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Quem é o brasileiro de 15 anos que joga na Roma, seduziu gigantes e já está na seleção da Itália

É possível que mais um brasileiro se junte no futuro ao trio Jorginho, Emerson Palmieri e Rafael Tolói, que venceu a Eurocopa pela Itália em 2021. O jovem Pedro Henrique de Campos Lopes, 15 anos, já defende as categorias de base da Azzura, sendo convocado pela primeira vez para a equipe sub-16.

Ele hoje defende as categorias de base da Roma, que, com sua equipe profissional, enfrenta o Trabzonspor pela Conference League, nesta quinta-feira (26).

Filho de Paulinho Lopes, jogador de futsal, de 38 anos, que está na Itália desde 2004, o garoto nasceu em São Paulo e foi morar na “Velha Bota” com apenas dois meses. Apesar disso, ainda preserva as raízes brasileiras.

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"Dentro de casa a gente só fala português e eu mantenho muito contato com a minha família no Brasil. Eu gosto de escutar músicas, ver filmes e ler notícias do Brasil. Procuro sempre me manter informado do que está acontecendo. A nossa cultura é muito linda e sempre preciso trazer isso comigo", disse o jovem ao ESPN.com.br.

"Também procuro mostrar a nossa cultura para os italianos, a nossa alegria e o quanto o povo brasileiro é trabalhador. Depois dos treinos e jogos, eu coloco músicas no vestiário na hora da brincadeira. Eles gostam muito", se diverte.

Ainda na infância, Pedro morou junto com a família por três anos no Brasil e jogou no futsal do São Caetano antes de se mudar para Turim, onde Paulinho recebeu uma oferta para jogar por uma equipe da região. O garoto foi para o mesmo time do pai e acabou descoberto em uma competição infantil.

"Participei de um torneio aos nove anos e os olheiros do Torino e da Juventus me chamaram para jogar futebol. Aos nove, escolhi o Torino e fiquei duas temporadas por lá. A camisa do Torino é muito pesada e tem história, era incrível. Ganhei muita experiência e nos clássicos contra a Juventus a gente já via a rivalidade. Quase sempre saíamos com a vitória", garantiu.

Dois anos depois, Pedro precisou mudar de cidade porque o pai foi jogar por uma outra equipe de futsal. Com isso, entrou para a base do Frosinone e se destacou.

"Fiz duas temporadas boas e joguei até mesmo contra o filho do Totti, que está no sub-17 da Roma. Meu pai me disse que tinham ofertas de praticamente todos os times mais importantes da Itália, incluindo Inter de Milão, Milan, Juventus e Roma. Eu não pensei duas vezes em escolher a Roma porque eu sempre fui torcedor desde pequeno e tinha uma camiseta que usei até os nove anos (risos)", contou.

Além disso, pesou o fato de a Roma sempre ter uma ótima relação com jogadores brasileiros e ter tentando no ano anterior a contratação do meio-campista.

Pedro, que é agenciado pelo ex-jogador da base romana João Paulo Marangon (irmão do ex-goleiro Doni), foi contratado em agosto de 2020.

"Jogo de primeiro volante a atuo com a camisa 4, que é bem importante na Itália. Eu recupero a bola e costumo criar as jogadas", afirmou.

Desde então, Paulinho passou a priorizar a carreira do filho. Ele se mudou para a capital italiana e foi defender o time de futsal do Mirafin, que fica na região de Roma.

Fã de volantes mais técnicos como Casemiro e Kanté, Pedro se inspira na trajetória de Jorginho, do Chelsea, que também chegou jovem à Itália e hoje defende a Azzurra.

"Por ser brasileiro, a cobrança é muito maior pela nossa história. Eles esperam muito de mim e sempre preciso dar mais de 100%, mas eu gosto dessa pressão. Quando jogo contra outros times, eles sabem que sou brasileiro e se sentem um pouco intimidados. Consigo me impor sobre os adversários".

Em sua segunda temporada pela Roma, o jovem chegou a ser capitão da equipe durante algumas partidas e foi chamado pelo treinador Daniele Zoratto, da seleção italiana sub-16. Ele fará parte do grupo que será preparado para a disputa do Europeu e o Mundial sub-17.

"Representar um país é uma coisa única. Venho batalhando há muito tempo por isso. O mais importante é continuar trabalhando para que seja a primeira vez de muitas. Eu sou brasileiro, mas meu sangue também é italiano. Meu coração é dividido em duas partes. A seleção que viesse eu ficaria muito contente".

"A seleção brasileira ainda não conseguiu ver meu trabalho por causa da pandemia. Estou muito feliz por poder representar esse país. Nunca descartaria o Brasil ou a Itália. Uma hora terei que decidir por uma delas, mas, enquanto não jogar pelo profissional, posso atuar pelas duas", explicou.

Pedro estuda na escola que fica dentro do Centro de Treinamentos da Roma. A base do clube italiano está sob comando do ídolo Bruno Conti (campeão da Copa do Mundo de 82) e do ex-goleiro Morgan de Sanctis.

"Eles trouxeram muitas melhorias para o clube", destaca.