Aposentado dos gramados desde 2018, Renato vestiu as camisas de Santos e Botafogo durante a carreira. E, em 2023, o ex-volante acompanhou de fora das quatro linhas o desempenho dos dois clubes no Brasileirão, que terminou de maneira frustrante para ambos.
O Glorioso liderou a disputa por seguidas rodadas, inclusive abrindo uma ampla vantagem na ponta, mas acabou terminando apenas em 5° na tabela e até mesmo sem vaga direta na fase de grupos CONMEBOL Libertadores de 2024. Enquanto isso, Peixe foi rebaixamento de maneira inédita à Série B.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Renato comentou sobre a situação dos dois ex-clubes. Começando pelo Santos, onde além de jogador também já atuou como diretor técnico no passado. E o ex-atleta se mostrou indignado com a queda à segundona.
"Muita frustração, tristeza, sou santista desde pequeno, nunca escondi isso. Indignado com a situação, o Santos acabou chegando no final do campeonato. Há alguns anos também já tinha flertado com o rebaixamento, e o futebol às vezes não leva desaforo. Fiquei bastante triste, mesmo, pelo grupo e, principalmente, pelos torcedores. O Santos nunca deveria jogar a segunda divisão, mas é o futebol também. Isso acontece, aconteceu com o Santos", começou por dizer.
"Agora é se reerguer, entrar em 2024 focado em voltar à primeira divisão em 2025 e dar as glórias, as vitórias e alegrias, principalmente, ao torcedor, que está passando alguns anos com muita tristeza, não vendo o time lá no alto da tabela, mas brigando na parte de baixo. Como eu sempre falei, o Santos quando entra em qualquer competição entra para vencer pelo peso da camisa, mas os jogadores têm que fazer por merecer dentro de campo. Agora é desejar um 2024 com um novo presidente, para que o Santos já possa voltar em 2025 à Série A e, consequentemente, dar as alegrias para o torcedor", prosseguiu.
Em relação ao Botafogo, onde atuou de 2011 a 2014, Renato afirmou que esperava que o time fosse campeão, mas pontuou algumas questões que acabaram por tirar o foco dos cariocas durante a disputa. A taça acabou nas mãos do Palmeiras, que foi coroado bicampeão.
"Fizeram um primeiro turno excelente, acima da média, ninguém quase esperava, nem o torcedor mais otimista do Botafogo esperava. Principalmente como terminou o primeiro turno. Depois o Botafogo acabou pecando um pouco, acho que pela distância que tinha dos adversários, tinha bastante gordura, a troca do treinador acabou prejudicando um pouco o desempenho. Você entra com outro treinador, uma outra filosofia, jogadores importantes acabaram ficando fora do time, se lesionando como o Tiquinho (Soares), depois acaba não voltando tão bem", disse.
"Para mim foi uma surpresa o Botafogo não ter vencido o campeonato. Achava que, pela pontuação, pela distância e até pelo que vinha jogando no primeiro turno, que realmente seria campeão. Mas, na reta final, acabou não conseguindo os pontos necessários, o Palmeiras, com a regularidade, junto com o Atlético-MG, Flamengo, eles conseguiram ter uma reação, ficaram brigando pelo título até o final. O Palmeiras mais uma vez foi eficiente, mas acreditava que esse ano o Botafogo poderia ter saído como campeão", complementou.
Por último, o ex-jogador do Glorioso ainda foi questionado sobre a decisão da diretoria alvinegra de efetivar Lúcio Flávio como técnico da equipe, logo após Luís Castro, Cláudio Caçapa e Bruno Lage ocuparem o mesmo cargo.
"A gente não está dentro para falar muito, o Lúcio Flávio já vinha com o (Luís) Castro, estava na comissão fixa do Botafogo, já conhecia os jogadores. Acharam que daria certo, em alguns jogos o Lúcio ganhou com o time, mas realmente o Botafogo, no jogo contra o Palmeiras, ali acabou tirando um pouco da confiança dos jogadores. Do jeito que foi aquela virada, alguns jogos depois houve uma virada parecida, contra o Grêmio, também jogando em casa. Acho que isso abalou um pouco a moral do grupo, mas também poderia ter saído campeão com o Lúcio, porque quando assumiu acho que ganhou duas ou três seguidas, manteve os jogadores, mas eu acho que foi uma fatalidade mesmo. Coisa que acontece dentro de campo, e você tem que estar sempre focado, independentemente se você tem uma margem de pontos. Isso mostra que, no futebol, você tem que estar focado o campeonato inteiro para ser campeão", finalizou.
