Para se tornar um dos jogadores mais regulares da Premier League, o lateral-esquerdo Cucurella teve que superar a desconfiança dos torcedores do Chelsea em meio a um drama familiar.
Revelado no Barcelona e com passagens por Eibar e Getafe, o lateral trocou o Brighton pelo Chelsea em 2022, mas demorou para cair nas graças dos torcedores. O que poucos sabiam é que as atuações irregulares eram reflexos do que Cucurella estava enfrentando fora das quatro linhas.
"Você chega a uma grande equipe, onde o mais importante é ganhar, ganhar e ganhar. E você sente a pressão. Antes, eu estava em times que, se você não ganhava, estava tudo bem, um ponto estava bom, e, se você perdia, nada acontecia, você só seguia para o próximo jogo. Mas aí eu chego ao Chelsea... e você sente essa pressão de precisar ganhar todas. E isso me impactou", lembrou.
"E, de repente, a minha vida pessoal me trouxe coisas difíceis também. Não estávamos muito felizes, tivemos problemas em casa. Se você está feliz, tudo vai bem. Mas quando está um pouco triste ou menos alegre, isso também influencia. Isso não te deixa ficar 100% com o futebol", completou Cucurella.
Filho mais velho do lateral, Mateo tem autismo. Mas, antes de terem o diagnóstico, Cucurella e a esposa viveram momentos de angústia.
"Não estávamos encontrando o caminho correto para seguir. Colocamos ele em uma escola, mas ele chorava todos os dias. Levávamos pela manhã, às 8h/9h, e buscávamos no meio do dia, e ele passava a manhã toda chorando. A gente levava ele para a escola chorando, entrava no carro (ele e a esposa)... eu lembro que a gente se olhava e não queria falar sobre o assunto. Chegamos a chorar. Bom, no final, nos momentos duros a gente não sabia o que fazer. Era bem difícil", comentou.
"O Mateo era muito pequeno. Ele tinha dois ou três anos. Levava aos médicos e diziam que 'pode ser' (que tenha autismo), mas que era muito pequeno para saber. Não tinha como saber. O colégio dizia que ele era diferente dos outros, mas que poderiam dar reforço de 1 hora de aula. Me lembro que, durante este período, chegamos a nos sentir perdidos", continuou.
"A Claudia (esposa) começou a pesquisar na internet se poderia encontrar algo. Aí encontramos um centro aqui em Londres. Viemos de carro e esperamos no carro enquanto a Claudia foi sozinha para participar da primeira entrevista e ver a escola. Ela voltou super feliz e diz: 'Essa é a escola que ele (Mateo) precisa'. A partir disso, a partir do momento que resolvemos isso, tudo ficou melhor. Foi um caminho muito positivo que nos deu muita alegria e ajuda", destacou.
"O Mateo é uma pessoa. A parte boa é que ele não tem maldade. Tem um grande coração. Ele não entende tão bem as coisas do dia a dia, os momentos, ele não compreende tão bem como uma outra pessoa entenderia, ou até como os irmãos dele entendem. Como quando acontecem problemas ou frustrações, ele não entende exatamente. Aí precisamos explicar de maneiras diferentes. Estamos trabalhando com ele e tentando ajudá-lo a alcançar todo o potencial que ele tem", finalizou o lateral.
Com o problema pessoal resolvido, Cucurella conseguiu focar no futebol e isso se refletiu em campo. Tanto que a última temporada foi a melhor da sua carreira: sete gols e três assistências em 54 partidas.
O lateral, inclusive, será peça importante para ajudar o Chelsea a se reerguer na temporada. Sem ganhar há quatro partidas, o time londrino teve o técnico Enzo Maresca demitido no dia 1º de janeiro de 2026.
Em busca da reabilitação, os Blues visitam o Fulham nesta quarta-feira (7), às 16h30 (de Brasília), pela 21ª rodada da Premier League, com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.
