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Calor, atenção às polêmicas e novas tecnologias: a intensa preparação dos árbitros para a Copa do Mundo

Apito é o principal instrumento dos árbitros de futebol Ben Stansall/Getty Images

Responsáveis pelo apito no torneio trabalharam em um jogo amistoso em que o foco dos jogadores não estava em marcar gols para vencer e sim em cometer faltas, simular outras e puxar camisas


As seleções estão em fase final de preparação, sonhando com o título da Copa do Mundo. Enquanto isso, um outro grupo também trabalha forte e sonha com o sucesso. Mas quanto mais passarem despercebidos, melhor.

São os 129 árbitros, incluindo seis mulheres, de 47 países diferentes, que serão responsáveis pelo apito na competição mais importante do futebol mundial. Do Brasil, os representantes serão os juízes Raphael Claus e Wilton Pereira Sampaio, além dos assistentes Bruno Boschilia, Rodrigo Figueiredo, Bruno Pires, Danilo Simon e Neuza Inês Back, única representante entre as mulheres.

Antes de a bola rolar de forma efetiva, os juízes passaram por um último teste, literalmente de fogo, já que o treino foi realizado com uma temperatura de 33ºC. E o objetivo era confundir e dificultar o trabalho da arbitragem. O foco dos jogadores não estava em marcar gols para vencer - em vez disso, eles foram encorajados a cometer faltas, simular outras e puxar camisas.

Na partida amistosa entre dois times locais no Qatar Sports Club Stadium, nada menos do que oito pênaltis foram marcados, com mais de 50 cobranças de falta entre as duas equipes, e 15 cartões distribuídos - incluindo quatro vermelhos.

"Esta é a última parte da nossa preparação e trata-se mais de repetir o que já fizemos. A uniformidade é importante", iniciou Danny Makkelie, árbitro da Holanda, para a BBC.

"Claro que existe uma pressão. Não existe um palco maior, mas tem que tratar da mesma forma. É 11 contra 11, uma torcida e um estádio. Tento esquecer quantas pessoas estão assistindo, tento esquecer como esses jogos são importantes, porque se você pensar muito sobre isso, aumenta a pressão", seguiu Makkelie, que revelou que a adaptação ao calor está sendo um desafio.

O Mundial do Qatar será o primeiro em que uma mulher arbitrará uma partida masculina na Copa do Mundo. Salima Mukansanga, de Rwanda, está bem ciente do papel que desempenhará quando assumir o comando de seu primeiro jogo, especialmente no contexto do debate em andamento no Oriente Médio sobre os direitos das mulheres.

"Será uma honra, mas no futebol não há sexo, então as pessoas precisam entender isso. Porque a decisão é sempre a decisão. E tem que ser tomada. Então ser mulher aqui não importa. O importante é a atuação", disse ela ao canal inglês.

Depois de introduzir o VAR na Rússia 2018, este ano haverá ainda novidades, com mais câmeras e sensores, além da tecnologia de impedimento semiautomático.

Ao colocar um microchip dentro da bola e rastrear os jogadores, um alerta de impedimento será acionado se um atacante receber a bola em posição ilegal. Teme-se que isso possa atrasar ainda mais o jogo enquanto as verificações são feitas, mas Chris Beath, um árbitro de elite da Fifa da Austrália, diz que durante os testes o sistema foi rápido e preciso.

"A tecnologia que temos disponível é excepcional. Sim, pode haver atrasos, mas é aquele equilíbrio delicado entre precisão e velocidade", iniciou.

"O foco principal é tentar tomar a decisão certa em campo. Mas se, como árbitros, não pudermos, temos o benefício de nossa equipe off-line e a tecnologia disponível para garantir que a decisão certa em campo seja tomada", encerrou.