Quem é o dirigente que ajudou a descobrir Marcelo e Thiago Silva no Fluminense e hoje comanda futebol do Fortaleza

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Dirigente do Fortaleza participou de primeira convocação de Marcelo para seleção de base: 'Já era diferenciado, potencial tremendo' (2:22)

Fortaleza e Fluminense se enfrentam neste domingo (7), às 16h (de Brasília), na Arena Castelão, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. E a partida terá sabor especial para Bruno Costa, 'comandante' do futebol do Leão.

Executivo de futebol do clube cearense, o dirigente tem um passado atrelado à base do Tricolor das Laranjeiras, com passagem entre 2007 e 2010, conquistando títulos e vendo os primeiros passos de grandes estrelas.

Entre os muitos talentos que ajudou a descobrir e potencializar, dois deles, após brilharem em Xerém e chegarem aos profissionais, trilharam caminhos vitoriosos na Europa e retornaram recentemente ao Fluminense: Marcelo e Thiago Silva.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Bruno Costa relembrou a participação na transição de Marcelo e a primeira convocação do então prodígio para a equipe sub-15 canarinho.

"Eu trabalhei na seleção como supervisor e administrador na base entre 2002 e 2007, antes da minha ida para o Fluminense como executivo de futebol de base. Como gerente, o Branco era diretor de futebol, então eu trabalhava junto com ele. Eu já conhecia o Marcelo das seleções de base. Quando a gente fez a primeira convocação para a seleção sub-15, o Marcelo tinha vindo do futsal. Era recém-chegado em Xerém. Então a gente fez uma convocação para uma fase de preparação e depois um torneio na Rússia. E o Marcelo, na época, a gente lembra, ele já tinha essa qualidade, fazia a lateral-esquerda, e os dois laterais-esquerdos da geração 88 eram Marcelo, do Fluminense, o Anderson, no Grêmio. No final, essa geração eu participei e tive o prazer e privilégio de trabalhar com essa geração 88 na seleção", começou por dizer.

"Era Renato Augusto, camisa 10 do Flamengo naquela época na base, Denilson volante, o Thiago Heleno, zagueiro hoje do Athletico-PR. E o engraçado que o Marcelo acabou sendo lateral titular dessa seleção. Como a gente tinha dois jogadores com muita qualidade, tanto o Marcelo como o Anderson, que acabou virando um extremo pela esquerda ou meia-esquerda, um segundo atacante, fazendo essa função para que pudesse jogar junto com o Marcelo na seleção. Mas o Marcelo tecnicamente já era diferenciado, com um potencial tremendo."

Com Thiago Silva, Bruno Costa viu o zagueiro surgir para o time profissional, caindo logo nas graças do torcedor, conquistando a Copa do Brasil em 2007 e mostrando todo o potencial que o faria passar por Milan, Paris Saint-Germain e Chelsea.

"Quando eu assumi a base do Fluminense, em 2007, Marcelo já tinha sido vendido para o Real Madrid. O Thiago Silva eu tive o prazer de trabalhar no Fluminense, sendo campeão da Copa do Brasil, em 2007, e vice-campeão da Libertadores, em 2008, antes da ida do Thiago para o Milan. Então, são dois profissionais que eu tive o prazer de acompanhar. Então, ter tido a oportunidade de acompanhar a história, o começo desses jogadores e ver onde eles chegaram é muito gratificante. É uma coisa que eu carrego pro resto da minha vida. Hoje, com mais de 22, 23 anos no mercado, eu olho para trás e vejo hoje vários daqueles atletas já no final de carreira. A gente vê como o tempo passa rápido."

Convite do Fortaleza e retorno ao Brasil

Desde que retornou à elite do Campeonato Brasileiro em 2019, o Fortaleza, ano após ano, mostra toda a força da organização. A equipe fez boas campanhas em cenário nacional e sul-americano.

Presente no clube desde o final de 2023, Bruno Costa, que estava trabalhando como diretor de scout e recrutamento no San José Earthquakes, da MLS, revelou por que aceitou a proposta feita por Marcelo Paz, então presidente e hoje CEO da SAF.

"A gente sabe que o Fortaleza virou uma referência a nível de gestão profissional no futebol brasileiro. Eu, pelo meu histórico dentro do futebol, foram quase 25 anos no mercado, tendo trabalhado mais de dez anos na seleção brasileira, no Fluminense e oito anos nos Estados Unidos. Quando eu o escolhi para esse retorno ao Brasil, eu procurei escolher bastante onde eu estaria. E quando surgiu o convite do Fortaleza, através do Marcelo Paz, não pensei duas vezes e eu vi que seria o local ideal para que eu pudesse continuar desenvolvendo assim a minha linha de trabalho, minha linha de conduta, com processos muito bem esclarecidos e, acima de tudo, uma transparência gigante aí dentro do mercado."

A bola do Fortaleza não tem entrado por acaso. O bom ambiente de trabalho e a sinergia encontrada em todos os setores e departamentos do clube, fazendo com que o sucesso esportivo seja refletido dentro dos gramados, foram destacados por Bruno Costa.

"Eu falo isso pra todo mundo, a gente tem um ambiente muito bom de cooperação dentro do clube, dentro do departamento de futebol. Eu tenho pessoas aqui formidáveis, que eu tenho o prazer de trabalhar. Obviamente, dentro do departamento, o Julio Manso, nosso supervisor, Marcelo Boeck, ex-atleta do clube, o Daniel de Paula Pessoa. A gente tem o nosso presidente hoje, o Alex Santiago. A gente tem o Vojvoda junto com a comissão técnica. Então essa irmandade e esse trabalho em cooperação que a gente tem dentro do clube, e obviamente, com a liderança do Marcelo Paz, facilita muito esse processo, essa adaptação nossa. Então aqui a gente fala muito: ganha junto e perde junto."

