<
>

Luís Castro faz longo desabafo, cita 'oportunidades', financeiro e dispara até sobre hipocrisia: 'Para cima de mim, não'

O Botafogo empatou em 1 a 1 com o Magallanes no Nilton Santos. Ainda assim, o assunto era somente um: a permanência ou não de Luís Castro no comando do clube.

Em entrevista coletiva, o treinador português foi muito questionado sobre o fato e fez longo desabafo sobre a sua ida ao Al Nassr, confirmada segundo apuração da reportagem da ESPN.

“Quando eu fui contratado pelo Botafogo através do John Textor, fui contratado um mês antes de sair do Duhail e, mesmo já tendo acordado com o Botafogo, continuei trabalhando lá para atingir a final da Taça do Emir. A minha vinda para cá foi para reorganizar o clube, para formarmos um elenco competitivo que pudesse nos próximos anos lutar por algo maior que aquilo que estava conseguindo. Era um clube que estava na Série B, com vários problemas. Não tínhamos campo de treino, tínhamos um estádio com um gramado muito problemático... E então colocamos as mãos à obra, conseguimos ajustar aquilo que era o espaço para nós treinar”, começou.

“Treinamos aqui no anexo, depois no estádio, na aeronáutica, fomos até o Lonier e começamos as obras que fizeram que há quatro meses tivéssemos vestiários para todos os jogadores e abandonássemos aquilo que era um compartimento de quartos para dois ou três atletas. Quando chegamos, não tínhamos um refeitório, nós ajustamos um espaço onde a nutricionista pudesse controlar melhor e os jogadores pudessem se alimentar", disse.

"Também tivemos que pôr a mão nos campos e melhorarmos. Felizmente temos hoje um estádio renovado, um espaço de Lonier também renovado, com condições, temos um elenco que continua na Sul-Americana e está em primeiro lugar com 7 (pontos) de frente. E isso me deixa muito feliz porque foi uma obra de todos. Não fui eu que fui muito importante, fomos todos”, continuou.

Questionado sobre as vezes que destacou o conceito de família dentro do grupo, Castro foi direto ao afirmar que esta ideia seguirá existindo no clube mesmo com sua saída e pediu respeito àqueles que permanecerão.

“Fala do conceito de família: conceito de família não é de uma pessoa. Muitas vezes uma família existe e o pai tem que ir para o exterior trabalhar e sustentar essa família, que não se desune. Quando se ama, se ama mesmo de longe. Não é preciso estar junto para se amar. E independente do resultado da reunião de amanhã, eu sei que aqui há um conceito de família instaurado. E eu sei que há um conceito de espírito vencedor que fica aqui. E que há um elenco que fica aqui pronto para todas as batalhas que terá pela frente. E sei que nas famílias e nas organizações, muito mais que as pessoas, o que interessa é o perfil das pessoas que se contrata”, afirmou.

“Mas esse conceito família que estou a falar, já existia há dois, três meses, já existia no ano passado. Já era importante, não é só agora que estamos em primeiro. Não é hoje que eu e nossa administração somos importantes. Já éramos importantes mesmo quando faziam apelo para a saída de alguns dessa família, mesmo quando alguns eram agredidos em campo. Já éramos uma família. Se ficar ou sair, o Botafogo é muito maior que as pessoas", acrescentou.

"O Botafogo tem um caminho de prestígio. O Botafogo jamais será maltratado como o maltrataram muitas vezes. Agora o Botafogo, através de grandes batalhas que nós travamos, é um clube respeitado no Brasil, falado fora do Brasil. O Botafogo cresceu ao longo dessa construção. E um conselho que eu dou: se pertencem à família, não maltratem quem está nessa família”, completou.

Por fim, o treinador português falou em 'hipocrisia' em seu julgamento e garantiu que a equipe seguirá crescendo, com ou sem ele como comandante.

“Quando aparecem oportunidades de trabalho, o que você faz? Pensa nelas ou deixa elas de lado? Depende, né? Com todos que estão aqui nessa sala, sem exceção. Nós não podemos ser hipócritas. Para cima de mim, não! Vocês já sabem que eu sou olho no olho. Todos vocês procuram melhorias, olham para os filhos de vocês. Quem tem que cuidar deles? Vocês! O que tem que fazer? Dar sempre as melhores condições possíveis de vida".

"Exemplo de trabalho sério, honesto e digno. Foi o que fizemos sempre aqui. Sério, honesto e digno. E vamos continuar a fazer. Eu sei o que nós construímos aqui. Eu não tenho dúvida: hoje é um Botafogo diferente, queiram ou não queiram. Acabou! E não depende de uma pessoa! Se eu sair, o Botafogo vai continuar. O Botafogo não depende de ninguém! Depende só de seu prestígio e de sua história honrada”, finalizou.

Em campo, o Botafogo cedeu empate em 1 a 1 com o Magallanes, nesta quinta-feira (29), no Nilton Santos, pela última rodada da fase de grupos da CONMEBOL Sul-Americana, e viu a LDU roubar a liderança da chave e avançar às oitavas do torneio.

Com isso, o Alvinegro terá que vencer o Patronato, da segunda divisão da Argentina, nos playoffs para avançar à próxima fase.

Próximos jogos do Botafogo: