Líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro, respectivamente, Botafogo e Palmeiras se enfrentam nesta quarta-feira (17), às 21h30, pela 17ª rodada da competição. Além da rivalidade recente dentro das quatro linhas, o clima esquentou nos bastidores.
A tensão, obviamente, foi provocada pela reta final do último Brasileirão, que teve os cariocas liderando boa parte do campeonato. No entanto, uma derrocada inacreditável fez o Palmeiras terminar a temporada com o título.
O jogo emblemático e pontapé inicial para essa rivalidade foi a partida do ano passado no Nilton Santos, mesmo palco que o duelo desta quarta-feira. O Botafogo havia iniciado o jogo de maneira avassaladora, aplicando 3 a 0 no primeiro tempo e parecia caminhar dali para a conquista - iria abrir nove pontos de vantagem com um jogo a menos. No entanto, a partida terminou 4 a 3 para o Palmeiras, os cariocas reclamaram bastante da arbitragem na expulsão de Adryelson e iniciaram diversos atritos públicos.
A rivalidade nos bastidores extrapolou. O dono da SAF do Botafogo, John Textor, começou uma série de críticas públicas acusando o Palmeiras de ser um clube favorecido pela arbitragem, falou em corrupção e pediu uma renúncia de Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF.
"O mundo todo viu, isso não é cartão vermelho. Ele (Adryelson) pegou a bola primeiro. Não tenho certeza nem se foi falta. Mas não é cartão vermelho, ele mudou o jogo. Isso é corrupção, isso é roubo. Por favor, me multa, Ednaldo, mas você precisa renunciar amanhã de manhã. É isso que precisa acontecer".
"Esse campeonato se tornou uma piada. Ninguém merece isso, esses jogadores do Palmeiras não querem ganhar desse jeito, nós não queremos perder desse jeito. São cinco jogos seguidos. Senhores, vocês jogaram um bom jogo, não é culpa de vocês, mas isso é corrupção".
Logo após o ocorrido, Textor foi punido preventivamente pelo STJD por 30 dias. Ele foi denunciado três vezes no artigo 243-F (ofensa à honra) e uma no 258-B (invadir local destinado à equipe de arbitragem ou o local da partida).
As palavras do empresário sobre um 'roubo' a favor do time paulista geraram consequências. Neste ano, Textor chegou ser punido 45 dias e arcou com uma multa de R$ 100 mil.
Denúncia de manipulação que envolveram outros jogos
Em abril deste ano, Textor voltou a falar em manipulação de resultados. Inclusive, divulgou em seu site oficial um relatório que dizia ter evidências de partidas do Brasileirão - contando jogos de 2022 e 2023 - em que poderia ter ocorrido manipulações.
A vitória do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Fortaleza, em 2022, e a goleada alviverde por 5 a 0 sobre o São Paulo, em 2023, estiveram na mira do empresário. Os relatórios foram feitos por inteligência artificial e acusavam, sem provas, jogadores das outras equipes.
Dias após a acusação, ainda em abril, John Textor prestou depoimento como testemunha na CPI da Manipulação de Resultados em jogos de apostas nesta segunda-feira (23).
"O que nós descobrimos não é nada diferente do restante do mundo. Bélgica, França, toda a Europa... A manipulação de resultados é uma realidade", disse o dono da SAF do Botafogo.
Leila chamando Textor de 'fanfarrão'
Desde então, Textor passou a ser alvo de críticas e ironia por parte de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A mandatária alviverde chamou o empresário de 'fanfarrão' e cobrou que ele fosse banido caso não comprovasse as acusações feitas.
"Olha, gente, se vocês pensarem bem, as minhas declarações não são fortes. Eu falo a verdade. No futebol é difícil falarem a verdade. É filosófico. Isso é Friedrich Nietzsche, tá? Quanto de verdade vocês suportam ouvir? Eu falo a verdade. Quem é John Textor? É a vergonha do futebol brasileiro, é um fanfarrão”, disse.
“Tem que ser punido exemplarmente. Não pode um dono do tamanho do Botafogo ficar espalhando notícias e falácias sem prova nenhuma. O que ele quer dizer? O Brasil não é um país sério? As autoridades não tomam atitude”, seguiu.
