquistar o título, de passar".

"Esse sentimento é muito legal, de poder extravasar no estádio, cantar junto com a torcida, de ser só mais um ali no meio da multidão, empurrando o time. Foi muito legal, muito legal mesmo, mas mais por estar perto dos meus irmãos e poder ser mais um torcedor. O fato de a gente estar ali junto, fazia muito tempo que a gente não viajava só nós três assim também", afirmou.

'Bronca' dos colorados e saia justa na base

A torcida pelo Fluminense já deixou André em algumas pequenas enrascadas justamente com o Internacional. Segundo ele mesmo conta, nos tempos de categorias de base do Colorado, cantar o hino tricolor quase o fez ter sua jornada modificada.

"Se eu não fosse um dos destaques naquela época do time, se não fosse o capitão do time, provavelmente ia dar ruim para mim. Eu estava cantando o hino do Fluminense, batucando e cantando o hino dentro do vestiário do Inter. Só que sem desrespeitar ninguém. A gente estava cantando o hino do Internacional, começaram a batucar e eu comecei a cantar o hino do Fluminense. Os caras falaram: Chumbinho está vindo aí. O Chumbinho foi um cara sensacional na minha carreira também, que era o nosso diretor de futebol da base", revelou.

"Ele desceu, entrou no vestiário, e eu estava cantando o hino, cara. E ele me olhou assim. Eu olhei para ele, tive que ir lá pedir perdão e falar para ele que não tinha nada a ver, que foi um negócio de momento ali, cantando, brincando e tal. No momento, lógico, foi completamente desrespeitoso. Nunca pensei que uma rivalidade de Fluminense e Internacional fosse alguma coisa ruim, mas é lógico que um clube do tamanho que é o Internacional, é um clube que ganhou tudo, cantar um hino de outro clube, com certeza foi um negócio desrespeitoso. Cheguei a pensar que eu ia ser mandado embora. Eu acho que se não fosse a faixa de capitão, eu ia estar a caminho de Florianópolis, com certeza", acrescentou.

E o fato de ter vestido a camisa do Fluminense justamente contra o Inter deixou a torcida colorada na bronca. "Eu fui cobrado por alguns torcedores do Inter. Eles chamaram de alguns adjetivos, não foi nada pejorativo, mas mal-agradecido me chamaram. Deve ser gremista. Mas, como eu falei antes, o Fluminense vem de berço. Só que o carinho que eu tenho pelo Internacional é um negócio absurdo. O Inter foi o clube que me resgatou daqui do Avaí na categoria de base, no sub-15. O Inter eu cheguei em 2003 com 16 para 17 anos, foi o time que me abriu as portas".

"Eu fui o primeiro jogador na época, abaixo de 17 anos, do Internacional, que tinha contrato profissional. Então, o reconhecimento que eu tenho pelo clube, eu sei o que o clube me deu. Eu sei, tenho um carinho enorme, uma paixão enorme pelo Inter. Mas, se eu tivesse que explicar, é mais ou menos uma mãe e uma madrasta, sabe assim? O Fluminense, para mim, é aquele amor louco, e o Inter é aquele amor de pessoa que te acolheu. Aquele carinho bom que te deu, que abriu as portas, que te mostrou o caminho. Então eu devo muito ao Internacional. Caso aconteça de o Internacional passar para a final, com certeza a minha torcida vai ser para eles, mas agora com o Fluzão, infelizmente é impossível de competir", reforçou.

A visão sobre o time atual do Fluminense

Atento ao que ocorre no time, o ex-meia possui alguns jogadores do elenco que é fã. Um em especial, porém, chama a sua atenção. "Meu favorito é o André. O que esse cara joga de bola é um negócio absurdo. Eu sou um grande fã da bola do André, acho um excelente jogador, marca, joga, é uma maturidade de saber acelerar o jogo, saber quando precisa dar uma segurada no jogo. Eu acho que ele é uma das melhores crias de Xerém, com certeza. E o André, para mim, é um jogador muito diferente dos outros, muito, muito diferente mesmo, vai jogar na seleção brasileira a carreira dele toda. Se Deus abençoar e não tiver nenhuma lesão, ele vai jogar nos maiores clubes do mundo. Esse cara é um cracaço de bola".

Depois do empate em casa na ida, André faria modificações no time titular que jogará fora de casa. "Eu sou muito fã do futebol do Alexsander. Eu acho uma qualidade tremenda, acho que ele traz uma coisa diferente para o Fluminense. Eu me identifico muito com a maneira como eu jogava, me identifico muito com o Ganso. Eu acho um cara muito inteligente, mas eu prefiro o Ganso solto podendo correr para qualquer lado livre, com a bola no pé. Eu não sou treinador, não vou dizer o que deveria ser feito ou não, mas eu sairia com o mesmo time. Porém, eu trocaria o JK pelo Alexsander".

"Eu começaria com o André, Alexsander e o Ganso solto, fazendo aquela função de maestro que todo mundo sabe o que ele pode fazer, ainda mais por ser um jogo fora de casa. É um jogo que você vai precisar de alguém para achar um passe, uma bola entre as linhas. Eu acho que esse meio campo é um dos, se não o melhor meio campo que eu já vi no Fluminense. E esses três juntos é um negócio absurdo. Para mim, na minha cabeça, o Guga com certeza deu conta do recado, jogou demais, uma personalidade enorme, foi para cima, marcou, lutou. E eu acho que o momento é dele. Então eu iria praticamente com esse time aí: o Guga no lugar do Samuel Xavier e entrando o Alexsander, o JK é um cara que eu colocaria no segundo tempo", finalizou.

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