<
>

Por que Barcelona não pode inscrever Raphinha, Lewandowski e outros reforços? Perguntas e respostas para entender crise do clube

Clube catalão estreia em LaLiga já no próximo sábado e corre contra o tempo para registrar seus reforços


O Barcelona apresentou novos reforços em quase todas as semanas nesta janela de transferências. O mês de julho começou com as apresentações de Franck Kessié e Andreas Christensen, dois jogadores contratados em transferências gratuitas. Depois vieram Raphinha, do Leeds United, Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, e Jules Koundé, do Sevilla, a um custo total de mais de 150 milhões de euros (cerca de R$ 785 milhões na cotação atual).

E o clube catalão não quer parar por aí... De acordo com apuração da ESPN, mais contratações também podem acontecer. O lateral-esquerdo do Chelsea, Marcos Alonso, deve se mudar para o Camp Nou e Bernardo Silva, do Manchester City, continua sendo um alvo, embora um pouco mais distante nesse momento.

O presidente do Barça, Joan Laporta, cumpriu sua promessa ao construir um elenco competitivo capaz de disputar em todas as frentes, a pedido de Xavi. No entanto, ao contratar novos jogadores, surgiram dúvidas sobre os gastos do clube.

Laporta descreveu o time como "clinicamente morto" no ano passado, com dívida bruta totalizando 1,3 bilhão de euros (quase R$ 7 bilhões). Em junho, ele disse que o clube ainda estava “na UTI”. Menos de um mês depois, ele estava fechando com Lewandowski por 45 milhões de euros e declarando que o Barça estava "fora do hospital", levando o técnico do Bayern, Julian Nagelsmann, dizer em voz alta: "O único clube que não tem dinheiro, mas compra todos os jogadores que querem. Eu não sei como. É um pouco louco."

A origem dos gastos do Barça não é difícil de entender. Ao vender 25% de seus direitos de transmissão para a empresa de investimentos Sixth Street por 25 anos e 24,5% da Barça Studios, sua produtora interna, para a Socios.com, o clube culé arrecadou mais de 600 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,14 bilhões). A diretoria blaugrana também assinou recentemente um novo contrato de patrocínio com o Spotify e, no ano passado, o clube pegou um empréstimo de 500 milhões de euros do Goldman Sachs para distribuir seus pagamentos de dívidas.

O dinheiro, portanto, está lá, mesmo que tenha um custo em termos de receita reduzida no futuro e dívidas crescentes a longo prazo, mas encontrar o dinheiro nesta janela não foi o maior problema do Barça. Assim como foi o caso quando Lionel Messi saiu no ano passado, o problema está sendo registrar novos jogadores dentro das regras de fair play financeiro de LaLiga. Com a nova temporada começando no sábado, nenhuma das contratações do Barça ainda está inscrita no Campeonato Espanhol.

Por que o Barcelona não consegue registrar jogadores?

O regulamento financeiro da LaLiga é um dos mais rigorosos das cinco principais ligas europeias. Cada time recebe um teto de gastos que denota o valor máximo que pode gastar no time principal em relação a jogadores e comissão técnica, um valor que inclui salários e valores de transferências. O custo de Lewandowski nos registros, por exemplo, seria seu salário e mais 12,5 milhões de euros, já que sua taxa de transferência é dividida ao longo de seu contrato de quatro anos.

Resumindo nos termos mais simples possíveis, o limite é essencialmente um cálculo do que o clube pode pagar com base na receita em relação a despesas e dívidas. Também é aplicado antes das contratações, portanto, se um clube não atender aos critérios estabelecidos pela liga, não poderá registrar novos jogadores. É como o Barça se encontra poucos dias antes da abertura da temporada, uma partida em casa com o Rayo Vallecano neste sábado, às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Os limites de gastos mudam o tempo todo, mas no final da temporada passada, o teto do Barça era de 144 milhões de euros negativos (eram cerca de 600 milhões de euros antes da pandemia), o único limite negativo na Espanha, motivado por perdas na campanha anterior de mais de 400 milhões de euros.

Enquanto isso, a folha salarial do Barça, incluindo pagamentos de amortização, permanece em torno de 500 milhões de euros. No tempo em que eles estão fora de seu limite, a liga só permite que gastem uma fração do que ganham com economias em salários, seja por meio de reduções ou saídas de jogadores, além de taxas de transferências. A proporção já foi de 1 para 2, de 1 para 3 e de 1 para 4 em momentos diferentes ao longo do ano passado, sendo o mais frequente de 1 para 4, o que significa que eles podem gastar 25% do que ganham ou economizam.

O Barça esperava que a venda dos direitos de transmissão e uma participação no Barçaa Studios aumentasse seu limite o suficiente para que eles operassem na proporção de 1 para 1 e registrassem todas as suas contratações. A LaLiga informou na semana passada que eles ainda não estão lá e, por isso, ainda não podem registrar todas as novas contratações.

Quais jogadores são impactados?

Com apenas alguns dias até o jogo contra o Rayo Vallecano no Camp Nou, o primeiro da temporada, nenhuma das cinco contratações da janela - Lewandowski, Raphinha, Christensen, Koundé ou Kessié - foram inscritos na liga. Os azuis-grenás também não inscreveram Dembélé ou Sergi Roberto, que renovaram. Dessa forma, nenhum desses sete jogadores está apto para jogar no Barcelona, apesar de terem entrado em campo na pré-temporada.

O que eles precisam fazer para inscrever os jogadores?

A grosso modo, o Barcelona precisa vender mais ativos. A venda dos direitos de televisão (o que fez o clube abrir mão de cerca de 5% da receita anual do clube, aproximadamente 40 milhões de euros, baseado nos números recentes) foi feita em duas partes, cada uma delas chamada de “alavanca financeira” pelo presidente Laporta.

A venda de 24,5% do Barça Studios foi a terceira alavanca. Agora, fontes de dentro do clube e da liga confirmaram à ESPN que uma quarta alavanca será necessária para permitir a inscrição de todos os sete reforços, o que é esperado em forma da venda de mais 24,5% do Barça Studios.

No entanto, ainda não será suficiente, e o clube ficará aquém do registro de todos. Com isso, o Barça continua trabalhando em saídas e reduções salariais. Samuel Umtiti, Martin Braithwaite e Memphis Depay foram aconselhados a encontrar novas equipes.

As conversas estão em andamento com Gerard Pique e Sergio Busquets, entre outros, para encontrar uma solução.

O Barcelona também disse publicamente que o meio-campista Frenkie de Jong, alvo de interesse do Manchester United e do Chelsea, precisa reduzir seu salário se não deixar o Camp Nou. Conseguir 85 milhões de euros (R$ 445 milhões) em taxas de transferência para o meio-campista holandês resolveria muitos de seus problemas. No entanto, segundo apuração da ESPN, ele continua com a intenção de permanecer no clube.

Vale lembrar que no verão passado, Piqué, Busquets e Jordi Alba ajustaram seus salários para permitir as inscrições de Memphis, Eric Garcia e Sergio Aguero. Também cabe destacar que na última temporada, a solução chegou tarde. O ajuste de Piqué permitiu que o Barcelona registrasse Garcia e Memphis no sábado, 14 de agosto, apenas 24 horas antes do primeiro jogo de Laliga, que foi uma vitória por 4 a 2 sobre a Real Sociedad. No entanto, demorou até um dia antes do final da janela de transferências de verão para que as reduções de Alba e Busquets começassem para que o clube pudesse confirmar a inscrição de Aguero em LaLiga.