Após querer ser como Guardiola, técnico de Marrocos detona estatísticas, posse de bola 'inútil' e críticas de europeus

Walid Regragui, técnico de Marrocos, em entrevista coletiva antes da semifinal contra a França na Copa do Mundo Getty

Walid Regragui é uma das sensações da Copa do Mundo como técnico de Marrocos e não parece preocupado se seu time terá menos posse de bola que rivais


Walid Regragui já quis ser como Pep Guardiola. Nesta quarta-feira (14), às 16h (de Brasília), na semifinal contra a França, não espere, porém, que o seu Marrocos jogue como o Manchester City. Muito pelo contrário. Se for possível vencer sem posse de bola, para o treinador, está tudo bem.

Em entrevista coletiva nesta terça (13), véspera do duelo que decidirá uma vaga na decisão da Copa do Mundo no Qatar, inclusive, o técnico marroquino foi duro com as palavras ao rebater as críticas ao jeito de jogar de sua seleção. Disparou contra as estatísticas e também contra a posse "inútil".

"Vamos jogar com nossas forças. Estamos numa semifinal, e esse lado da posse de bola... É incrível como vocês jornalistas gostam de posse de bola. Mas de que vale a posse de bola se você finalizar só duas vezes? Agora, existe essa estatística de 'gols esperados'. Mas isso não significa nada", iniciou.

"Queremos ganhar. Se pudermos ficar com a bola, ótimo, mas não acho que a França vá deixar, e tudo bem. Deschamps é um dos melhores técnicos do mundo, o melhor na minha visão. Estamos aqui para ganhar. Se eles permitirem, teremos a bola, mas não acho que eles vão. Nós vamos tentar impedir que eles finalizem, tenham os 'gols esperados' e que façam gols", continuou.

"Se (o presidente da Fifa, Gianni) Infantino começar a dar pontos por posse de bola, aí será diferente. Guardiola foi meu ídolo, referência por muito tempo. Fiquei louco, queria ter posse de bola e tudo. Mas, quando você tem jogadores como De Bruyne, Bernardo Silva, fica mais fácil, você tem que ter a bola", acrescentou, antes de direcionar seu desabafo às críticas vindas da Europa.

"Sei que muitos europeus vão criticar o nosso estilo de jogo. Mas é que eles não gostam de ver um time como a gente. Eles acham que as seleções africanas têm que jogar com alegria, irem para cima. Porque esses times são eliminados. Isso acabou. Nós queremos mostrar que podemos vencer.”

Regragui usou até mesmo a França, na classificação sobre a Inglaterra nas quartas de final, para fazer valer seu ponto. "Não há só um jeito de ganhar. Veja a França, por exemplo. Em 2018, venceram todo mundo categoricamente. Mas, contra a Inglaterra, não dominaram e foram efetivos apenas. Quem sabe não possam ser nossa inspiração amanhã?"

"Não queremos percentual de posse de bola, gols esperados, queremos vencer. Queremos destruir as estatísticas amanhã. Temos 12% de chances de ser campeões? Então vamos trabalhar para ter mais que isso", completou o técnico de Marrocos, sendo apoiado e elogiado por Deschamps.

“Não vou fazer muitos amigos se falar sobre isso (estatísticas). Mas, antes de mais nada, Walid está fazendo um grande trabalho, é incrível que estejam na semifinal, isso mostra sua força", iniciou.

"Sobre estatísticas, há novas tecnologias e cada vez mais dados no futebol, seja sobre nosso time ou adversários. Mas nem tudo tem que ser levado a campo por todos. É que às vezes, há livros de estatísticas, ou um celular, um Ipad, já que não quero revelar minha idade (risos), mas nem sempre é interessante. Porque às vezes, os dados podem dizer duas coisas opostas, dependendo do jeito que você olhar."

"Sim, há o lado positivo, quando ajudam, mas também muitas vezes podem te dar uma indicação que só serve para confirmar aquilo que seus olhos já haviam visto."