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Ronaldo surgiu no Cruzeiro como Fenômeno: 'Melhor que Messi e feito em laboratório'

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Último gol de Ronaldo 'Fenômeno' como profissional foi justamente contra o Cruzeiro, em jogo recheado de polêmicas (2:22)

A partida aconteceu em novembro de 2010. E, na ocasião, foi de Ronaldo o gol da vitória por 1 a 0 do Corinthians sobre o Cruzeiro, que até hoje reclama a marcação de pênalti de Gil em 'Fenômeno'. Relembre! (2:22)

Veja como foi o surgimento de Ronaldo Fenômeno para o futebol no começo dos anos 90 no Cruzeiro


Anunciado como novo acionista do Cruzeiro, Ronaldo Fenômeno teve uma passagem meteórica e impactante como jogador pela Toca da Raposa. Em pouco mais de um ano e meio, ele passou da base para o profissional, teve média de quase um gol por jogo e foi vendido para o PSV depois de ser convocado para a Copa do Mundo de 94, torneio que é um dos campeões, com apenas 17 anos.

O atacante chegou em 1993 completamente desconhecido ao clube mineiro depois de passar pelo São Cristóvão-RJ, mas não demorou para cair nas graças dos colegas de time.

"Nosso time era muito bom e famoso no juvenil porque ganhávamos tudo. Um dia, um diretor falou para a gente: 'Está chegando um atacante do Rio que vai jogar com vocês no próximo jogo contra o América-MG'. Eu fiquei meio assim porque o nosso centroavante era o artilheiro da equipe e pensei: 'Vai tirar 'o cara' do nosso time para colocar um moleque que nem conhecemos?' O recém-chegado era o Ronaldo Fenômeno! (risos)", contou o ex-volante Ricardinho, ao ESPN.com.br.

"No começo do jogo, ele já fez um gol igualzinho ao que marcou pelo Barcelona contra o Compostela, driblando todo mundo. O diretor do América-MG foi no vestiário no intervalo pedindo para tirá-lo para dar jogo porque ele era muito acima dos outros. O Cruzeiro tirou o Ronaldo no segundo tempo, acredita? Não sei se ele lembra disso", garantiu.

Com tanta qualidade, Ronaldo assombrou os companheiros de equipe.

"Ele já era fenomenal, incrível! Parecia que tinha sido feito em laboratório. Nunca vi um jogador como ele. Fazia gols de tudo quanto era jeito, era melhor que o Messi. Tudo que você pensar que alguém poderia fazer em campo, ele já fazia", recordou Ricardinho.

O centroavante passou pouquíssimo tempo na base antes de ir para a equipe principal.

"Íamos treinar o juvenil contra os reservas do profissional, dava até vergonha o que ele fazia contra os caras do outro time. Ninguém conseguia parar. Ele era tão bom que o final da carreira ainda jogou bem demais acima do peso e com várias cirurgias no joelho no Brasil. E foi bem em todos os clubes que passou", elogiou.

'Parecia o Michael Jackson'

Com apenas 16 anos, o atacante estreou no time de cima contra a Caldense pelo Campeonato Mineiro, em um jogo com apenas 2.484 torcedores na arquibancada do estádio Ronaldão, em Poços de Caldas. A partida realizada na noite de 25 de maio de 1993 terminou com vitória celeste por 1 a 0.

"O sucesso veio muito rápido. Em pouco tempo ele virou um popstar no Cruzeiro. O pessoal invadia para ver os treinos na Toca da Raposa logo que ele foi ao profissional. Antigamente era tudo aberto. Parecia o Michael Jackson, o pessoal ficava correndo atrás. Eram muitas fotos, autógrafos e marias-chuteiras atrás dele!", contou Ricardinho.

Um dos momentos mais marcantes do jovem pelo time mineiro foi na goleada por 6 a 0 contra o Bahia. Na partida, válida pelo no Brasileiro de 1993, ele marcou cinco gols, sendo que no último deles, o atacante roubou a bola do chão que estava com o goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez, que se distraiu após defender um chute com as pernas.

"O Rodolfo não percebeu e ficou para a história. Foi um lance atípico, ainda mais com ele que era um goleirão. Eu estava voltando de costas para a defesa e não vi o lance porque a bola estava dominada (risos). Escutei o barulho da torcida e quando me virei, o gol já tinha saído (risos). A gente não acreditava no lance e brincamos muito no vestiário", contou Toninho Cecílio, ex-zagueiro do Cruzeiro, ao ESPN.com.br.

"A gente tinha uma brincadeira de todos nós darmos um tapa na careca dele antes dos jogos. Era um garoto de 17 anos que passou a ser o xodó do grupo todo. A gente dava muito apoio para ele. Tínhamos um time muito experiente com Luisinho, Nonato, Paulo Roberto, Roberto Gaúcho... Criamos uma relação de ajudá-lo e vimos um potencial grande", lembrou Toninho.

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O dia que Ronaldo 'Fenômeno' foi mais esperto que Rodolfo Rodríguez em um Cruzeiro x Bahia

O ex-atacante Ronaldo "Fenômeno" será investidor do Cruzeiro. Neste sábado (18), o hoje empresário acertou a compra de parte das ações da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) que comandará o futebol do clube a partir de 2022.

Apesar de toda fama repentina, Ronaldo tinha boa relação com os demais jogadores.

"Ronaldo era gente boa demais, muito simples com a gente. Gostava de brincar, era atencioso e divertido. Eu o reencontrei na seleção brasileira anos depois e foi bacana. Ele estava voltando de cirurgia no joelho", afirmou.

Ronaldo marcou 56 gols em 58 partidas. Em agosto de 94, o centroavante foi vendido ao PSV, da Holanda, por 6 milhões de dólares. Depois, jogou por Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians, clube pelo qual pendurou as chuteiras, em 2011.

"Sendo muito sincero, o que mais me impressionou foi ele resolver os jogos para a gente. Mas eu via o Neto com 17 anos já me dava a ideia clara de que seria um monstro pelo Mundial. O Ronaldo ainda não. A minha imaginação não chegou até onde ele foi na vida real, que seria um dos melhores da história. Ele está acima de Careca, Ibra, Baggio... Esse patamar eu não conseguia dimensionar à época", admitiu Toninho.

Pela seleção brasileira, o Fenômeno marcou 67 gols em 98 jogos, atrás apenas de Pelé. Em quatro Copas do Mundo, marcou 15 vezes em 19 duelos, um a menos que Miroslav Klose.