Um dos grandes mistérios da seleção brasileira dos últimos anos é sobre a final da Copa do Mundo de 1998 e a convulsão que Ronaldo Fenômeno sofreu na madrugada da véspera da partida.
Em entrevista ao podcast Inteligência, o ex-atacante Edmundo voltou a falar sobre a partida e os bastidores de como o companheiro passou mal e ele recebeu a notícia de que jogaria.
"Se fizer uma pelada, eu sinto o frio na barriga. Esse dia, não senti nada, numa final de Copa. O quarto era compartilhado. Doriva e eu (dividíamos). Levantei, olho e vejo o Ronaldo tendo a convulsão. Quando vi o Ronaldo passando mal, saí gritando pelos corredores. Roxo, língua virada, bufando. Quando vem o lanche, antes do jogo, todo mundo sabe que o Ronaldo teve a convulsão, menos ele. Desenrolaram a língua, deram banho e botaram ele para dormir. Ele não estava consciente”, disse.
“Ele senta, todo mundo tenso, ele pega um pedaço de bolo, um suco de laranja, lembro como se fosse hoje. Ele estava no telefone. O Leonardo fala: 'Esse cara não tá bem, ele vai morrer em campo'. Ele estava estranho, era brincalhão, estava alegre e abobado. A comissão técnica diz que ele não vai jogar, que iria para o médico. Convenceram ele de fazer os exames num hospital em Paris. O Zagallo conta que o Amarildo substituiu o Pelé. Hoje recebi carta dizendo que o Edmundo vai decidir o jogo. Vai jogar o Edmundo, o grupo era sensacional”, completou.
Um dos grandes mistérios da seleção brasileira dos últimos anos é sobre a final da Copa do Mundo de 1998 e a convulsão que Ronaldo Fenômeno sofreu na madrugada da véspera da partida.
Já no vestiário, o então camisa 20 recebeu a notícia de que a escalação foi alterada, e Ronaldo seria o titular da decisão. Edmundo, porém, ficou mais surpreso com uma alteração que foi feita durante a partida.
"Eu estava tranquilo, ficava na minha, concentrado, até antipático. Fomos para o estádio, que era longe. Chegamos duas horas antes, cada um faz as suas coisas. Tem gente que se troca e aquece, eu gostava de ficar na minha, cada um com seu ritual. O Zagallo 'vamo, vamo', vamo'. Saiu a escalação (com Edmundo de titular). O Ronaldo vem animado, dizendo que iria jogar. Todo mundo fica contente por vê-lo. O Zagallo, o Américo Faria e o Lídio Toledo fazem reunião de 10 minutos e da sala ele vira: 'Edmundo, segura um pouco que o Ronaldo vai jogar'. Vou fazer o quê? Não tive reação, não estava transbordando de energia, todo mundo acatou”, afirmou.
Um dos grandes mistérios da seleção brasileira dos últimos anos é sobre a final da Copa do Mundo de 1998 e a convulsão que Ronaldo Fenômeno sofreu na madrugada da véspera da partida.
“Para mim, foi uma decisão médica, não técnica. Vamos para o jogo, aí acho que tem particularidades. Teve um jantar francês na quinta-feira antes, que colocaram alguma coisa, teoria da conspiração, os gols do Zidane de cabeça antes daquele, a gente não se lembra, várias coisas. Até aí eu estou legal, acaba o primeiro tempo, o Zagallo tira o Bebeto e bota o Denilson. Zero coerência. Eu entrei depois no lugar do Leonardo. Zero coerência. Respeito, admiro, nada contra, mas estou contando a verdade”, seguiu.
Edmundo também lembrou uma entrevista polêmica dada às vésperas do torneio. Segundo ele, as falas acabaram atrapalhando sua relação com Zagallo, que o deixou de lado com menos oportunidades.
"Eu jogava na Itália, o Apolinho é meu amigo, me ligou, falei com ele. O Zagallo me deixou de lado. Brasil ganhou de 13 a 0, os três goleiros entraram, eu fui o único que não entrei. Todos entraram, menos eu. Eu já sabia (que era por causa da entrevista). O Zico falava 'calma, trabalha'. Só que o Brasil ganhava, favoritaço, então eu treinava, entrei em um jogo, fui mal, não entrei mais”, finalizou.
Um dos grandes mistérios da seleção brasileira dos últimos anos é sobre a final da Copa do Mundo de 1998 e a convulsão que Ronaldo Fenômeno sofreu na madrugada da véspera da partida.
