"Nunca é demais lembrar: essa é a maior SAF já feita no Brasil, maior aporte à vista que se tem conhecimento no futebol brasileiro." A frase é de André Lamounier, diretor de comunicação do Atlético-MG, sobre o projeto que pretende transformar o clube mineiro em empresa.
A afirmação, dita em entrevista coletiva ao lado do CEO Bruno Muzzi para tratar sobre SAF a uma semana da data marcada para a votação do tema no Conselho atleticano, tem como base dois números: o valor de R$ 2,1 bilhões como total da operação e um aporte inicial de R$ 913 milhões.
Desde que apresentou o plano da SAF pela primeira vez aos conselheiros, o Atlético-MG destacou o valor de R$ 2,1 bilhões em comparação com outros clubes que viraram empresa, teoricamente, por valores menores, como o rival Cruzeiro, Botafogo, Vasco ou Coritiba.
Para chegar à cifra, o Galo fez contas diferentes, mas que "convergem", nas palavras do CEO Bruno Muzzi. O primeiro dos modelos tem como base os ativos. O Atlético contratou duas empresas para que fizessem laudos para avaliar a Arena MRV e o CT do clube, que serão repassados à SAF.
O clube chegou ao valor de R$ 1,3 bilhão com os dois bens. Os outros R$ 800 milhões, que justificariam o montante de R$ 2,1 bilhões, são o atual patrimônio do clube, incluindo jogadores e também o valor da marca Atlético – que não será "vendida", mas passará a também ser explorada, claro, pela SAF.
O segundo tem relação com o atual valor da dívida atleticana, de R$ 1,8 bilhão, que passaria a ser responsabilidade da SAF; e o capital que seria da associação no negócio: R$ 300 milhões.
Mas quanto, de fato, chegará aos cofres do Atlético caso a SAF seja aprovada? Embora o clube afirme que o aporte inicial será de R$ 913 milhões, apenas R$ 600 milhões serão "dinheiro novo" – e, desse valor, quase a totalidade dele será direcionado para pagamento de dívidas, e não investimento.
O "desconto" de R$ 313 milhões é referente a uma dívida que o Atlético já tem com Rubens Menin e Ricardo Guimarães, dois dos quatro R’s (Rafael Menin e Renato Salvador são os outros), que também serão acionistas da holding. O valor seria diretamente abatido, por isso o clube o considera "aporte".
"O aporte é R$ 913 milhões. Os R$ 313 estão deixando de ser pagos. A SAF está deixando de pagar seus credores e convertendo em participação. E você tem mais R$ 600 milhões", explicou Muzzi.
Dos R$ 600 milhões que restam, R$ 400 milhões virão dos R’s, que se tornarão os principais acionistas do que o Atlético chamará de Galo Holding. Outros R$ 100 milhões, de um grupo de investidores já estabelecido e os R$ 100 milhões restante o clube vai captar através de torcedores atleticanos, em um fundo que ainda está sendo criado, mas que exigirá um investimento mínimo.
O plano atleticano é ter esses R$ 600 milhões à vista e partir para negociações com os credores de sua dívida de R$ 1,8 bilhão. Não significa que, automaticamente, o clube reduzirá seus débitos para R$ 1,2 bilhão, por exemplo, mas que conseguirá, ao menos na teoria, ter melhores condições para administrar os pagamentos.
"Esses R$ 600 milhões, assim que a negociação for fechada, teremos esse dinheiro à vista e vamos iniciar as negociações com todos os credores. Nosso planejamento é que a gente consiga manter, em 2024, 2025 e 2026, a SAF equilibrada no endividamento", seguiu o CEO atleticano.
"Vamos dar prioridade a bancos, agentes, clubes, evitando processo na Fifa, etc. Tentando reduzir juros, alongando a dívida. E, nesse período, vamos manter a folha competitiva. Ideia é que a gente tenha um teto orçamentário, que estamos definindo, e não vamos passar, respeitar", completou.
Hoje, o Atlético tem folha salarial na casa de R$ 215 milhões por ano. É um patamar que o clube tem tido dificuldade de honrar, com problemas no fluxo de caixa – nesta temporada, por exemplo, houve atrasos com o elenco. Mas, com a SAF e a dívida melhor administrada, acredita ser possível manter.
O mais importante, segundo Muzzi, será ser fiel aos valores previstos em orçamento com a SAF. Vale tanto para a folha salarial, quanto para a projeção a possíveis investimentos em reforços. "Precisamos ser eficientes. Se a gente não conseguir resultados, não vamos mexer na nossa projeção. Vamos segurar pressão, porque não podemos cometer nenhum tipo de excesso", afirmou.
A divisão das ações da SAF do Atlético-MG seria de 75% para a Galo Holding e 25% seguindo com a associação. A votação do projeto está prevista para a próxima quinta-feira (20) e terminaria no dia seguinte, às 18h. Para a aprovação, são necessários dois terços de votos favoráveis dos conselheiros.
Próximos jogos do Atlético-MG:
Goiás (F) - 17/7, 20h (de Brasília) - Brasileirão
Grêmio (F) - 22/7, 21h - Brasileirão
Flamengo (C) - 29/7, 21h - Brasileirão
