Por que Mano terá 'três missões e um quebra-cabeça' na 1ª chance para tentar criar novo Corinthians

Após assumir o comando do Corinthians em meio a um momento turbulento e com poucos dias para tentar implementar seu estilo ao elenco, Mano Menezes terá seu primeiro grande período para treinamentos no CT Dr. Joaquim Grava com a parada no calendário durante a penúltima Data Fifa de 2023.

Após dois dias de folga, o elenco se reapresenta nesta terça-feira (10) para iniciar o intervalo de nove dias de treinos até o próximo compromisso pelo Campeonato Brasileiro, marcado para o dia 19, fora de casa, diante do Fluminense.

Cada vez mais perto da zona de rebaixamento, a equipe enfrentará três concorrentes diretos na parte de baixo da tabela nos quatro jogos finais no mês de outubro.

Além do Fluminense, o Corinthians ainda terá América-MG (22), Cuiabá (25) e Santos (28) pela frente.

Confiança do elenco

Amargando um período de quatro anos sem títulos, o Corinthians viu a pressão aumentar ao ser eliminado diante do Fortaleza, na semifinal da CONMEBOL Sul-Americana. A queda dentro do Castelão representou a última chance de conquista de muitos do elenco, que passará por uma reformulação para a próxima temporada.

Impactado pela constante troca de treinadores em 2023, o grupo alvinegro não esconde que a instabilidade fora das quatro linhas teve reflexo negativo em campo, afetando inclusive o desempenho técnico de alguns atletas.

Além de trabalhar taticamente, Mano Menezes ainda terá a missão de ‘recuperar’ nomes como Fausto Vera, que não vai a campo desde o dia 3 de setembro, quando entrou no lugar de Gabriel Moscardo no empate em 0 a 0 com o Palmeiras, na Neo Química Arena, aos 32 minutos do segundo tempo.

A ESPN apurou que há insatisfação por parte do argentino pelo “sumiço” no elenco, uma vez que não apresenta problemas físicos que poderiam atrapalhar o desempenho em campo.

Organização defensiva

Sinônimo de defesa sólida em grande parte da última década, quando foi vencedor e esteve na briga pelos principais títulos do país, o Corinthians vem sofrendo com a quantidade de gols sofridos nesta temporada.

Atual 8ª defesa mais vazada deste Campeonato Brasileiro, o Corinthians cedeu gols aos rivais em oito das últimas dez partidas, sofrendo 14 tentos neste período da competição nacional.

“As pessoas confundem organização defensiva com ser defensivo demais. Falo sempre que a gente tem que acompanhar as alterações que o futebol apresenta. Até pouco tempo isso dava uma condição muito boa de retomada de bola para construir em transições. Isso virou pouco, futebol vai mudando. Os times hoje precisam estar mais preparados para propor, ter estrutura, e é atrás disso que os treinadores vão”, disse Mano Meneses após o empate em 1 a 1 diante do Flamengo.

“Ninguém gosta de ser atacado o tempo inteiro. É só olhar os gols que tomamos em Fortaleza. Não foi uma jogada com construção tão qualificada. Mas você dá tantas chegadas que uma hora acontece isso”.

Ataque refém desde saída de Róger Guedes

Além da defesa, outro setor que precisará da atenção da nova comissão no CT Joaquim Grava é o ofensivo, apenas o 8° mais eficiente do Brasileirão. Ainda sofrendo com a saída de Róger Guedes em meio às semifinais da Copa do Brasil, o ataque alvinegro passou a depender ainda mais da inspiração de Renato Augusto, que vive uma temporada de lesões pelo Corinthians.

Herdeiro da camisa 10, Matias Rojas ainda não conseguiu repetir no Brasil o futebol que fez o paraguaio se destacar pelo Racing (ARG).

Com o período de oscilação de jovens atletas como Pedro e Wesley e veteranos como Gustavo Mosquito e Romero, a ida às redes passou a depender ainda mais de Yuri Alberto, que também é alvo de críticas de torcedores pelo desempenho na atual temporada.

O que o treinador disse?

“A cada dia nós vamos trabalhar na direção de melhorar questões gerais da equipe. A gente sofre um pouco em retomadas. Quando a bola vai [para o ataque] e volta, a gente perde um pouco o posicionamento para ganhar a segunda bola, seja da parta ofensiva, seja da parte defensiva. A equipe precisa percorrer essa distância mais rápido, fazer leituras de trajetórias. Isso é possível”.

“Existe uma exigência de mudança de ritmo nesses fundamentos. Você não pode estar sempre correndo na mesma pegada. Isso é uma conscientização que treinamentos todos os dias fazem você ganhar. A equipe precisa desse trabalho, e os jogadores estão sedentos por essas informações de como você se comporta nesses casos. Isso se chama padronização, e é o que nós vamos dar para a equipe”.

Próximos jogos do Corinthians