A crise do Atlético-MG com dívida de mais de R$ 2 bilhões e a tentativa do clube para sobreviver

Arena MRV, futuro estádio do Atlético-MG Twitter/@Atletico

O Atlético-MG vive um momento bastante delicado no que diz respeito ao aspecto econômico, com uma dívida de mais de R$ 2 bilhões e um futuro agonizante a curto prazo.

De acordo com o balanço da instituição, a dívida líquida chegou a R$ 1,571 bilhão, além de R$ 440 milhões em títulos de dívidas da Arena MRV. Vale lembrar que em 2014 a dívida total era de R$ 560 milhões. O maior aumento aconteceu de 2021 para 2022: R$ 259 milhões.

Detalhamento do aumento do endividamento do Atlético-MG

R$ 112 milhões – Investimento em futebol
R$ 104 milhões – Juros sobre dívidas
R$ 29 milhões – Andamento de ações judiciais
R$ 14 milhões – Outros

A diretoria havia prometido uma diminuição deste endividamento. No entanto, não teve sucesso e viu o buraco ficar mais fundo. E atualmente os cartolas apostam em empréstimos para o clube sobreviver. Essas quantias seriam usadas pelo Atlético-MG para pagar outra dívidas, algumas delas de empréstimos, mas com vencimentos recentes.

O Atlético-MG também sofreu um importante baque na tentativa de quitar dívidas altas. A intenção da direção era vender 49,9% do shopping Diamond Mall em março do ano passado. Inicialmente, o valor seria de R$ 350 milhões e destinado para pagar dívidas. Só que uma demora na negociação fez a situação se arrastar. Penhoras acabaram frustrando os planos atleticanos.

A empresa que compraria os 49,9% recuou e fez uma nova investida: R$ 170 milhões por 24,95%, algo que foi aceito. O Galo recebeu R$ 68 milhões na primeira parcela, mas as dívidas, como a com o empresário André Cury, foram quitadas com essa verba. Sobraram R$ 12 milhões de tal montante.

Além dos empréstimos, o Atlético-MG tenta de todas as formas reduzir o custo do futebol. Enxugar a folha salarial é um dos objetivos da diretoria, com foco nas vendas e empréstimos para aliviar o custo mensal. Em relação ao período de dezembro de 2021 até dezembro de 2022, o Galo reduziu de R$ 238 milhões para cerca de R$ 220 o seu custo, mas a diretoria acredita que ainda é necessário diminuir mais R$ 8 milhões.

Para que a situação não piore, o Atlético-MG precisa reverter o início ruim na CONMEBOL Libertadores. A previsão interna é de que o clube consiga chegar até as quartas de final. Vale lembrar que o Galo perdeu os dois primeiros jogos. A Copa do Brasil também tem como meta chegar às quartas. No Campeonato Brasileiro, é necessário terminar a edição 2023 no G4.

SAF virou necessidade

A ESPN apurou que o Atlético-MG enxerga virar SAF com outros olhos. O que era uma possibilidade se tornou uma necessidade. A diretoria tem dois planos na mesa.

Plano A: tem investidor bem encaminhado, enquanto outros dois estão em conversas paralelas, até porque não tem exclusividade. Piter Grieve, proprietário e presidente da empresa 'Football Co', é um dos nomes interessados.

Plano B: SAF sem investidor definido, com possibilidade de investidor local.

Prazo: o Atlético precisa formalizar a SAF até o fim deste semestre. Caso consiga, é necessário levar a proposta para a avaliação e aprovação do Conselho Deliberativo.

Estádio

Um dos 'presentes' ao torcedor do Atlético-MG, a Arena MRV vive uma novela e faz a dívida chegar a quase R$ 2 bilhões. A Inauguração do estádio só deve ocorrer a partir de agosto de 2023, a depender do diálogo com a prefeitura de Belo Horizonte para inauguração para eventos.

O Atlético-MG ainda não tem os R$ 100 milhões necessários para terminar as obras viárias (contrapartidas) solicitadas pela prefeitura.

Além disso, o Atlético-MG precisou arcar com R$ 440 milhões em títulos de dívidas. Para isso, foi ao mercado para quitar por meio da negociação de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

A diretoria planeja pagar esse montante com cadeiras cativas, camarotes e outras comercializações que vão envolver a Arena MRV após a inauguração.