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Desabafo de Scarpa após classificação do Atlético-MG teve briga por carro, busca pelo Brasil e fuga de 'caloteiros'

Logo após a classificação do Atlético-MG às semifinais da CONMEBOL Sul-Americana, o meia Gustavo Scarpa comemorou em suas redes sociais não apenas a vitória contra o Bolívar, mas também uma decisão judicial em um processo movido contra o ex-companheiro de Palmeiras, Willian Bigode, e a empresa de criptomoedas Xland. Foi o desabafo de um enredo que já dura quase três anos, por conta de um calote de mais de R$ 6 milhões.

Tudo isso é fruto de uma longa batalha judicial, que começou no fim de 2022, quando o jogador ingressou com o processo cobrando a devolução de R$ 6,3 milhões investidos na Xland, por indicação de Bigode. Nesse período, Scarpa conseguiu penhorar os salários do colega, brigou por um carro antigo e vem buscando pelo Brasil encontrar os donos da empresa para que devolvam seu dinheiro, a quem seus advogados acusam de fuga.

A defesa do jogador realizou inúmeras pesquisas em todos os endereços ligados a Gabriel espalhados pelo Brasil, de São Paulo ao Acre. Nenhum dele conseguiu êxito por parte dos oficiais de Justiça. As buscas duravam desde o início do processo, no fim de 2022.

Em outubro do ano passado, por exemplo, um oficial de Justiça foi até um apartamento no bairro de Ponta Negra, em Manaus (AM), tentar citar Gabriel Nascimento, responsável pela empresa. Porém, ele não foi encontrado. Os advogados de Scarpa, então, disseram ao tribunal que o empresário fugiu do local.

"O réu (Gabriel) se evadiu do local e se encontra em local incerto e não sabido. Assim, diante das inúmeras tentativas de citação em diversos endereços já pesquisados e diligenciados, não resta outra alternativa senão a realização da citação por edital", pediu à Justiça a defesa de Scarpa.

Já em junho de 2023, a Justiça buscou outro sócio da Xland, Jean Ribeiro, em um endereço no bairro Via Ivonete, em Rio Branco (AC). Na ocasião, o oficial de Justiça responsável pela diligência ouviu de moradores que o procurado havia "ido embora para outro Estado". Meses depois, também houve uma busca por Gabriel no Acre, novamente sem sucesso.

"Obviamente que os réus (Gabriel e Jean) sempre irão se evadir do local em que se encontram. Há no processo diversas tentativas de citação, carta precatória para o Acre e Manaus e pesquisas de endereços na tentativa de localizar os réus, entretanto estes sempre acabam se furtando ao recebimento mudando de local sem deixar qualquer paradeiro", destacou a defesa de Scarpa, no início de setembro, em petição anexada à ação.

Anteriormente, o tribunal também tentou encontrar Gabriel por meio de seus cadastros em companhias telefônicas, como Vivo, Tim, Claro e Oi, além de buscas por veículos e outros bens em seu nome. A defesa de Scarpa ressaltou que houve o esgotamento de todas as medidas aptas a encontrar o dono da Xland.

Scarpa vinha tentando também bloquear os ativos financeiros dos sócios da Xland, sempre sem sucesso algum. No início do ano, ele conseguiu penhorar um Fiat Palio antigo, avaliado em cerca de R$ 24 mil.

O carro é do ano de 2013, tem cor vermelha e é de propriedade de um aposentado de 71 anos que vinha tentando vender o veículo. Ele adquiriu o Palio em 2023, mas depois recebeu a notícia de que o mesmo havia sofrido o bloqueio, correndo o risco de sofrer apreensão judicial a qualquer momento.

O homem, então, ingressou com um processo para tentar o desbloqueio do veículo. E recebeu resposta da defesa de Scarpa em junho deste ano. O jogador brigou para manter o bloqueio em cima do Palio, apontando que o aposentado teve culpa por não ter feito publicidade da compra e venda do veículo, razão pelo qual o mesmo deve continuar penhorado e atrelado ao processo da Xland.

Ocorre que o veículo anteriormente pertencia a uma empresa chamada Soluções Tecnologia, que é parte da ação aberta por Scarpa.

A Soluções Tecnologia foi a empresa que recebeu o aporte de R$ 6,3 milhões feito por Scarpa, em maio daquele ano. O jogador chegou à empresa por indicação da WLCJ Consultoria, que tem Bigode como um de seus sócios.

Anteriormente, o atleta também conseguiu penhoras dos salários de Bigode. Em 2024, foram penhorados R$ 530 mil das contas bancárias do jogador, além de 10% de seus vencimentos no Santos e 20% dos valores que tinha a receber do Fluminense.

Agora, com a citação por edital de todos os réus no processo, Scarpa tem esperanças de que a Justiça dê em breve uma sentença positiva e determine que as partes façam a restituição integram dos R$ 6,3 milhões investidos e nunca mais vistos.

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