Às vésperas da Copa, México vive tensão com protestos de professores: 'Se não houver acordo, a bola não vai rolar'

A três dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, a Cidade do México atravessa uma grave crise política, marcada por uma onda de protestos que ameaçam até mesmo a primeira partida do Mundial, entre México e África do Sul, na quinta-feira (11), no Estádio Azteca.

No centro histórico da capital mexicana, hoje dividida entre frustação e apoio, professores e funcionários públicos de todo o país estão em greve geral. O grupo está acampanhado nas ruas desde a última segunda-feira (1º), exigindo aumento salarial e melhores condições de trabalho.

Por conta disso e temendo tumultos, a praça central da capital, chamada Zócalo, sede do Palácio do Governo e da Fan Fest, onde está instalado um grande telão para reunir torcedores, está completamente fechada às vésperas do início da competição.

Para evitar que os manifestantes cheguem perto do local, o Exército foi para as ruas, e a polícia bloqueou quadras inteiras, o que deixou as calçadas do centro histórico caóticas, como se fosse uma espécie de formigueiro de pessoas. Há um clima de tensão entre os comerciantes locais. Alguns deles chegaram a contratar seguranças particulares para protegerem suas lojas.

Em entrevista à ESPN, Natalio Palacio, um dos representantes do movimento, afirmou que se não houver acordo com o governo mexicano, não haverá Copa do Mundo.

''Até agora não tivemos nenhum diálogo, nenhuma mesa de negociação. Seguimos exigindo isso, e a nossa posição é que, se não houver uma solução, a bola não vai rolar'', disse.

''Não haverá Copa do Mundo. A partida de inauguração do Mundial será bloqueada como medida de pressão, para que, de alguma forma, seja atendido o conjunto de reivindicações que existe em nível nacional'', completou o manifestante.

No dia 1º de junho, quando a grave foi oficialmente convocada pelo sindicato dos professores do México, milhares de pessoas participaram de uma passeata pelas ruas do centro. Na ocasião, houve até mesmo confrontos com a polícia.

Na Avenida Paseo de la Reforma, uma das mais importantes da capital, manifestantes derrubaram estátuas de plástico de jogadores de futebol que haviam sido colocadas para a Copa do Mundo. Alguns mexicanos relataram à ESPN que algumas das estátuas foram, inclusive, queimadas em público.

Além dos professores, os atos ainda contaram com a participação de familiares de cerca de 130 mil pessoas desaparecidas no país. As manifestações, no entanto, não devem parar por aí.

''Tudo vai depender da presidente do México. O magistério é o povo, nós somos o povo. Vai depender do diálogo e da resposta concreta que ela nos der. Nós não estamos contra o Mundial, não estamos contra o esporte do povo, porque nós somos o povo, somos da comunidade. Estamos contra os políticos e suas decisões'', declarou Margarito González à ESPN.

Vale lembrar que em 2013, o Brasil viveu situação parecida com os protestos que ficaram conhecidos como ''Jornadas de Junho'' durante a Copa das Confederações realizada no país. Na época, as mobilizações populares foram impulsadas principalmente insatisfação com os gastos em megaeventos esportivos.

O México é o primeiro país a sediar três edições de Copa do Mundo e receberá 13 das 104 partidas da competição, distribuídas pela capital, Monterrey e Guadalajara.

Resta saber, porém, se os atos promovidos muito em função da vibilidade do Mundial, vão interferir ou não no torneio na realização do torneio.