<
>

Zagueiro do Barcelona tenta ser 'intruso' em história de laterais que brilham em títulos da França

Jules Koundé concede entrevista coletiva no Centro de Treinamentos da França na Copa do Mundo do Qatar Getty

Jules Koundé é titular da lateral da França na Copa do Mundo, mas é originalmente zagueiro do Barcelona


Há um ponto em comum na história dos dois títulos de Copa do Mundo da França, em 1998 e 2018, relacionados aos laterais-direitos. Tanto na primeira conquista, quanto no bi, jogadores da posição marcaram gols importantes no mata-mata, algo que agora Jules Koundé tentará repetir no Qatar.

Com uma diferença fundamental, porém: ele não é um lateral de origem. Koundé é, na verdade, zagueiro, só que ganhou a posição no Mundial após Benjamin Pavard não agradar na estreia.

A TV local "RMC" chegou a noticiar, inclusive, uma discussão "tensa" entre Pavard e o técnico Didier Deschamps no vestiário da vitória por 4 a 1 sobre a Austrália, mas o fato concreto é que Koundé assumiu o posto desde então e vem sendo elogiado. Ele trocou, em julho, o Sevilla pelo Barcelona por 50 milhões de euros (R$ 281 milhões na cotação atual).

"Estou me acostumando com a posição, tenho muito a aprender, mas me sinto muito bem, cada vez melhor, nessa posição. Quando entro em campo, só penso na classificação e seria uma grande satisfação conseguir ir à final", disse ele, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (12).

Quem também falou foi Raphael Varane, que foi só elogios a Koundé como lateral. "Ele fez um jogo sólido, defendeu bem os ataques ingleses (nas quartas de final). Talvez não seja a posição original dele, mas ele se sai bem. Tento estar perto dele, conversar o máximo possível para ajudar. Ele está fazendo uma boa Copa, eu tento ajudar passando confiança. Ele é determinado, um grande jogador.”

Outro tema na conversa com Koundé foram os feitos de Lilian Thuram e o próprio Pavard, que foram os titulares da direita nas campanhas dos títulos em casa em 98 e na Rússia em 2018.

Thuram foi decisivo justamente em uma semifinal, como Koundé terá pela frente contra Marrocos. Na disputa por um lugar na decisão na França, o lateral marcou simplesmente os dois gols da vitória sobre a Croácia, por 2 a 1, e saiu como grande herói da classificação.

Já há quatro anos, a estrela de Pavard brilhou nas oitavas de final, quando ele anotou o que foi eleito o gol mais bonito da Copa na vitória por 4 a 3 sobre a Argentina.

Se Koundé vai entrar com isso na cabeça na próxima quarta-feira, às 16h (no horário de Brasília), no Estádio Al Bayt? A resposta é não, mas ele também estaria mentindo se dissesse que não gostaria de repetir o que os compatriotas já fizeram.

"Não sei, não penso nisso. Não quero copiar ninguém, só fico feliz de jogar. Mas quem não sonha em fazer como Thuram ou Pavard? Espero que aconteça na quarta."