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Palmeiras: Gestão Galiotte pagou R$ 298 milhões de dívidas de administrações anteriores

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O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, pagou R$ 298,3 milhões em dívidas deixadas por gestões passadas do clube desde que assumiu o cargo, no início de 2017, até hoje.

O período analisado leva em conta o balanço publicado em 31 de dezembro de 2016, o último do ex-presidente Paulo Nobre, até os dias atuais.

Dentro desses pouco mais de R$ 298 milhões, estão R$ 96,2 milhões de acordos judiciais relativos a atletas vinculados ao Departamento de Futebol Profissional do clube, R$ 36,4 milhões em parcelamentos de tributos, R$ 140,7 milhões do empréstimo feito por Paulo Nobre e R$ 25 milhões em pagamentos de direitos econômicos e comissões.

Entre os R$ 96,2 milhões de acordos judiciais feitos com vários jogadores contratados (ou promovidos ao profissional) em outras gestões que aparecem no passivo, estão nomes como Edmundo, Wesley, Diego Souza, Lincoln, Claudecir, David Braz, Élder Granja, Denílson e Basílio, entre outros.

Os números foram obtidos com exclusividade pelo ESPN.com.br.

Entenda o passivo atual do Palmeiras

Em 31 de dezembro de 2016, o balanço do Palmeiras apontou que o passivo do clube era de R$ 504 milhões.

Corrigindo esse valor pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), esse montante seria equivalente hoje a R$ 617 milhões.

O passivo atual do time paulista, por sua vez, é R$ 623 milhões.

Isso quer dizer que a dívida palestrina aumentou no período? Na verdade, não é bem assim.

Existem lançamentos contábeis que são apresentados como dívidas, mas, na verdade, não são. Casos, por exemplo, de receitas a realizar e adiantamentos de contratos.

Para citar um exemplo: o contrato de direitos de TV entre Palmeiras e Turner teve luvas, mas que não podem ser lançadas como receitas. Os valores são registrados nos anos seguintes, pois têm que ser proporcionais a cada exercício. Eles são registrados no passivo por uma questão contábil, mas não são dívidas, pois não são onerosos ao clube.

Portanto, em 31 de dezembro de 2016, se fossem retiradas as rubricas dos valores que não são de fato dívidas, o passivo palmeirense era de R$ 502 milhões.

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Já nos números atuais, o passivo de R$ 617 milhões na verdade é de R$ 529 milhões (ou seja, sem levar em conta receitas a realizar e adiantamento de contratos).

E é justamente no passivo atual (entenda melhor abaixo) que entram as rubricas das dívidas deixadas pelas gestões anteriores, já citadas acima.

A reportagem também apurou que, nos números atuais, aparecem valores como R$ 44 milhões em obrigações tributárias parceladas e R$ 7 milhões em provisões de acordos feitos em processos cíveis e trabalhistas.

Também figuram R$ 20 milhões do acordo de R$ 48 milhões feito em abril deste ano com o empresário Antenor Angeloni, responsável por bancar a contratação do volante Wesley, em 2012.

No caso de Wesley, o Alviverde usou o dinheiro da venda do meio-campista Moisés para o Shandong Luneng, da China, em 2019, como mostrou a ESPN em 7 de abril. Depois, o restante foi dividido em 20 parcelas.

Caso não tivesse quitado os valores devidos de presidentes anteriores, Galiotte teria conseguido reduzir o passivo para R$ 160 milhões, segundo as projeções.

Confira a explicação detalhada

- Passivo atual (sem rubricas): R$ 529 milhões

-- Obrigações tributárias parceladas: R$ 44 milhões

-- Provisões de acordos judiciais: R$ 7 milhões

-- Saldo do acordo Wesley: R$ 20 milhões

--- Soma dos três: R$ 44 milhões + R$ 7 milhões + R$ 20 milhões = R$ 71 milhões


- Dívidas de gestões passadas que foram pagas: R$ 298 milhões

---- Soma total: R$ 71 milhões + R$ 298 milhões = R$ 369 milhões


- Passivo projetado: R$ 529 milhões – R$ 369 milhões = R$ 160 milhões