“Por isso que precisam tomar uma atitude exemplar para proibir esse tipo de conduta de dirigentes. Se ele tem prova, os maiores interessados são os clubes. Quero ganhar o campeonato de forma correta, como o Palmeiras tem ganhado. Não podemos admitir isso. A Leila não fala forte, a Leila fala a verdade", completou.
STJD invalida reclamações de Textor
Neste mês, o STJD divulgou o relatório final do inquérito sobre as denúncias de manipulação de resultados no Brasileirão feitas por John Textor. De acordo com o documento, as provas apresentadas por Textor são “imprestáveis”, com os sistemas utilizados pelo empresário no relatório da Good Game “não passavam de fantasias tecnológicas”.
O auditor Mauro Marcelo de Lima, responsável pelo inquérito de número 121/2024, sugeriu uma pena de suspensão de seis anos além de pagamento de multa de R$ 2 milhões ao empresário estadunidense, o que resultaria a maior punição da história.
No relatório, um dos grandes mistérios envolvendo o caso acabou sendo resolvido (sem querer). O processo esclarece que o relatório da Good Game entregue pelo dono da SAF do Botafogo tem nove jogadores acusados, além de sete árbitros. No texto divulgado pelo Tribunal, porém, os nomes estão cobertos.
Acontece que, quando se copia e cola o texto é possível saber quem são os nomes acusados pelo empresário, sendo cinco do São Paulo e quatro do Fortaleza.
Os atletas do Leão do Pici estavam em campo na goleada do Palmeiras por 4 a 0 em 2022, no Allianz Parque, quando o Alviverde já tinha o título garantido: Juninho Capixaba (atualmente no Red Bull Bragantino), Tinga, Marcelo Benevenuto (hoje no Coritiba) e Fernando Miguel (hoje no Ceará).
No Tricolor, por sua vez, os jogadores atuaram em outra goleada do Palestra, também no Allianz, só que por 5 a 0 em 2023, quando o Botafogo ainda liderava o torneio. São eles: Diego Costa (que está a caminho do Krasnodar, Rafinha, Gabriel Neves (atualmente no Independiente), Beraldo (hoje no PSG) e Caio Paulista (agora no Palmeiras).
Além disso, também foram citados pelo relatório da Good Game os árbitros Raphael Claus (duas vezes), Ramon Abatti Abel, Rodrigo José Pereira de Lima (três vezes), Rafael Rodrigo Klein, Rafael Traci, Wagner do Nascimento Magalhães e Sávio Pereira Sampaio.
Leila Pereira 'ausente' no Rio de Janeiro
No primeiro duelo entre os times desde a virada marcante palmeirense por 4 a 3, que praticamente mudou a história do Brasileirão de 2023 e estremeceu toda a relação entre os clubes, Leila Pereira não estará no Rio de Janeiro.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, não acompanhará a delegação alviverde na viagem ao Rio de Janeiro. Uma fonte citou a "questão de segurança" como empecilho, mas uma outra fonte, próxima à Leila, deixou claro que a presidente quer evitar qualquer tipo de contato com Textor após trocas de farpas públicas com o empresário. A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Maurício Ferreira, da Rádio Band News FM, e confirmada pela ESPN.
Nos últimos meses, Leila trocou farpas com John Textor, dono da SAF do Botafogo, o que criou um clima ruim antes da partida. O empresário nascido nos Estados Unidos tem acusado constantemente o Palmeiras de ser favorecido em jogos dos Campeonatos Brasileiros de 2022 e 2023, o que gerou revolta na presidente. Em entrevista ao Roda Viva, Leila chegou a se referir a Textor como "idiota".
A presidente também entende que uma presença sua no Estádio Nilton Santos mudaria o foco para os bastidores em vez de manter a atenção para o campo. Por tudo isso, Leila seguirá em São Paulo.
Próximos jogos do Botafogo:
Palmeiras (C) - 17/07, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
Internacional (C) - 20/07, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
São Paulo (F) - 24/07, 19h30 (de Brasília) - Brasileirão
Próximos jogos do Palmeiras:
Botafogo (F) - 17/07, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
Cruzeiro (C) - 20/07, 21h (de Brasília) - Brasileirão
Fluminense (F) - 24/07, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
