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Atual campeão francês, rival do PSG devia R$ 1,5 bilhão para bancos e foi salvo por fundo de paraíso fiscal

Lille enfrenta o PSG nesta sexta-feira, às 16h (de Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+


Nesta sexta-feira, o PSG recebe o Lille, atual campeão nacional, no Parque dos Príncipes, pela 12ª rodada do Campeonato Francês.

Se hoje é uma das principais forças da Ligue 1 e inclusive briga por vaga nos mata-matas da Champions League, o Lille viu sua existência entrar em risco no ano passado, quando o time viveu situação financeira caótica e foi "salvo" na hora H por um fundo sediado em um paraíso fiscal da Europa.

PSG x Lille tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ nesta sexta-feira (29), às 16h (de Brasília)

Ocorre que o antigo dono do Lille, o empresário Gerard López, que comprou o time em 2017 através da companhia Victory Soccer Limited, acumulou 225 milhões de euros em dívidas (R$ 1,473 bilhão) feitas com instituições financeiras dos Estados Unidos, como JP Morgan e Elliott Management.

Desse montante, 123 milhões de euros (R$ 805,72 milhões) eram dívidas de curto prazo que o Lille teria que pagar até o final de 2020, o que complicou muito os cofres da equipe em meio à temporada 2020/21.

Para piorar, ainda ocorreu o colapso do acordo de venda de direitos de TV que estava sendo feito entre a LFP (Liga de Futebol Profissional da França) e a gigante de mídia Mediapro, que distribuiria 3 bilhões de euros (R$ 19,65 bilhões) entre os times franceses durante quatro anos.

Com isso, a existência do Lille entrou em risco, já que a equipe poderia se tornar insolvente e falir. Isso obrigou Gerard López a ir ao mercado e tentar achar um comprador o mais rápido possível, e, para sorte de Les Dogues, a salvação veio.

Em 22 de dezembro de 2020, a equipe francesa anunciou que suas ações haviam sido vendidas para o fundo Merlyn Partners SCSp, sediado em Luxemburgo, um dos mais conhecidos paraísos fiscais da Europa.

Imediatamente, os novos donos assumiram as dívidas de curto prazo do Lille, socorrendo os cofres do time e impedindo que a situação financeira se agravasse.

Além da entrada imediata de capital, o fundo ainda fez mudanças drásticas na diretoria, com Olivier Létang, ex-PSG e Rennes, sendo colocado na presidência no lugar de Marc Ingla.

A entrada de dinheiro também impediu que o Lille tivesse que fazer um "saldão" de jogadores na janela de transferências de janeiro de 2021. Dessa forma, o clube conseguiu segurar seu elenco e, contra qualquer lógica do futebol, bateu campeão ao final da temporada.

O time fechou o Campeonato Francês com 83 pontos, um a mais que o "favoritaço" PSG, e levantou a taça da Ligue 1 pela 4ª vez em sua história, classificando-se também para a Liga dos Campeões 2021/22.

Na atual temporada, todavia, os Dogues não estão conseguindo repetir a boa campanha da última temporada, aparecendo no momento apenas no meio da tabela.

Isso ocorre principalmente porque os novos donos resolveram "arrumar a casa" ao invés de promover uma gastança por reforços. Com isso, saíram alguns dos pilares do time, como o goleiro Mike Maignan e o meio-campista Boubakary Soumaré, além do técnico Christophe Galtier, que foi para o Nice (agora gerido por uma corporação inglesa bilionária).