Corinthians: Tuma aciona o MP e acusa Stabile de aliciar torcedor com camisa e ida ao CT por 'tentativa de golpe institucional'

Osmar Stabile, presidente do Corinthians, e Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo Vinicius Nunes/Agência F8/Gazeta Press | Gabriel Silva/E.Fotografia/Gazeta Press

A guerra política no Parque São Jorge ganhou um episódio importante nesta sexta-feira (27). Presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior formalizou ao Ministério Público de São Paulo uma chamada notícia de fato em que acusa Osmar Stabile, presidente do Corinthians, de fraude processual, falso testemunho ou falsa perícia, constrangimento ilegal e denúncia caluniosa.

Além de Osmar, o documento cita ainda William Tapara de Oliveira, conhecido como Índio, diretor-adjunto jurídico.

Segundo apurou a ESPN, a alegação é de que Stabile teria aliciado o associado Osni Fernando Luiz, conhecido como 'Cicatriz', para “provocar Tuma e forjar uma animosidade com o premeditado fim de pavimentar seu afastamento por infração ética em troca de acesso privilegiado às estruturas do clube e presentes, como camisa oficial autografada por jogadores”.

O suposto bate-boca entre Tuma e Cicatriz é um dos elementos relatados por Stabile na reunião que aconteceu no Conselho Deliberativo e que tinha como alvo a análise do projeto final de reforma estatutária do Corinthians.

Procurado pela ESPN à época, Romeu Tuma relatou que formalizou Boletim de Ocorrência no dia 6 de março, data em que aconteceu a discussão ríspida com 'Cicatriz' nas dependências do Parque São Jorge.

O vídeo do bate-boca entre ambos foi publicado pelo próprio torcedor em sua página no Instagram.

“Fiz um BO na própria sexta-feira sobre o ocorrido naquele dia na pizzaria a respeito da intimidação e ameaça que sofri de um associado que já foi suspenso do Clube uma vez e continua agindo da mesma forma no ambiente interno. Nesse BO citei que o Presidente estava presente com seus seguranças que são do Clube e nada fizeram”, disse Tuma à ESPN em 12 de março, citando ainda a possível recontratação de Aldair Borges para o quadro de seguranças do clube.

Ainda segundo documento levado por Romeu Tuma ao Ministério Público, Cicatriz teria registrado uma visita ao CT Dr. Joaquim Grava no dia 17 de março.

“O blogueiro visitou o CT do Corinthians, tendo tido acesso direto aos jogadores e, além disso, agraciado com uma camisa oficial do clube autografada pelos atletas – referindo-se, na postagem abaixo, como ‘o brabo da diretoria’”.

A denúncia, entretanto, aponta Cicatriz como “vítima das armações”, afirmando que Osni “se sentiu traído quando requereu as imagens” do incidente na pizzaria do clube. Após o fato, o influenciador teria procurado Romeu para informar que teria sido "enquadrado por comparsas de Osmar" para que “acusasse Romeu de tê-lo agredido fisicamente”.

“Requer-se, portanto, a investigação dos fatos e a posterior proposição de ação penal para responsabilizar os noticiados”, cita o documento, apontando que Osmar Stabile e Índio se valeram de “coação grave” para levar Cicatriz a “prestar acusação falsa contra Romeu Tuma”.

Veja abaixo um trecho extraído do contato entre Tuma e Cicatriz que consta no documento ao qual a ESPN teve acesso:

CICATRIZ: Oh seu Tuma, olha só... Agora eu to desde de manhã no clube, tá ligado? E o Indião pra trás de mim, pra lá pra cá, todo mundo: “cicatriz, o Índio quer falar com você, o Índio quer falar com você, e tal”. E eu meio esquivando, tá ligado?”

ROMEU TUMA: “Tá...”

Cicatriz: “Aí chegou mais dois mano ali agora... pô, mano, “nós ‘precisa’ falar com você”. Aí eu falei não, nós já conversa, tal. Aí firmeza, me enquadraram, mano. Aí agora, por que querem me dar a filmagem? Porque segunda-feira, sabem que não vai dar certo o que eles estão planejando, eles quiseram usar eu de manobra pra eu... acharam o quê? “O Cicatriz vai pegar filmagem, ele vai se empolgar, vai querer sair ‘aí, ó, eu fui agredido, tal’”, tá ligado? Nós queima ele e dá mais força pra segunda-feira ter a reunião, entendeu?”.

Procurado pela ESPN, o Corinthians disse que Osmar Stabile não comenta ações na Justiça.

A disputa entre Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior tem como desdobramento a reunião convocada pelo presidente do Corinthians para afastamento preliminar de Tuma, que aconteceu na noite da última segunda-feira, no Parque São Jorge, e que contou com 137 dos 290 conselheiros do clube.

Destes, 115 votaram favoravelmente à saída temporária de Romeu Tuma Júnior, com 15 votos contrários e sete abstenções.

Em ofício, Tuma alegou que “não reconhecia a validade jurídica da reunião”, apontando “vícios relevantes tanto na convocação quanto na condução dos trabalhos, em desconformidade com as disposições estatutárias que regem o funcionamento do Conselho Deliberativo”.

“Consigno permanecer no exercício da Presidência do Conselho Deliberativo, com a prática regular dos atos institucionais e o desempenho das atribuições inerentes ao cargo, e dela somente sairei mediante ordem judicial válida nesse sentido ou por meio de procedimento interno que observe rigorosamente os ritos estatutários”.