Entenda por que adversário do Real Madrid em LaLiga é um dos 'últimos românticos' do futebol europeu

Osasuna visita o Real Madrid nesta quarta-feira, às 16h30 (de Brasília), por LaLiga


Nesta quarta-feira, o Real Madrid recebe o Osasuna, uma das grandes surpresas de LaLiga, às 16h30 (de Brasília), em jogo válido pela 11ª rodada do Campeonato Espanhol.

Atual 6º colocado na tabela, à frente do Barcelona e a apenas três pontos da líder Real Sociedad, o clube de Pamplona é considerado um dos "últimos românticos" do futebol europeu.

Real Madrid x Osasuna tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ nesta quarta-feira (27), às 16h30 (de Brasília)

Isso porque o Osasuna faz parte de um seleto grupo de apenas quatro times da elite da Espanha, ao lado de Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao: o de equipes que não possuem donos e/ou acionistas - algo cada vez mais incomum na Europa, principalmente em Inglaterra, França e Itália.

Explica-se: Osasuna, Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao são os quatro times de LaLiga que não possuem ações, o que torna impossível que alguém se torne proprietário da instituição. Só é possível ser associado, o que dá direito a votos em assembleias, mas não possuir parte da agremiação.

Nestes quatro times, o presidente (que é obrigatoriamente um associedo e é eleito justamente pelos sócios em votação) não pode investir dinheiro do próprio bolso no clube, seja através de seu patrimônio pessoal ou de alguma empresa que possua.

Portanto, as receitas têm que obrigatoriamente vir de bilheteria, direitos de TV, patrocinadores, merchandising e vendas de jogadores, além do próprio clube social.

É impossível, portanto, que um bilionário de qualquer lugar do mundo compre qualquer um desses times, já que não existem ações para serem negociadas.

No caso do Osasuna, a equipe possui pouco mais de 20 mil associados, segundo a última atualização publicada pelo time, em julho deste ano. O número fica razoavelmente próximo do Athletico Bilbao, que tem aproximadamente 34 mil sócios no momento.

Real Madrid e Barcelona, por sua vez, são muito maiores neste quesito. Calcula-se que os blaugranas tenham cerca de 150 mil associados, enquanto os merengues têm algo perto de 100 mil.

Veja quem são os donos de clubes em LaLiga

Alavés: Grupo Avtibask SL

Atlético de Madrid: Família Gil Marin, Idan Ofer, Enrique Cerezo e grupo Wanda

Cádiz: Grupo Locos por el Balón SL

Celta de Vigo: Grupo Corporativo Ges SL

Elche: Christian Bragarnik

Espanyol: Grupo Rastar

Getafe: Ángel Torres Sánchez

Granada: Grupo Daxian 2009 SL

Levante: Grupo Fundación Cent Anys SL

Mallorca: Robert Sarver

Rayo Vallecano: Raúl Martín Presa

Real Betis: Grupo de associados

Real Sociedad: Grupo de associados

Sevilla: Grupo Sevillistas de Nervión SA

Valencia: Peter Lim

Villarreal: Fernando Roig


Como pode ser visto na lista acima, há vários clubes que são propriedades particulares de magnatas, como Elche, Getafe, Mallorca, Rayo Vallecano, Valencia e Villarreal.

Há também diversos clubes controlados por grupos bilionários de fora da Europa, como o Espanyol (o grupo Rastar é da China) e o Granada (grupo Daxian 2009 é formado por 12 empresas fundadas em diferentes paraísos fiscais).

Há ainda o caso do Atlético de Madrid, que é dividido em quatro donos, cada um com uma porcentagem de ações: as famílias Gil Marín e Cerezo são espanholas, o empresário Idan Ofer é de Israel e o grupo Wanda é da China.

Por fim, Alavés, Cádiz, Levante, Betis, Real Sociedad e Sevilla possuem ações, mas que foram compradas por um grupo de sócios. Ou seja, os times possuem, sim, um proprietário, mas que, no caso, é uma associação de torcedores.

Esses grupos, inclusive, podem decidir vender a equipe para algum bilionário, caso chegue uma proposta. Em 2015, por exemplo, a associação que controla o time de Valência recusou a venda para o magnata Robert Sarver, dono do Phoenix Suns, tradicional franquia da NBA.

Sarver, porém, não desistiu de ter uma equipe em LaLiga, e hoje é dono do Mallorca.