Copa do Mundo já teve outros casos parecidos ao do goleiro André Onana, de Camarões, que deixou a delegação de sua seleção durante a disputa da competição
A semana começou com polêmica na Copa do Mundo do Qatar. Segundo apurou a ESPN, André Onana, até então goleiro titular de Camarões, decidiu deixar a delegação da seleção africana no Mundial após divergências com o técnico Rigobert Song. Com isso voltou à Itália, onde reside, uma vez que é jogador da Inter de Milão. E o camaronês não é o primeiro a passar por esse tipo de situação durante a competição mais importante do futebol mundial.
Além dele, outros jogadores, inclusive nomes conhecidos como Faustino Asprilla, lenda da seleção da Colômbia, e até mesmo o ex-atacante Nicolas Anelka, da França, que vestiu as camisas de Chelsea, Real Madrid, Paris Saint-Germain entre outros clubes, também já abandonaram uma Copa do Mundo antes do previsto por conta de divergências nos bastidores.
O primeiro deles foi o meio-campista alemão Stefan Effenberg, que ficou conhecido por suas passagens pelo Bayern de Munique. Na Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos, o jogador se irritou com as críticas dos torcedores durante a vitória por 3 a 2 sobre a Coreia do Sul, ainda na fase de grupos, e teve uma reação que não agradou nem um pouco o técnico Berti Vogts: mostrou o dedo médio em direção à arquibancada.
Após a atitude de Effenberg, Vogts decidiu expulsá-lo imediatamente da seleção alemã, que seguiu a disputa em solo norte-americano sem ele. Os europeus foram até as quartas-de-final, caindo para a Bulgária. E o treinador garantiu que, enquanto estivesse no comando do time, o meio-campista não seria mais convocado.
"Muitos luxos foram permitidos no passado, mas isso acabou", disse Vogts.
Effenberg, por sua vez, fez pouco caso da situação. "Não me incomodo muito com o que Vogts diz. A seleção já não é mais tão vital para mim."
Na Copa seguinte, em 1998, na França, foi a vez de Asprilla passar por essa situação. O atacante colombiano foi substituído aos 40 minutos do segundo tempo, na estreia pela fase de grupos contra a Romênia, e não gostou da decisão tomada pelo técnico Hernán Gomez. A Colômbia perdeu aquele jogo por 1 a 0.
No dia seguinte, o ex-Palmeiras e Fluminense deu declarações fortes à imprensa, afirmando que Gomez teria jogadores "intocáveis" na seleção, em uma clara menção ao meia Carlos Valderrama. A situação não caiu nada bem com o treinador, e Asprilla acabou expulso da delegação, mesmo depois de ter feito um pedido público de desculpas.
Em 2002, ano do pentacampeonato do Brasil no Mundial sediado pela Coreia do Sul e pelo Japão, foram dois casos: Zlatko Zahovic, da Eslovênia, e Roy Keane, da Irlanda.
O primeiro se desentendeu com o técnico da seleção eslovena à época, Srecko Katanec, depois de ter sido substituído no início do segundo tempo contra a Espanha, pela estreia na fase de grupos. O espanhóis, que venceram por 3 a 1 e, logo após a partida, Zahovic foi tirar satisfação com o treinador, tentando até mesmo apelar para a agressão. Resultado: quatro dias depois voltou para casa e deixou a Copa.
Já Keane, estrela do Manchester United à época, se desentendeu com o preparador de goleiros da seleção irlandesa Pat Bonner. O meio-campista detonou o campo de treinamento escolhido para a preparação para o Mundial, inclusive dizendo que os irlandeses estavam "relaxados".
O clima ficou tenso após Keane insultar o técnico Mick McCarthy e ameaçou abandonar a concentração irlandesa. O "troco" foi dado pelo treinador, que mandou o jogador de volta para casa depois de descobrir que ele havia dito que seus companheiros de seleção não passavam de "ovelhas".
Quase uma década depois, em 2010, na África do Sul, foi a vez de Anelka. O atacante se irritou depois da derrota por 2 a 0 para o México, ainda na fase de grupos do torneio. Ele xingou o técnico Raymond Doménech.
Os insultos foram publicados pelo jornal L'Équipe, e Anelka acabou expulso da concentração na África do Sul.
"Entrei frustrado no vestiário. Fiquei irritado por não ter encostado na bola e por não ter encontrado nenhuma solução. Doménech disse meu nome, mas não admito que façam isso em público", explicou Anelka.
"Falou como se eu fosse o inimigo número 1 do time. Foi um erro, mas me senti agredido", seguiu o ex-atacante.
Sem Anelka, a seleção da França caiu ainda na primeira fase da Copa de 2010. O time não venceu nenhum jogo e foi lanterna do grupo que tinha Uruguai, México e África do Sul.
Já na Rússia, no Mundial de 2018, a Croácia, vice-campeã para a França, também teve um caso parecido. E foi logo após a estreia, na vitória por 2 a 0 sobre a Nigéria, pelo grupo D.
A HNS (Federação Croata de Futebol) anunciou que atacante Nikola Kalinic, do Milan, foi mandado de volta para casa. A decisão foi tomada após o técnico croata, Zlatko Dalic, se irritar com o experiente jogador de 30 anos por ele ter se recusado a entrar em campo nos 5 minutos finais do triunfo diante dos africanos, em Kaliningrado.
Após o final da partida, em entrevista coletiva, o treinador se disse feliz pela vitória sem lesionados, mas afirmou ter acontecido "um problema", que "logo seria solucionado".
Em seguida, Dalic minimizou a situação em discurso oficial e afirmou que a dispensa de Kalinic aconteceu porque o atleta está sentindo dores que o impossibilitam de atuar.
“Durante o jogo contra a Nigéria, Kalinic estava aquecendo e deveria entrar no segundo tempo. No entanto, ele afirmou que não estava pronto para entrar devido a um problema nas costas. A mesma coisa aconteceu durante o amistoso contra o Brasil, na Inglaterra, bem como antes da sessão de treinos no domingo. Aceitei isso com calma e, como preciso que meus jogadores estejam aptos e prontos para jogar, tomei essa decisão”, explicou o treinador na época.
