'Preocupação e cautela': como Corinthians recebeu declaração de advogado sobre participação de Cuca em caso de estupro

Enquanto o Corinthians tenta voltar suas atenções à Copa do Brasil, competição em que terá o Remo pela frente nesta quarta-feira (26) com a missão de reverter um placar adverso de 2 a 0 no jogo de ida, os bastidores do clube seguem movimentados em relação ao técnico Cuca, que tem sido alvo de protestos por conta da condenação por estupro no "caso Berna", em 1987.

Em entrevista ao portal UOL, Willi Egloff, advogado que representou a vítima à época, rebateu a versão dada pelo técnico no dia de sua apresentação no clube sobre não ter sido reconhecido como um dos agressores pela garota de 13 anos.

Segundo apurou a ESPN, as declarações foram recebidas com preocupação no Corinthians.

Durante edição do SportsCenter, o jornalista Gustavo Zupak, comentarista dos canais ESPN, detalhou os bastidores de como a versão do advogado da vítima no "caso Berna" chegou aos ouvidos de Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians.

“Conversei com algumas pessoas do Corinthians para entender como o presidente e o corpo jurídico do clube receberam essa matéria. Ouvi que o Duilio recebeu com muita preocupação, mas ainda com cautela”, disse Zupak durante SportsCenter.

“De fato, isso agrava a situação, mas o Duilio trata com cautela. E por dois motivos: primeiro por essa declaração do advogado ser pesada, relevante e tem que ser considera. Mas na leitura do presidente ela não é definitiva, não é a palavra da Justiça. É a palavra do outro lado. O Cuca diz que ela não o reconheceu, o advogado diz que reconheceu. O que a Justiça entendeu sobre o reconhecimento a gente não sabe. É claro que isso é levado em consideração, mas o Duilio aguarda e não trata isso como uma sentença por ser a palavra do advogado da vítima e não da Justiça”.

“O Corinthians trata ainda com cautela, dá valor à palavra do Cuca e por ter ouvido dele que o técnico contratou advogados na Suíça para trazer ao Brasil informações que fortaleceriam a defesa. O Corinthians está aguardando isso. Até por querer que os questionamentos acerca da culpa ou inocência sejam direcionados aos advogados do Cuca, não para o Corinthians”.

O técnico Cuca anunciou através de sua assessoria de imprensa que contratou um escritório na Suíça para tentar provar sua inocência no “caso Berna”, de 1987.

“A partir desta nota, ele se manifestará e será representado exclusivamente por meio de seus advogados que contam com representantes na Suíça. Desta forma, refuta as acusações que lhe são atribuídas, que remontam há mais de trinta anos e que foram investigadas e apuradas na ocasião”, disse.

Cuca condenado: o que se sabe sobre o caso

Em 1987, Cuca, na época jogador do Grêmio, foi detido ao lado de Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi, também atletas. Todos foram acusados de terem estuprado uma menina que tinha apenas 13 anos, durante uma excursão do Tricolor Gaúcho na Europa.

Segundo a investigação da polícia local, a menina se dirigiu ao quarto de hotel dos jogadores gremistas com alguns amigos para pedir uma camisa do clube brasileiro. Os atletas, então, teriam expulsado os acompanhantes da garota e abusado dela sexualmente. Após cerca de 30 dias presos em Berna, os jogadores foram liberados e retornaram ao Brasil.

Depois de dois anos, Cuca, Eduardo e Henrique foram condenados à revelia a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com uso de violência, enquanto Fernando foi condenado por estar envolvido no ato de violência. Como o Brasil não extradita seus cidadãos, eles não chegaram a cumprir a pena.

"Alexi Stival foi condenado por violar o art. 181 (coerção) e o art. 191 (fornicação com crianças) do Código Penal Suíço. Desde então, o Código Penal Suíço foi revisado várias vezes. O antigo art. 191 corresponde ao art. 187 (atos sexuais com crianças) do atual Código Penal Suíço”, disse o advogado Willi Egloff, que representou a vítima, ao portal UOL.

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