"Então aqui o mérito é de todos, o trabalho é de todos, sem ter uma figura própria, uma estrela própria. Não existe isso aqui na Fortaleza. Isso transmite para dentro do campo pela forma como o clube joga, pelo modelo de jogo que o Vojvoda tem. De muita ajuda, de muita cooperação entre os jogadores. Eu acho que esse ambiente de cooperação que os atletas têm dentro de campo, isso é uma coisa que vem de fora pra dentro do campo, através do departamento de futebol, através da comissão técnica e, principalmente, através de todos os funcionários e colaboradores do clube, seja do roupeiro, do massagista, da pessoa que toma conta da grama. Então esse ambiente familiar do Fortaleza é o diferencial, com certeza."

Desenvolvimento da base

Com todo um trabalho desenvolvido em mais de 20 anos de carreira com a base, o diretor executivo do Leão tem posto em prática toda a bagagem que possui no quesito para auxiliar o Fortaleza a evoluir ainda mais os jovens.

No atual elenco, alguns nomes já se mostram importantes na equipe de Vojvoda, como o volante Hércules e o atacante Kervin Andrade, além de outros que já iniciaram a transição para o profissional e podem, em breve, brilhar aos olhares da apaixonada torcida tricolor.

"Foi um pedido do Marcelo desde a minha chegada ao clube para a gente estar cada vez mais próximo do futebol de base. É um trabalho que começou principalmente desde o acesso do clube em 2019 à Série A. A gente teve aqui o Antônio Garcia, que hoje é executivo da base do Fluminense. O clube hoje vem disputando as principais competições de base do futebol brasileiro com um trabalho formidável. Léo Porto, que é o nosso treinador do sub-20, auxiliar da equipe profissional também. Inclusive está na Copa América agora fazendo o trabalho de observação para o Dorival. Então a gente vem fazendo uma campanha no Campeonato Brasileiro sub-20 muito positiva também. Quinto lugar no campeonato, com bons jogadores, o Vojvoda vem dando oportunidade cada vez mais aos atletas da base."

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Os bastidores de como Fortaleza se tornou referência em trabalho de base e mapeamento de mercado

"A gente vê aí o Kauan e o Kervin Andrade jogando, participando dos jogos. A gente tem o Bruno Guimarães, o goleiro que está lá com a gente, Geilson que esteve com a gente também, atleta do sub-20 que a gente acabou emprestado para Ferroviária. Iarley, Amorim e o Fabrício, que é o capitão da nossa equipe sub-20 e que esteve no banco contra a volta do Juventude. Então, isso tudo mostra o quanto o Fortaleza vem investindo cada vez mais a sua base, fazendo esse processo de transição muito bem feito, com o auxílio de todos os profissionais. Eu procuro, até por questões do meu DNA, como fui executivo da base do Fluminense, trabalhei mais de dez anos nas categorias de base da seleção brasileira".

"Então isso tudo me auxilia muito e me ajuda junto com as pessoas com que eu trabalho hoje no departamento de futebol a trazer e a comunicar com o mercado que hoje o Fortaleza é um clube que pode desenvolver o atleta da melhor forma e preparar para equipe profissional. Tudo isso mostra mais uma vez o quanto Fortaleza também vem investindo nas suas categorias de base e mostrando todo esse DNA formador de história do clube nesse mais de 100 anos participando no desenvolvimento e crescimento do futebol do Nordeste."

Fortaleza como referência em scout e visão no mercado sul-americano

Imanol Machuca do Unión, Lucero do Colo-Colo, Tomás Cardona do Defensa y Justicia. Os três do atual elenco são alguns do exemplos recentes dos últimos anos do trabalho feito pelo CIFEC (Centro de Inteligência do Fortaleza Esporte Clube) em relação ao mercado sul-americano.

Bruno Costa, que além do trabalho feito nas categorias de base também possui longa carreira atrelada ao scout, destacou o grande trabalho feito pelo departamento do clube, que consegue competir e se sobressair em disputas com equipes de poder financeiro maior, e o alinhamento entre os setores, que facilita a busca e mapeamento no mercado, diminuindo a possibilidade de erro nas contratações.

"Importante é exaltar o grande trabalho que é feito pelo CIFEC, que é o Centro de Inteligência do Fortaleza Esporte Clube, é o nosso departamento de mercado de análises. A gente tem o Henrique, o Ednardo, o Leandro e o Richard, que fazem um trabalho formidável. A comunicação dentro do clube é muito fácil, é muito transparente. Então os processos internos que a gente tem dentro do Fortaleza são muito de cooperação. A gente tem o mapeamento de mercado, a gente tem um treinador que já está na quarta temporada com o clube, o Abel no Palmeiras e o Vojvoda são os dois treinadores da Série A com mais longevidade. Então a gente tem um modelo de jogo, um perfil de jogador, um perfil de atleta também, dentro e fora de campo, que a gente sabe que vai se adaptar com mais facilidade dentro do Fortaleza. Então isso tudo auxilia muito."

"Eu fui durante sete anos chefe do departamento de scout do San José na MLS. A gente monitorava muito o mercado sul-americano e mundial. O período que eu trabalhei na seleção brasileira também me deu muito essa facilidade de conhecer o mercado, de entender diferentes perfis de atletas. Quando cheguei em Fortaleza, eu encontrei um departamento de mercado super bem estruturado, com pessoas capacitadas, profissionais, do mais alto nível. O Que a gente faz é auxiliar, ajudar e simplesmente, como eu falei, desde a minha chegada, eu vim para o clube para somar, para ser mais uma pessoa ali dentro de todos os processos para facilitar e continuar auxiliando no crescimento do Fortaleza, que é o maior legado que eu posso deixar", completou.

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