Campeão mundial com o Corinthians e líder de uma arrancada histórica com o Flamengo ainda nos tempos de vacas magras, Fábio Luciano carrega lembranças que ultrapassam o campo entre os finalistas da Supercopa do Brasil deste domingo (1º), a partir das 16h, no estádio Mané Garrincha.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o ex-jogador e atual comentarista da ESPN revisitou o passado de altos e baixos vividos pelas equipes, explicou a fama de "capita" nos bastidores e citou lições que passou a levar por toda a vida.
Lençol em Luizão e a 'ligação de milhões'
Dia 5 de janeiro de 2000. Embalado após dois títulos brasileiros consecutivos, o Corinthians dava o primeiro passo para aquilo que, até então, representaria a maior glória de sua história.
Entre renomados como Dida, Kléber, Freddy Rincón, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho Carioca, Edílson e Luizão, outro nome pediu passagem na estreia do Mundial de Clubes. Em sua primeira partida, o recém-chegado Fábio Luciano ampliou o placar e definiu a vitória sobre o Raja Casablanca por 2 a 0. A história daquele triunfo, no entanto, começou muito antes, como o próprio ex-defensor relembra.
"É uma das recordações mais especiais que tenho. Sou contratado pelo Corinthians vindo da Ponte Preta e meu primeiro campeonato acabou sendo o Mundial. Foi até uma surpresa para mim, porque quando fui contratado pelo clube a ideia era que eu começasse só no Rio-São Paulo", lembra o ex-jogador, que cita outro momento crucial para aquele período.
"Foi em um coletivo. Um cruzamento que veio da lateral e eu acabo dominando a bola no peito, dou um chapéu no Luizão dentro da área e saio jogando com uma naturalidade que talvez tenha chamado a atenção do Oswaldo (de Oliveira). Era meu jeito de jogar, mas para um garoto chegando do interior era algo diferente. Após esse lance e outras coisas que ele observou no treinamento, o treinador me chamou no quarto, me perguntou como estava e me comunicou que seria titular no primeiro jogo e ficaria até a grande decisão", conta.
O Corinthians terminaria campeão daquele torneio após vitória sobre o Vasco nos pênaltis, no Maracanã. Ainda assim, nem tudo foi como Fábio esperava. Naquele mesmo ano, o Timão caiu para o Palmeiras na semifinal da CONMEBOL Libertadores e viu a chance da classificação escapar nos pênaltis.
"Teve um protesto muito pesado da torcida após aquela eliminação nas penalidades. Mesmo assim, ali eu era um garoto que me escondia atrás dos grandes e eu aprendi até nessa situação também a entender o momento, respeitar as lideranças e escutá-las", disse.
Lição para a vida
Anos depois, em 2007, Fábio Luciano se viu em situações semelhantes àquelas que viveu no alvinegro paulista. Quando seu destino cruzou com o do Flamengo, no entanto, o desafio era outro.
"Foi outro momento da minha carreira. Já tinha conquistado muito no Corinthians, tinha tido uma passagem pelo Fenerbahçe, da Turquia, que traz uma experiência muito grande. Nos momentos que antecederam a assinatura do contrato, o Kléber Leite (então ex-vice-presidente) disse que o time era muito bom e que precisava de uma liderança, alguém que trouxesse uma bagagem para trazer um pouco mais de tranquilidade para os meninos. Eu cheguei, treinei poucos dias e fui colocado como capitão no meu primeiro jogo, onde faço o gol. Foi tudo muito rápido. Tive uma contribuição bacana junto com meus companheiros para colocar o Flamengo no lugar que ele deveria estar", recorda.
Com gols nas estreias pelo Corinthians e por Flamengo, o ex-jogador também se tornou peça crucial do Rubro-Negro que, após sua chegada, partiu da penúltima colocação do Brasileirão para a terceira posição ao fim da temporada e com vaga direta na Libertadores. Ainda assim, ele também viveu momentos de tensão nos bastidores rubro-negros.
"Tem um episódio marcante de um protesto que a torcida faz na Gávea e que começou de forma mais violenta, mas com uma atitude de conversa a gente foi acalmando, protegeu também os jogadores que estavam em campo. Viviamos uma situação um pouco complicada no campeonato e o Flamengo acabou perdendo alguns jogadores que foram vendidos, como o Marcinho e o Renato Augusto. Foram muitos torcedores que invadiram e lançaram bombas no meio do treinamento, mas eu fui contratado para isso também. Para jogar, entregar em campo, mas também para assumir essa liderança e responsabilidade quando necessário", afirmou.
Mesmo com o passado desafiador por ambas as equipes, Fábio ainda se recorda com bons olhos daquilo que viveu, e não esconde a expectativa às vésperas do embate decisivo entre suas ex-equipes.
"Foram episódios que foram importantes para a minha carreira também. O Corinthians tinha um time muito experiente, com caras que eram renomados e que exerciam essa função de liderança, e a vida dá tantas voltas que acaba te colocando em outra situação, mas ao invés de ficar atrás dos grandes você se coloca à frente para poder proteger os jogadores mais jovens, fazer o torcedor entender todo aquele cenário, aquele ambiente, o que estava acontecendo. Tenho orgulho gigantesco de ter defendido essas duas camisas, são as maiores torcidas do Brasil, carregamos uma responsabilidade muito grande, e agora temos esse confronto com dois times campeões, do Brasileiro e da Copa do Brasil, elenco estrelado, e o coração fica dividido, mas a expectativa é muito grande", admitiu.
Próximos jogos do Flamengo:
Corinthians (N) - 01/02, 16h (de Brasília) - Supercopa do Brasil
Internacional (C) - 04/02, 19h (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Sampaio Corrêa (C) - 07/02, 21h (de Brasília) - Campeonato Carioca
Próximos jogos do Corinthians:
Flamengo (N): 01/02, 16h (de Brasília) - Supercopa do Brasil
Capivariano (C): 05/02, 20h30 (de Brasília) - Campeonato Paulista
Palmeiras (C): 08/02, 20h30 (de Brasíla) - Campeonato Paulista
