Ronald Araújo, zagueiro do Barcelona, explicou como sofrer de ansiedade e depressão por mais de um ano o levou a fazer uma pausa no futebol em novembro de 2025.
Araújo, que disse se sentir uma pessoa diferente depois de perceber que precisava de ajuda, pediu ao clube para fazer uma pausa para cuidar da saúde mental após ser expulso na derrota para o Chelsea na Uefa Champions League no início desta temporada.
O uruguaio disse que foi naquele momento em Stamford Bridge que percebeu que precisava buscar apoio de profissionais. "Foi um acúmulo de coisas", disse Araújo ao Mundo Deportivo. "Eu não estava bem há algum tempo. Tive ansiedade por 18 meses e isso se transformou em depressão."
"Você tenta ser forte, talvez por causa das suas raízes, de onde você vem, para seguir em frente, mas eu não me senti bem."
"Não se tratava apenas de algo relacionado ao esporte, mas também a um nível familiar e pessoal. Eu não me sentia bem e aquele momento [o cartão vermelho contra o Chelsea] serviu como um estalo para dizer: 'Algo está acontecendo, preciso pedir ajuda.'"
"Sou o tipo de pessoa que geralmente guarda tudo para si, mas você precisa entender que existem profissionais que podem te ajudar, que podem te dar as ferramentas para lidar com certas situações. Eu precisei pedir ajuda e explicar o que estava passando para conseguir me recuperar."
Durante o período em que esteve afastado dos gramados, Araújo viajou para locais religiosos em Belém e Jerusalém e passou um tempo no Uruguai com sua família.
O zagueiro retornou aos treinos do Barcelona em janeiro, antes de marcar em sua primeira partida como titular desde que se afastou para cuidar da saúde mental, na vitória por 2 a 1 sobre o Albacete, pelas quartas de final da Copa do Rei, na última semana.
"Aprendi muito nesse tempo", disse ele. "Me sinto diferente, mais feliz. Consigo aproveitar o que faço, que é jogar futebol, e isso ajuda bastante."
"Você passa a ver as coisas de outro ponto de vista. Sinto que o pior já passou. Durante o tempo em que parei, pude trabalhar com profissionais, com minha família também, e também [viajar] espiritualmente, que era o que eu precisava. Me sinto uma pessoa diferente."
Araújo também agradeceu ao clube pelo apoio, revelando ainda que tem recebido inúmeras mensagens de outros jogadores que se encontram em situações semelhantes. "O clube foi espetacular", disse ele.
"Sou muito grato a [o diretor esportivo] Deco, ao presidente [Joan Laporta] e ao chefe [Hansi Flick]. Desde o primeiro momento, eles entenderam a situação e fizeram tudo o que puderam para me ajudar a me recuperar."
"Meus companheiros de equipe também, a quantidade de mensagens e apoio que recebi deles foi linda, mas também de rivais, o que me surpreendeu”.
“Jogadores de times da Itália, da Alemanha... todos me elogiando por ter parado, alguns porque já tinham passado por situações semelhantes e gostariam de ter feito o mesmo, mas não tiveram coragem. Disseram para eu não me sentir mal porque o que eu tinha feito era incrível”, finalizou.
