A estreante seleção de Filipinas fez história ao conquistar a sua primeira vitória em uma Copa do Mundo feminina, diante da anfitriã Nova Zelândia na última terça-feira (25), pela segunda rodada do grupo A. E uma jogadora da equipe asiática tem uma trajetória um tanto quanto incomum: ela trocou as câmeras pelas chuteiras.
A zagueira Reina Bonta, que hoje defende o Santos, é cineasta formada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e chegou a trabalhar em grandes companhias antes de se aventurar nos gramados.
A defensora, de 24 anos, entrou na faculdade para se tornar neurocirurgiã, mas, ao cursar uma disciplina de cinema para preencher um requisito acadêmico, acabou se apaixonando pelas câmeras.
Bonta produziu, coescreveu, dirigiu filmes e conquistou prêmios na área. Até que recebeu um convite que mudou completamente a sua vida. Mesmo tendo nascido nos Estados Unidos, a californiana aceitou defender as Filipinas, país do seu pai.
''A Federação entrou em contato comigo quando eu estava em Yale, dizendo para participar de um período de concentração com a seleção filipina. Não era nada garantido, tinha pouco tempo para me dedicar ao futebol'', disse a jogadora, em entrevista ao site da Fifa.
''Sabia que precisava acabar a faculdade e tirar o diploma primeiro, mas queria tentar. Precisei de muita coragem para seguir a carreira no futebol. Estar aqui na Copa faz com que minha decisão tenha valido a pena'', completou.
A Sereia da Vila
Quando estava cursando a faculdade, Bonta conheceu a ex-jogadora Tiffany Weimer. E foi justamente a atacante, que também jogou no Santos, que indicou a zagueira para Kleiton Lima, técnico das Sereias da Vila.
O treinador assistiu a vídeos da defensora e a chamou para ser uma atleta profissional do Peixe. A zagueira foi contratada pelo clube em março deste ano.
''Eu me sinto muito grata todos os dias, estou adorando. Representar esse clube, o clube do Pelé, da Marta, da Cristiane, me dá muito orgulho. Não acreditei que ia dizer "sim" para "o" Santos! Estou adorando, dá para ver o brilho nos meus olhos. Os meus olhos devem brilhar todas as vezes que falo sobre isso'', disse a defensora à Fifa.
