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Ibrahimovic foi estrela na Juventus, forçou saída e irritou Deschamps ao trocar partida por videogame

Ibrahimovic chegou ao futebol italiano em 2004, comprado pela Juventus do Ajax. Depois fez sucesso com as camisas dos rivais Internazionale e Milan


O domingo (23) terá gosto de reencontro para Zlatan Ibrahimovic. Provável titular do Milan, ele é uma das esperanças do clube para encarar a Juventus, em clássico marcado para 16h45 (de Brasília), no San Siro, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Após passar em branco na derrota para o Spezia, Ibra busca reencontrar as redes contra o ex-clube, contra quem tem dois gols em 12 partidas. Na Juventus, o sueco chegou como estrela, correspondeu com bom futebol, mas saiu de forma nada amigável.

Ibrahimovic foi contratado pela Juventus na janela do verão europeu de 2004, por 16 milhões de euros. Chegou a um time repleto de estrelas, como Gianluigi Buffon, Lilian Thuram, Fabio Cannavaro, Pavel Nedved e Alessandro Del Piero, entre outros.

O garoto sueco, prestes a completar 23 anos, correspondeu. Marcou 16 gols na primeira temporada e ajudou o time a conquistar o Scudetto em briga ferrenha com o Milan, na época de Kaká e Shevchenko.

O bicampeonato italiano aconteceu na temporada seguinte, em 2005/06. Ibra fez menos gols (10 apenas, sendo sete no Campeonato Italiano), mas foi novamente útil para a conquista do troféu. Parecia que a lua de mel seria eterna.

Mas aí aconteceu o Calciopoli, escândalo de corrupção no futebol italiano que envolvia diretamente a Juventus por um esquema de manipulação de resultados. E, da noite para o dia, o clube perdeu os dois títulos italianos que havia conquistado com Ibra.

Para piorar, a Juve foi rebaixada para a Série B da Itália, o que causou uma revolução no elenco alvinegro. Muitas estrelas, entre elas Cannavaro, Thuram, Zambrotta e Emerson, arrumaram propostas e saíram do clube, enquanto outros famosos, como Buffon, Nedved e Del Piero, optaram por ficar.

Ibrahimovic queria sair, pois não admitia jogar a Série B nem que fosse por alguns meses. E começou a se movimentar, ao lado do empresário Mino Raiola, para deixar o clube o mais rápido possível, ainda que a vontade da diretoria fosse a de mantê-lo em Turim.

Só que convencer o sueco era missão impossível. Ainda novo, mas já polêmico, o atacante aceitou participar dos treinos, mas disse que não jogaria nenhuma vez, nem que fosse em testes não oficiais. E a birra chegou ao ápice em um dia da pré-temporada.

Todo o elenco da Juventus já estava no ônibus a caminho de um jogo-treino. Só faltava Ibrahimovic. Eis que Didier Deschamps, hoje técnico da França e na época comandante do clube, subiu irritado ao quarto do atacante e o viu, despretensiosamente, jogando videogame.

Deschamps ficou "completamente alucinado", como descreve Ibra em sua biografia oficial, e ameaçou multar o atacante caso ele não fosse para o ônibus. O sueco, sem sequer olhar para o técnico, disse que tudo bem.

"Pode me multar, mas daqui eu não saio", disse o atacante, em trecho de seu livro. "Só então ele foi embora, completamente alucinado. Mas eu continuei ali sentado jogando videogame enquanto o ônibus partia com os demais jogadores", escreveu.

"Se a situação não estava tensa até aquele momento, com certeza ficou depois disso. Claro que aquele episódio vazou na imprensa. E eu fui multado pelo clube em 30 mil euros. Foi uma guerra só".

Ibrahimovic venceu o braço de ferro. Dias após largar Deschamps plantado enquanto jogava videogame, o sueco negociou com Milan e Inter de Milão, até chegar a um acordo com o time azul e preto e ser vendido por 24,8 milhões, em 2006. A história no Milan viria só a partir de 2011.