Nesta terça-feira (17), o PSG visita o Monaco, às 17h (de Brasília), no Estádio Louis II, pela ida dos playoffs da Uefa Champions League.
Apesar de ser um micropaís, com pouco mais de 38 mil habitantes vivendo em uma área de 2 km², o Principado de Mônaco é hoje considerado como a "capital do mercado da bola", com os próprios dirigentes do Paris Saint-Germain fazendo frequentes viagens à região para fechar importantes negócios.
Em extensa reportagem publicada na última segunda-feira (16), o jornal francês L'Équipe apresentou um panorama de como funciona a rede de negócios no Principado, que é uma das casas dos mais importantes dirigentes, jogadores e empresários do futebol mundial.
De acordo com o veículos, várias negociações importantes do esporte seguem acontecendo em "capitais mundiais" como Londres, na Inglaterra, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Todavia, Mônaco ainda é considerada a "capital" do mercado da bola, já que a concentração de pessoas influentes na área é imbatível.
Em hotéis de luxo como Le Méridien, Hermitage, Fairmont, são conduzidas transferências e renovações de contrato, sempre com altíssimas quantias envolvidas - e todo o sigilo exigido para esse tipo de situação.
"Ao longo dos anos, Mônaco se tornou o grande local de encontro (das personalidades do futebol), a encruzilhada do esporte", definiu ao L'Équipe o megaempresário italiano Federico Pastorello, um dos primeiros a se estabelecer no Principado.
Pastorello foi seguido por outros agentes importantes, como Oscar Damiani e o falecido Mino Raiola, que atualmente tem seus negócios conduzidos por seu primo, Enzo, e pela brasileira Rafaela Pimenta, sua antiga "braço direito".
Outros nomes importantes com residência no Principado são os franceses Benoît Biancheri, Pascal Floch e Michael Manuello, que atuam em praticamente todos os grandes negócios da Ligue 1.
Dirigentes como Luis Campos, homem-forte do futebol do PSG, também possuem apartamentos por lá. Entre os que atracam seus iates no porto monegasco, aparecem Sir Jim Ratcliffe, dono do Manchester United, Steve Parish, chefão do Crystal Palace, e Rinat Akhmetov, proprietário do Shakhtar Donetsk, só para citar alguns.
De acordo com o L'Équipe, são três os fatores principais que levaram Mônaco a se tornar a "capital do mercado da bola".
Benefícios fiscais: apesar dos aluguéis no Principado serem cerca de três vezes maiores do que na França, não há cobrança de imposto de renda para estrangeiros;
Atmosfera luxuosa: agentes e dirigentes consideram Mônaco como cenário ideal para conduzir negócios, com hotéis de luxo, limusines, iates e restaurantes sendo os palcos mais frequentes das conversas. Além disso, o Principado é atendido pelo Aeroporto Internacional de Nice, um dos mais bem estruturados da França, com uma viagem de helicóptero até o local durando apenas sete minutos;
Sigilo: em Mônaco, dirigentes, jogadores e agentes vivem "livres" do assédio da imprensa, que está concentrada nas grandes capitais europeias. "Aqui há muita liberdade. Se você for para Milão negociar com alguém, por exemplo, logo será abordado pela mídia e pelos curiosos, além de ser 'atacado' pelos fotógrafos", definiu um empresário ouvido pelo jornal;
Além disso, a forte presença policial e a segurança rígida também são essenciais para que negócios bilionários sejam conduzidos no Principado.
"Hoje já não acontece tanto, mas há 15 ou 20 anos, a maioria dos negócios era feita em dinheiro. Em Mônaco, você podia chegar com uma maleta contendo 5 milhões de euros e ninguém te roubaria. Aqui, as pessoas se sentem seguras", comentou um agente ao L'Équipe., antes de concluir.
"Quando as coisas acontecem em Mônaco, elas não vazam. As pessoas aqui não falam. Eles sabem que, se falarem, ninguém vai querer continuar aqui".
