Rafael Menin, um dos proprietários da SAF do Atlético-MG, concedeu entrevista coletiva e falou abertamente sobre a dívida do clube mineiro. Segundo ele, a situação financeira é delicada, mas diferente do que apontam alguns relatórios recentes.
"Posso afirmar que, em relação à trajetória da dívida, este foi um aspecto em que não tivemos sucesso em relação ao que foi falado quatro, cinco anos atrás. A despeito da SAF ter feito o maior investimento dentre todas as SAFs já anunciadas no Brasil, ainda assim a dívida continua sendo superalta", reconheceu.
Nos últimos dias, circularam três valores diferentes sobre o endividamento do Galo: R$ 2,3 bilhões, R$ 1,8 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Menin explicou, ponto a ponto, como o clube chega ao número mais baixo — e por que os outros relatórios, segundo ele, não refletem com precisão a real situação.
"Temos a dívida onerosa, que é o que devemos para bancos, mais o valor que falta para finalizar a Arena MRV. Isto dá mais ou menos R$ 900 milhões", contou, detalhando também os gastos com impostos, incluindo o Profut: "A gente assinou um termo com o governo, são R$ 300 e tantos milhões, R$ 350 milhões."
Outra dívida é em relação a contratações. "Já pagamos algumas dezenas ou centenas de milhões de reais pelos atletas que compramos ao longo dos anos, e ainda faltam por volta de R$ 200 milhões. Somando essas três rúbricas, a gente chega no 1,4 [bilhão de reais]."
Sobre os relatórios que indicam valores de dívidas maiores, Menin afirma que esse valor ignora o que o Atlético ainda tem a receber por vendas de jogadores.
"Quando a gente vende um Paulinho, por exemplo. O Palmeiras vai nos pagar durante três anos. Está em dia conosco, mas tem parcelas a vencer. Isso é o que a gente chama de contas a receber, e esse relatório desconsiderou isso", explicou, antes de seguir.
"E tem o último pedaço, que são as receitas antecipadas, é o relatório do 2,3 [bilhões de reais]. Como é que a gente fez a Arena [MRV]? A gente fez a arena com a venda dos camarotes, venda das cadeiras e os naming rights, sector naming rights, isto deu mais ou menos R$ 500 milhões. Agora, não significa que a gente deve R$ 500 milhões pra ninguém. Nada mais é que um espaço, aquele assento, que vai ser usado pelo torcedor pelos próximos dez anos, mas que contabilmente isto fica numa linha de passivo, eu não devo dinheiro para o torcedor, eu adiantei uma receita que ele me pagou para ter direito de usar um camarote ou a cadeira durante dez, 12, 15 anos, então, naquele relatório de 2,3 [bilhões de reais], ele considera este adiantamento... contabilmente, isto fica numa rúbrica de passivo, e aí chega no 2,3 [bilhões de reais de dívida total], mas não significa que eu devo estes R$ 500 milhões, eu não devo isto para ninguém."
Próximos jogos do Atlético-MG:
Internacional (C) - 12/06, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
