Gay joga futebol, sim, e pode estar em qualquer lugar! Se fosse necessário resumir em uma frase este conteúdo, seria esta acima. É a mensagem que fica ao se ouvir André Machado, fundador do BeesCats Soccer Boys, time que nasceu em maio de 2017 no Rio de Janeiro com o objetivo de ser um espaço para homossexuais praticarem futebol society.
Esta reportagem é a terceira do material especial preparado pela ESPN Brasil para o Mês do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em junho (entenda o porquê abaixo), e que terá uma matéria por semana no ESPN.com.br e uma série a ser exibida dentro do SportsCenter nos dias 28, 29 e 30.
“Eu pensei que gay não jogava futebol, e os gays pensavam que também não jogavam futebol... Achei que não ia aparecer ninguém, só que aí começou a juntar muita gente. E eu descobri o quanto que essa população LGBT desconhecia que a gente tinha o direito de jogar futebol”, afirmou Machado, ‘jogador’ e roteirista, em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, concedida ao repórter Mendel Bydlowski.
E foi muita gente mesmo. Então, a ideia de ser apenas uma pelada virou algo gigantesco. E o que era para ser apenas um time virou uma liga nacional, a LiGay, que começou com oito equipes e atualmente tem cerca de 40. Ao todo, diz Machado, são cerca de 70 times LGBTs no Brasil.
No Rio, os encontros acontecem às sextas-feiras, na Guanabara. E a página no Instagram, a @beescatsbr, já conta com mais de 15 mil seguidores.
André Machado detalha que é preciso ignorar os preconceituosos, diz que, jogando, nunca sofreram preconceito, revela que tem atleta gay muito bom de bola e explica o que a iniciativa está ajudando a desconstruir nestes mais de cinco anos de existência.
“Os haters sempre vão existir, quando o time surgiu, começaram a sair algumas notícias, você ia nas redes sociais e 80% eram de haters, mas aí você não pode levar muito em consideração. No dia a dia ali, jogando, a gente nunca sofreu preconceito. E já aconteceu de a gente chegar pra jogar e o pessoal que está olhando falar ‘nossa, mas eles são gays mesmo?’ porque tem um pessoal muito bom no nosso time”, disse.
“E eu acho que quebrar este estigma de que ‘o gay é afeminado, o gay só pode jogar vôlei, não vai poder entrar no futebol’, a gente está ajudando a desconstruir esta imagem”, seguiu.
Não gostava de futebol? Não é bem assim
André Machado deixa claro qual é a luta do BeesCats e faz uma reflexão muito direta, após muitos relatos que ouviu, de como algo iniciado ainda muito cedo, na época de escola, interfere na vida das pessoas.
“O importante é esta quebra de paradigma. A gente colocar que o gay pode estar em qualquer lugar, que a sexualidade não quer dizer que você vai jogar bem ou jogar mal, a gente tem jogadores muito ruins, jogadores muito bons”, afirmou.
E seguiu: “O principal objetivo do time é abraçar quem quer jogar, conversando com muita gente, não só do meu time, mas de outros times, eu descobri que tinha muita gente que fala que não gostava de futebol porque na época de colégio, na adolescência, sofria bullying ou na educação física ficava mais com as meninas... então, quando você começa a não a praticar o esporte, você não cria paixão por ele.”
Ciente de que é um processo longo a mudança de cultura e a aceitação natural por parte da sociedade como um todo de qualquer orientação sexual, André Machado vê uma pequena evolução em relação à guerra contra o preconceito no país e arriscou até uma projeção.
“Eu acho que daqui a alguns anos, a sociedade está mudando, então vai ser possível, acredito que em cinco anos, não acho que antes disso, ter um jogador assumidamente gay no Brasil!”
Por que junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+?
É algo histórico e vem desde 1969.
No dia 28 de junho daquele ano aconteceu um episódio que ficou conhecido como ‘Rebelião de Stonewall’, em Nova York. Foi uma reação da comunidade LGBTQIA+ que vivia/frequentava a vizinhança do Stonewall Inn, em Grenwich Village, à violência policial e à constante repressão jurídica que sofriam na época.
