OPINIÃO: Corinthians tem um dever a cumprir com Fábio Santos

Fábio Santos comemora após converter pênalti Renato Gizzi/Photo Premium/Gazeta Press

O anúncio de Fábio Santos de que irá se aposentar ao final desta temporada veio talvez no pior momento para ele: logo após a eliminação do Corinthians para o Fortaleza na CONMEBOL Libertadores, com falhas do lateral-esquerdo em ambos os gols da derrota por 2 a 0 no Castelão.

Os erros no duelo de semifinal só aumentaram as constantes críticas ao atleta de 38 anos ao longo da temporada. Considerando o desempenho dele em campo, os questionamentos são muito justos, o problema é apontar o dedo a Fábio Santos e ignorar contexto e história, um exercício necessário para o clube alvinegro nas próximas semanas, para que não se cometa uma grande injustiça com alguém que ocupa o status de lenda no Parque São Jorge.

Primeiramente, é importante destacar que uma coisa é o desempenho e outra e é o profissionalismo e a entrega, o que não se pode questionar do lateral. Porém, aos 38 anos, ele naturalmente está longe do auge de sua carreira, e isso deveria ter sido levado em conta na preparação do elenco para a temporada. Neste cenário, evidencia-se um maior erro de planejamento do que um erro individual em si ao se analisar que Fábio Santos tenha 3147 minutos em campo, a sétima maior marca do elenco na temporada – ele esteve em campo em 45 dos 60 jogos, sendo titular 36 vezes.

Cássio e Gil, com 36 anos cada, são os líderes na minutagem, com 4815 e 4424, respectivamente. Fagner ainda figura no top 5, com 3162. Em vez de ter os veteranos (exceto Cássio) como opções, o Corinthians dependeu deles como titulares absolutos e acabou os expondo em uma temporada em que o elenco claramente esteve desequilibrado. Não se trata de colocar esses jogadores como ‘vítimas’, mas é muito simplista apontar dedos para indivíduos quando o problema vai bem além deles.

Com o anúncio de Fábio Santos na terça-feira, o clube tem de tomar todo o cuidado para que o ano desastroso dentro de campo para os alvinegros seja devidamente separado do encerramento da carreira de alguém que hoje soma 364 partidas pelo time e é o 23º que mais defendeu sua camisa – deve superar as 367 de Tião Corinthians e terminar na 22ª colocação. Mais do que a frequência, o lateral-esquerdo teve papéis importantes em cinco títulos de expressividade (Brasileirão de 2011, Libertadores e Mundial de Clubes de 2012, além de Recopa Sul-Americana e Paulista de 2013), sem contar o Brasileirão de 2015, no qual ele saiu ainda no começo da campanha.

Vale reforçar que sua idolatria ainda começou a ser construída em um momento conturbado, já que sua primeira passagem começa em 2011 para ser reserva de Roberto Carlos e assume a titularidade após a saída do campeão mundial com a seleção brasileira em meio à queda para o Tolima antes da fase de grupos da Libertadores. Tecnicamente, o 2023 de Fábio Santos é ruim, mas é em boa parte por consequência de um planejamento desastrado, seja na montagem de elenco ou nas escolhas de técnicos antes da chegada de Mano Menezes.

O Corinthians tem de reconhecer isso e tomar o cuidado em fazer com que a reta final do lateral-esquerdo como jogador profissional seja mais voltada para o reconhecimento de sua história no Parque São Jorge do que para o desempenho atual da equipe.

Próximos jogos do Corinthians: