Diogo Oliveira fechou a vitória do Coritiba sobre o Fluminense nesta segunda-feira (24), no Couto Pereira, mas tem muito mais motivos para se orgulhar do que "apenas" uma bola na rede, naquele que foi seu jogo de estreia no Campeonato Brasileiro.
Recém-contratado pelo Coxa, o atacante de 26 anos estava no Pumas, do México, e antes atuou pelo Plaza Colonia, do Uruguai. No Brasil, teve apenas oportunidades em times menores do interior de São Paulo, como Elosport, Independente de Limeira e Francana.
A falta de chances no futebol brasileiro, somada às dificuldades de sustentar e ajudar a família, forçaram Diogo a buscar um caminho alternativo. O atacante dividiu o futebol com o emprego de chapeiro em uma rede famosa de lanchonete e, assim, conseguiu colaborar com seus pais.
Toda essa história passou como um filme na cabeça do jogador, que se emocionou bastante após a partida e contou um pouco de sua trajetória em entrevista ao programa Boleiragem, do SporTV.
"É uma emoção muito grande voltar ao meu país, numa primeira divisão e estrear no Couto Pereira lotado fazendo o gol. Só nós sabemos o que passamos para chegar até aqui", falou o atacante.
"Eu comecei em clubes de baixo do Campeonato Paulista, jogava a quarta divisão. No meu último ano, quando fui para o Uruguai, é que começou a alavancar a minha carreira. Mas tive que trabalhar para ajudar minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão", seguiu o jogador, que começou a chorar e teve o nome gritado por um grupo de torcedores do Coritiba que estavam na arquibancada.
"Meu irmão não deixou eu parar de jogar futebol. Ia desistir porque não estava tendo chance e agora estou dando a volta por cima por causa deles. Da minha família, da minha noiva, do meu irmão, que sempre está comigo. Hoje pude estrear fazendo gol e quero dedicar a eles", seguiu Diogo.
"Foi um momento muito difícil. Não estava atuando nos clubes da quarta divisão, e tive que ajudar minha mãe e meu pai de alguma forma. Não pude deixar eles na mão, porque eles me alimentavam, eu, meu irmão e minha irmã. Tive que sair, entregar currículos e conseguir emprego. Era chapeiro, tinha que trabalhar de alguma forma para ajudar em casa", falou o jogador coxa-branca.
Diogo Oliveira é agenciado por um ex-jogador de sucesso no mundo da bola: o ex-zagueiro Bordon, revelado pelo São Paulo em meados da década de 1990 e com história bonita no futebol alemão, onde atuou por Schalke 04 e Stuttgart.
"Meu empresário, se não fosse ele, não estaria aqui. Hoje ele estava no estádio, presenciando esse momento único. Tenho que agradecer muito ele, minha família agradece muito", continuou Diogo Oliveira, emocionado novamente ao relembrar a sua história de vida. "Não descarto esse momento porque foi a minha vida. Foi um momento feliz, poruqe estava ajudando meu pai de alguma forma. Tive que fazer isso e graças a Deus ele está me abençoando ainda mais. Hoje estou aqui no Coritiba jogando uma Série A. É inexplicável isso".
Com a vitória, o Coritiba subiu para 14 pontos e ganhou fôlego, embora ainda esteja dentro da zona de rebaixamento do Brasileirão. A distância para o Goiás, primeiro time fora da degola, é de apenas um ponto agora.
