O Atlético-MG ainda vive a expectativa de mandar seu primeiro jogo na Arena MRV no próximo domingo (27), contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Apesar de ainda nem ter estreado no estádio, porém, o clube já avalia a substituição do gramado natural para um sintético.
A possibilidade de troca foi tema de entrevista coletiva de Bruno Muzzi, CEO do Galo, nesta segunda-feira (21). O dirigente explicou as dificuldades que a equipe já vem enfrentando para a manutenção de um gramado natural em um estádio de arquitetura "fechada" como será a Arena.
"Acho que, desde o início da obra, eu sempre falei que minha preferência era pelo gramado sintético, pela arquitetura da Arena. Obviamente que aumentaria o valor, não tínhamos orçamento para isso", iniciou.
"Tinha muito preconceito contra grama sintética lá em 2018, 2019, 2020, quando a gente começou. Hoje, a gente vem percebendo que esse preconceito diminuiu", seguiu.
Muzzi reconheceu que há uma tendência internacional de priorização de gramas naturais, e não sintéticas, mas ele diferenciou também as condições de investimento de arenas fora do Brasil.
"Tem a questão se o sintético é bom, causa mais lesão, é uma discussão ampla. Estádios americanos, europeus estão 'mais naturais, menos sintéticos', sim... Mas eles têm um poder (financeiro) maior. Se precisar trocar, tem viabilidade. Tiram o gramado para tomar sol se precisa, podem trocar para um jogo se precisa, nós não temos essa prerrogativa", comparou.
O CEO atleticano explicou que, para o inverno, o clube já realizou uma troca no tipo de grama, para tentar evitar o problema da falta de sol. No entanto, segundo ele, o campo já sofreu um impacto, por exemplo, com o treino que o time do Atlético fez no local na última semana.
"Vocês estão vendo que os estádios atuais são muito fechados e tem um problema sério de luminosidade. Se você não tem sol, a grama sente. Hoje, você olha o gramado da Arena MRV e está indo. O problema é que, na parte Norte, a gente está no inverno, a gente semeou a grama de inverno. Porque o outro tipo de grama, sem sol, ela morra. Esta grama (atual) é fininha, e o Atlético treinou lá, a grama sofre. As lâmpadas estão trabalhando indiscriminadamente, mas ela não recupera igual", argumentou.
Segundo Muzzi, o Atlético vai acompanhar as reações do campo com o início de jogos e shows, mas que a tendência é que, já em 2024, a Arena MRV passe a ter grama sintética.
"Acabou o treino, fui lá, fiquei andando, chamei equipe de manutenção, para já organizar. Acho que a partir do ano que vem, com os shows, vamos ver o comportamento. Vamos ter jogos agora, shows, vamos cobrir o gramado. Acho que muito provavelmente vamos fazer a troca para o sintético, que é uma outra ciência", disse Muzzi, comparando os diferentes sintéticos do Brasil.
"Existe o tipo do Allianz Parque, o do Athletico-PR, do Botafogo... Vamos entender qual a altura, que tipo de emborrachamento... o Athletico usa um, o Palmeiras, o outro. O do Botafogo já é um misto. Temos que definir o custo, qual o melhor", detalhou.
"Acho que é uma tendência (da troca pelo sintético), não tem nada definido, mas acho que a tendência nos levará a isso. Sempre cito o exemplo do Allianz Parque, que, em 2019, trocou o gramado natural nove vezes. E são menos fechados que a gente. Vamos ver como vai ser. Deve acontecer em breve", complementou.
O Atlético trabalha nos bastidores para conseguir todos os laudos necessários para confirmar o jogo contra o Santos na Arena MRV.
A intenção do clube é mudar o jogo de 18h30, como inicialmente marcado pela CBF, para 16h de domingo e anunciar como a inauguração oficial de seu novo estádio.
Próximos jogos do Atlético-MG:
Santos (C) - 27/08, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
Athletico-PR (F) - 02/09, 16h (de Brasília) - Brasileirão
Botafogo (F) - 16/09, 21h (de Brasília) - Brasileirão
