A cena é rotineira. Cada vez que um clube convive com uma fase em campo, os protestos aparecem fora das quatro linhas. O último deles foi com o Fluminense, nesta quinta-feira (15).
Na ocasião, torcedores tricolores foram até o CT do clube para criticar alguns jogadores. Foram feitos xingamentos e intimidações, com o lateral Jorge sendo o principal alvo.
Durante o ESPN FC, Diego Lugano disparou contra esses protestos. Em um longo desabafo, o uruguaio condenou o assédio físico, moral e psicológico que os atletas recebem dos torcedores nesse protesto. E criticou a falta de apoio aos jogadores nesses casos.
“Fora o exagero, pelo momento que o Fluminense vive. Eu até falo um pouco sério, porque é uma situação que extrapola todos os limites. Semana passada foi no Galo, antes no Corinthians, no Internacional... enfim, todos os times do Brasil. Saiu hoje uma lei no Brasil que criminaliza qualquer cidadão que assedie ou xingue um político. O Michel Araújo foi suspenso por criticar um juiz em um clássico, a torcida do Corinthians foi suspensa por gritos homofóbicos", disse.
"Mas ninguém pensa no jogador de futebol pelo assédio moral, assédio físico que ocorre semana após semana? Acontece sempre. Não vejo um jornalista, um político, ninguém assumir essa responsabilidade. O assédio que o jogador sofre no Brasil não acontece em nenhum lugar no mundo, é físico, moral, psicológico. Eu não entendo porque esse preconceito que existe no Brasil com os jogadores. O jogador pode ser maltratado, assediado e ninguém está nem aí", continuou.
"Mas o resto do sistema se protege. E todo sistema sobrevive pelo jogador de futebol. Eu nunca vejo na televisão jornalistas alarmados quando acontece algo assim. Se é um grito no estádio, tudo bem, estamos de acordo, tem que se alarmar. Mas vamos ser justos com todos. Desde que voltei ao Brasil, isso acontece todas as semanas. E esses jogadores têm famílias, não conseguem dormir, isso é assédio. E ninguém faz nada”, completou.
Além do Fluminense, Atlético-MG, Corinthians, Flamengo e Internacional conviveram com protestos de torcedores que passaram do ponto da passividade.
