O Atlético-MG apresentou seu plano de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) sem contar com a presença de um investidor externo. O projeto é de vender 75% das ações futuras da “empresa” para um holding formada, essencialmente, por torcedores do clube.
No passado, no entanto, o Atlético conviveu com diferentes especulações, como a possível venda da SAF para o Grupo City – que acabou fechando negócio com o Bahia.
Nesta quinta (13), Bruno Muzzi, CEO atleticano, concedeu entrevista coletiva para falar com jornalistas sobre o projeto da SAF e esclareceu o assunto. Ele reconheceu que, de fato, houve conversas com os donos do Manchester City, mas negou qualquer oferta. Ele também citou o Fenway Sports Group (que é dono do Liverpool) e a QSI (Qatar Sports Investments, que administra o PSG).
“O Grupo City nunca chegou a fazer uma proposta. Nem o Fenway, nem o QSI, nenhum deles. Muito relacionado ao perfil do clube, ao perfil da dívida, e o que eles gostariam de ter. Nunca houve proposta formal. Houve conversas, ver se fazia sentido, mas o Atlético não era o perfil do Grupo City”, disse.
“Os perfis não eram o que os dois buscavam, na verdade. Basicamente, o City queria ter um clube com 90% de controle deles e que eles pudessem usar o clube para formação de jogadores e poder fazer essa transição para a Europa. É o que tem um grupo do peso desse”, completou Muzzi.
Segundo apresentação feita na última semana aos conselheiros, a SAF do Atlético está avaliada em R$ 2,1 bilhões. Desse valor, 75% das ações seriam assumidas por uma holding e 25% ficariam com a associação. Caberia a essa nova empresa a responsabilidade pelo pagamento de todas as dívidas alvinegras, na casa de R$ 1,8 bilhão – os outros R$ 300 milhões são o capital da associação.
O plano é de contar com um aporte de R$ 913 milhões para o negócio, sendo que R$ 313 milhões seriam abatidos de uma dívida com Rubens Menin e Ricardo Guimarães, dois dos quatro R’s (Rafael Menin e Renato Salvador são os outros), que também serão acionistas da holding.
Dos outros R$ 600 milhões que chegariam de forma imediata ao clube, R$ 400 milhões serão aportados pelos R’s, outros R$ 100 milhões de um grupo já estabelecido de investidores e outros R$ 100 milhões serão levantados através de torcedores atleticanos – com um investimento mínimo necessário.
O plano da SAF é ter esse dinheiro para administrar a alta dívida do clube e tentar mantê-la sob controle pelas próximas três temporadas: 2024, 2025 e 2026. Tanto segundo Muzzi, quanto Lamounier, essa é a única forma de a equipe se manter operando como atualmente.
A reunião para a votação da SAF no Conselho Deliberativo do Atlético está programada para começar na próxima quinta, 20, e terminar no dia seguinte, às 18h. Para que a transformação em clube-empresa seja aprovada, são necessários dois terços de votos favoráveis dos conselheiros.
Próximos jogos do Atlético-MG:
Goiás (F) - 16/7, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
Grêmio (F) - 22/7, 21h - Brasileirão
Flamengo (C) - 29/7, 21h - Brasileirão
