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Guardiola? Por que brilho de astro do City que faz dupla com Messi na Copa tem outro 'grande arquiteto'

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Descubra quem é o verdadeiro 'arquiteto' de Julian Álvarez, dupla de Messi na seleção argentina (2:12)

Em entrevista ao ESPN.com, ex-dirigente do River Plate revelou o verdadeiro nome que 'construiu' o astro do Manchester City (2:12)

Em entrevista ao ESPN.com.br, ex-diretor do River Plate destacou o grande momento vivido pelo atacante Julián Álvarez, que bilha pela Argentina no Qatar


Vice-artilheiro da Copa do Mundo do Qatar ao lado de Olivier Giroud , da França , com quatro gols anotados, o jovem atacante Julián Álvarez , de 22 anos, tem chance de levar a Argentina ao tricampeonato mundial no próximo domingo (18), a partir das 12h (horário de Brasília), no Estádio Lusail. Além disso, também ganhou o status de "fiel escudeiro" de Lionel Messi, se entendendo bem no ataque com o camisa 10 argentino, que já marcou cinco vezes e dividiu a artilharia com Mbappé .

Apesar da pouca idade e de ter somente 18 partidas com a camisa alviceleste, tendo sido convocado pela primeira vez pelo técnico Lionel Scaloni em junho 2021, o desempenho de Álvarez não é uma grata "surpresa". Isso porque a joia do futebol argentino já vinha brilhando desde os tempos de River Plate, e mais recentemente pelo Manchester City de Pep Guardiola, tendo estreado no fim de julho deste ano.

No primeiro semestre de 2022, o camisa 9 da seleção argentina na Copa já chocava o futebol sul-americano por conta dos gols e assistências a serviço do River do técnico Marcelo Gallardo. Em maio, por exemplo, o jogador foi responsável por seis gols na goleada por 8 a 1 sobre o Alianza Lima (PER), pela fase de grupos da Conmebol Libertadores.

E assim também tem sido a serviço do City. Na atual temporada europeia, o argentino disputou 20 partidas até o momento, sendo oito delas como titular, e registrou sete gols e duas assistências, números que têm feito Guardiola olhar o jovem jogador com mais carinho no seu estrelado plantel e feito ele se firmar como um dos astros da companhia.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Gustavo Grossi, gerente executivo da base do Internacional, e que já trabalhou como diretor esportivo no River Plate, tendo contato direto com Gallardo e as principais joias lapidadas pelo clube argentino desde 2016, destacou as qualidades de Álvarez e revelou os bastidores por trás do grande momento vivido pelo atacante.

Para Grossi, Gallardo, ou então Muñeco, como é chamado pela torcida millonaria, tem uma grande contribuição para o desenvolvimento do atleta, que desde 2018 já frequentava o time principal do River. Para ele, o técnico argentino, que deixou o comando do clube de Buenos Aires em outubro deste ano, é o "grande arquiteto" por trás de Álvarez.

"Acho que ainda não estive muito tempo com Guardiola para dizer que ele tem mérito no nível de Julián Álvarez. Seguramente com o tempo terá. Hoje é mérito da construção esportiva de Marcelo Gallardo e do que o River deu a ele a nível emocional e pessoal. O grande arquiteto é Marcelo Gallardo, muito acima dos demais", começou por dizer.

E ele cita algumas das qualidades que fazem o atacante, hoje, ser um jogador completo e "raro" no futebol argentino. Isso porque, na visão de Grossi, é difícil até mesmo apontar um jogador já consolidado no mundo que ele se assemelha por conta de seus atributos em campo.

"Julián conseguiu ser um atacante completo. Dava a sensação que seria, mas se consolidou em várias posições e em todos os sistemas. Pode ser um atacante centralizado, um meia. Se tem que trabalhar defensivamente o fará. É um atacante completo. A nível de treino, mental e dedicação. Ele pode jogar em 3 ou 4 posições no ataque. Não são muitos que conseguem isso com simplicidade e humildade. Julián mostra que é um atleta completo e que não é apenas jogar bem e ter boa técnica. É ser um prodígio que não tem limite de evolução. Ele demonstra isso. Vai jogar a final do Mundial e não se tem ideia se fará três gols, sempre vai estar surpreendendo pela inteligência e dedicação profissional", disse.

"Agora, você me pergunta que atleta ele lembra quando joga, é difícil porque ele trabalha a favor do elenco como ninguém. É muito polivalente. Porque a Argentina sempre jogou com Crespo, Batistuta e Lautaro (Martínez), que são atacantes que jogam centralizados, que são bons finalizadores. (Julián) nunca jogou com um 9 que fosse mais associativo e trabalha em diferentes posições e ajuda a liberar o Messi com desmarques. Ele é um atleta da geração 2020 e 2022, absolutamente moderno", prosseguiu.

"É um perfil que a Holanda tem de atletas completos e muito bem trabalhados. Na argentina, lembrar de um jogador que ele seja parecido é difícil, não me lembro. É um camisa 9 atípico em relação ao que a Argentina sempre apresentou, que são finalizadores. Ele é muito completo, não estou dizendo que seja melhor, mas é muito mais completo do que o futebol hoje precisa. Não um atleta que jogue somente em uma posição, mas de um jogador que cumpra uma função coletiva", concluiu.

'Não queria sair do River sem vencer uma Libertadores e um Argentino'

Eleito o Rei da América em 2021, Julián Álvarez teve a sua venda acertada para o City em janeiro de 2022, por 18 milhões de euros (cerca de R$ 111 milhões na cotação da época), mas com mudança para a Inglaterra agendada somente para o segundo semestre. E desde 2012 ele já fazia parte das categorias de base do River Plate.

Antes de se despedir, disputou três temporadas e meia no time principal do clube argentino, registrando ao todo 122 jogos, com 54 gols marcados e 28 assistências. Além disso, conquistou inúmeros títulos, incluindo o da Conmebol Libertadores (2018), Recopa Sul-Americana (2019) e Campeonato Argentino (2021).

E para Grossi, uma das virtudes que fez Álvarez prosperar no River antes de alçar voos mais altos na Premier League, tem a ver com a própria cultura entre os jovens no futebol argentino. E por conta disso, o clube conseguiu segurar a sua joia por bastante tempo.

"Na Argentina o jovem tem o sonho de dar certo no time profissional, ser campeão e só depois ser vendido. Esse sentimento de pertencimento joga muito a favor dos clubes e dos diretores esportivos. Ele não queria sair do River sem vencer uma Libertadores e um (Campeonato) Argentino. A gente desfrutou do talento dele e depois ser vendido porque o River vive disso também", disse, antes de finalizar.

"Isso o conduziu a essa etapa na carreira, ser campeão com os torcedores e agora chegar aonde está. Julián tem isso, e a maioria dos atletas jovens que se destacam na Argentina. Não tem essa pressão em ser vendido aos 17 anos, não é algo que acontece normalmente."