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Promotor que investiga Andrés e Duílio passa 4h30 no Corinthians e reúne documentação para processo: 'Maior vítima é o clube'

As investigações do Ministério Público contra os ex-presidentes do Corinthians, Andrés Sanchéz e Duilio Monteiro Alves, ganharam novos capítulos nesta quinta-feira (12).

O Ministério Público solicitou a presença do promotor Cássio Roberto Conserino ao Parque São Jorge para ter acesso a documentos ligados as investigações que envolvem os ex-dirigentes.

O promotor chegou ao Parque São Jorge durante a tarde e ficou por volta de 4h30 no local, mas saiu sem ter acesso a todos os documentos. Conserino explicou que isso aconteceu não por culpa do Corinthians.

"Muito produtiva, nós conseguimos delinear uma linha de raciocínio pra exteriorizar as provas necessárias pra demonstração da materialidade delituosa. Nós convencionamos de fazer uma remessa da documentação que dizia respeito as planilhas que dava a entender sobre adiantamento de dinheiro em espécie. O Corinthians se comprometeu a abrir o sigilo bancário e fiscal, e entregar para o Ministério Público a documentação que revela a retirada do dinheiro em consonância com a planilha que já foi exteriorizada na investigação, que denota no mandato do ex-presidente Andrés Sánchez a retirada de R$ 3,5 milhões em dinheiro em pecúnia", contou.

"Nós também obtivemos acesso a algumas notas do Conselho Fiscal, do Conselho Deliberativo, entretanto chamou a atenção que nós não conseguimos, não por culpa do Corinthians, pelo contrário, eles foram bastante colaborativos, nós não conseguimos acessos as documentações que ensejaram a aprovação das respectivas contas, tanto pelo Conselho Fiscal, quanto pelo Conselho Deliberativo. Portanto, nós obtivemos alguns pareceres de 2021, 2024, 2025 do Conselho Fiscal e acho que uns três anos do Conselho Deliberativo, mas as notas fiscais que ensejaram a aprovação ou reprovação não foram franqueadas, não por culpa do time, mas porque não estava no Corinthians", continuou.

"A diretoria jurídica fez questão de entrar em contato com cada conselheiro fiscal daquela época e nós conseguimos receber três pareceres. Ficou convencionado que no prazo de cinco dias nós vamos receber o restante e também ficou convencionado que em dez dias nós vamos receber a documentação bancária, que demonstra a retirada do dinheiro pelo funcionário e que está em consonância com a planilha que nós recebemos do Corinthians, tanto do mandato do Andrés Sánchez, quanto do mandato do Duílio, cujo os operadores seriam o Denilson Grilo e o João Odair de Souza", completou.

De acordo com o promotor, o Corinthians é a grande vítima de tudo isso.

"Foi muito produtivo esse contato. O objetivo é deixar claro que a vítima maior de tudo isso é o Corinthians. O Corinthians tem que entender que ele tem lá na frente, em caso eventual condenação, possibilidade de reparação por dano moral, ressarcimento por dano moral. O Corinthians tem que se colocar genuinamente na condição de vítima e como vítima ele está andando lado a lado com o Ministério Público, que é o tutor e defensor da sociedade. No caso, quem saiu lesado claramente foi o Corinthians", afirmou Conserino.

Responsável por acompanhar o promotor, o vice-presidente jurídico do Corinthians, Pedro Soares, deixou claro que a gestão de Osmar Stabile está comprometida em ser a mais transparente possível com o torcedor.

"Não só com o Ministério Público, mas toda a nação corintiana. O comprometimento da gestão Osmar Stabile é de transparência total, é de abertura desses questionamentos todos, claro sempre resguardando a imagem do clube. Fazendo isso de forma consciente, preservando a marca Corinthians. As investigações têm que acontecer por parte das autoridades e nós que estamos representando o clube temos que facilitar o máximo para que isso aconteça", comentou.

Relembre a denúncia do Ministério Público

No dia 15 de outubro de 2025, o Ministério Público de São Paulo denunciou Andrés Sanchez e Roberto Gavioli por crimes nos cartões corporativos do Corinthians entre agosto de 2018 e dezembro de 2020.

Por conta dos juros e da correção monetária, o MP cobrou o ressarcimento em mais de R$ 480 mil. Além disso, também exige pagamento de R$ 360 mil (75% do valor total) de cada um, por danos morais e materiais ao Corinthians.

Na semana passada, a juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal da Capital, aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo e tornou Duilio Monteiro Alves réu por apropriação indébita.

Esses gastos teriam acontecido entre 2021 e 2023 em itens sem relação à função de presidente do Corinthians como hotéis, salão de cabeleireiro, freeshops, loja náutica e restaurantes.

Ainda de acordo com denúncia do Ministério Público, apresentada em 15 de dezembro, Duilio totalizou R$ 41.822,62 em compras através do cartão corporativo do Corinthians, em valores já corrigidos pela inflação.

Responsável pelo caso, o promotor Cássio Conserino demandou ainda que o dirigente arque com outros R$ 31.366,96 a título de danos materiais ao clube do Parque São Jorge.