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Autoridades italianas reagem aos rumores de seleção herdar vaga do Irã na Copa: 'Me sentiria ofendido'

Jogadores da Itália durante pênaltis contra a Bósnia, pelas eliminatórias da Copa EFE/EPA/NIDAL SALJIC

Dirigentes do esporte italiano reagiram com firmeza à possibilidade, levantada nos bastidores, de a seleção da Itália substituir o Irã na próxima Copa do Mundo. A ideia surgiu após comentários de um emissário ligado ao governo de Donald Trump, mas foi prontamente rechaçada por autoridades do país europeu.

Apesar das especulações, o Irã não se retirou do torneio e segue com sua preparação para disputar a competição nos Estados Unidos, mesmo em meio ao conflito no Oriente Médio. A Fifa reforçou que os jogos da fase de grupos — previstos para regiões próximas a Los Angeles e Seattle — estão mantidos conforme o calendário.

A controvérsia começou quando Paolo Zampolli, enviado especial dos EUA, revelou ter sugerido a possibilidade de a Itália assumir uma eventual vaga do Irã. Segundo ele, a proposta foi apresentada tanto a Trump quanto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, como um plano de contingência caso os iranianos não pudessem participar.

Em entrevista, Zampolli afirmou que a ideia não tinha motivação política. “Foi um sonho. Um pedido para o povo italiano e para os ítalo-americanos”, disse. Ele também argumentou que, por sua tradição — com quatro títulos mundiais —, a Itália teria legitimidade esportiva para disputar o torneio.

A reação na Itália, no entanto, foi imediata e contundente.

O ministro do Esporte, Andrea Abodi, classificou a possibilidade como inviável. “Não é possível e tampouco apropriado. A classificação se conquista dentro de campo”, afirmou. Já o presidente do Comitê Olímpico Italiano, Luciano Buonfiglio, foi ainda mais direto: “Eu me sentiria ofendido. É preciso merecer ir à Copa do Mundo”.

O ministro das Finanças, Giancarlo Giorgetti, também criticou duramente a sugestão, chamando-a de “vergonhosa”.

Nos Estados Unidos, o tema também repercutiu. Questionado sobre a possível entrada de atletas iranianos no país, Trump adotou um tom cauteloso, dizendo que “precisaria pensar sobre o assunto”. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que não há restrições diretas aos jogadores, mas levantou preocupações sobre membros das delegações.

“O problema não são os atletas, mas outras pessoas que podem vir com eles”, disse Rubio, sugerindo riscos relacionados à segurança.

Enquanto isso, o Irã mantém o foco no torneio. A equipe garantiu vaga de forma esportiva pelas Eliminatórias Asiáticas e tem estreia marcada contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Um eventual confronto contra os Estados Unidos pode acontecer no mata-mata, dependendo da classificação das equipes.

A participação iraniana tem sido alvo de debates desde o agravamento das tensões militares envolvendo EUA e Israel no início do ano. Ainda assim, a Fifa segue firme na posição de manter o planejamento original e já descartou qualquer mudança de sede ou realocação de jogos.

Do lado iraniano, a resposta também veio em tom crítico. A embaixada do país em Roma declarou que “o futebol pertence ao povo, não aos políticos”, e classificou como “falência moral” qualquer tentativa de exclusão baseada em fatores externos ao esporte.