<
>

Quem foram os vilões do vexame histórico do Botafogo no Brasileirão

Botafogo esteve muito perto de ser campeão brasileiro, mas viu o título escapar Getty Images | ESPN

O Botafogo esteve muito perto de levantar a taça do Brasileirão depois de 28 anos, mas deixou escapar o campeonato ''mais ganho'' da história dos pontos corridos.

De líder absoluto e campeão de um primeiro turno incontestável ao lugar, garantindo vaga "apenas" na fase prévia da CONMEBOL Libertadores 2024.

Mas, afinal, quem foram os verdadeiros vilões na maior derrocada da história do campeonato?

Alguns personagens tiveram papel fundamental para que o ano do botafoguense não terminasse como começou. Afinal, tem coisas que não deveriam acontecer nem com o Botafogo.

  • John Textor

Sem dúvidas, o dono da SAF alvinegra pode ser considerado um dos vilões do vexame do Botafogo. Embora, ele mesmo tenha culpado, por diversas vezes, a arbitragem para justificar a má fase do time.

O empresário norte-americano foi protagonista fora das quatro linhas com reclamações duras contra a CBF, que acabaram esquentando o clima nos bastidores do clube, principalmente na reta final.

Além disso, a ineficiência junto ao departamento do clube refletiu em cinco trocas de técnicos: Luís Castro, Cláudio Caçapa, Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes.

Por fim, os reforços trazidos na janela do meio de ano não vingaram e refletiram na falta de planejamento da diretoria.

O atacante Diego Hernandez atuou em cinco partidas, sendo apenas uma como titular. Já o uruguaio Valentín Adamo sequer foi relacionado e treina com a equipe sub-23. O lateral-direito Mateo Ponte também teve poucas oportunidades: 2 jogos e como reserva. Último reforço do clube, o zagueiro angolano Bastos disputou quatro partidas, sendo duas como titular e duas como reserva.

  • Luís Castro

Foi a partir da saída de Luís Castro para o Al Nassr que as coisas começaram a desmorar no Botafogo.

Apesar de não acostumar abandonar seus times no meio de uma temporada em disputa, o treinador português aceitou o convite feito por Cristiano Ronaldo e rumou para a Arábia Saudita para receber um salário quatro vezes maior do que tinha no clube carioca.

Ele deixou o Alvinegro na liderança do Brasileirão, com 30 pontos conquistados de 36 possíveis e sete pontos de vantagem do segundo colocado, que na época era o Grêmio.

  • Bruno Lage

Convencido por John Textor a assumir o Botafogo, Lage não resistiu à pressão e acabou demitido três meses depois de assumir a equipe.

O português chegaria para continuar o trabalho construído por Luís Castro, mas não conseguiu colocar a teoria em prática.

Somada à falta de resultados positivos, Lage ainda barrou Tiquinho Soares, destaque, líder e artilheiro do time. Tal decisão incomodou o elenco, irritou a torcida e gerou atrito até com Textor, que também foi contra a decisão do treinador.

Sem contar o episódio inusitado após a derrota para o Flamengo, quando o treinador colocou o cargo à disposição depois de perder a invencibilidade no ''tapetinho'' do Nilton Santos.

No fim, o renomado português com experiência em Premier League acabou demitido com cinco vitórias, sete empates e quatro derrotas em 16 jogos disputados. E ainda teve um ônus aos cofres alvinegros, já que o clube teve que pagar pouco mais de R$ 4 milhões na multa rescisória.

  • Lúcio Flávio

Foi nas mãos de Lúcio Flávio que o intocável Botafogo do 1º turno sofreu uma queda de desempenho tão grande, a ponto de não conseguir manter um resultado.

Com um elenco abalado psicologicamente, o treinador, que assumiu o posto a pedido dos próprios jogadores, demonstrou passividade à beira do campo e não conseguiu tirar o elenco do 'fundo do poço''.

Lúcio Flávio assumiu a equipe após a 25ª rodada, com oito pontos de vantagem na liderança e foi demitido após o empate em 2 a 2 com o Red Bull Bragantino, na 33ª rodada, quando o Alvinegro viu o Palmeiras assumir a liderança para nunca mais sair.

  • Coletivo

Se no 1º turno, o coletivo do Botafogo demonstrou força, o mesmo ficou muito longe de acontecer na campanha pífia do returno: 17 pontos, com três vitórias, oito empates e sete derrotas. Foram 22 gols marcados e 23 sofridos, um aproveitamento de 31,4%.

Somada à queda grotesca de desempenho, principalmente na defesa, os jogadores alvinegros foram contaminados pelo ''oba-oba'' da torcida, que já dava como certo o tão sonhado tricampeonato. Tal falha foi, inclusive, admitida por Diego Costa após o empate sem gols com o Santos, na penúltima rodada.

''Da nossa parte faltou um pouco de humildade, saber ler o momento de cada jogo, ler o momento que o clube estava vivendo. Deixar o ego de lado para poder conseguir resultados melhores. Que isso sirva de aprendizado para todos que estão aqui porque o futebol cobra'', disse o atacante.

O elenco, que chegou até mesmo a ter o pedido atendimento pela diretoria para que Lúcio Flávio assumisse o comando após a demissão de Bruno Lage, mostrou fragilidade ao ser contaminado pelo baixo rendimento de alguns de seus protagonistas, como Tiquinho Soares, Victor Cuesta, Eduardo e Lucas Perri.