A Alemanha encara a Hungria nesta quarta-feira (23) pela 3ª rodada do grupo F da Eurocopa. Se vencer, se classifica para a próxima fase. Mas, você se lembra a última vez em que alemães venceram os húngaros em uma competição oficial?
Foi em 1954. E por duas oportunidades naquela edição da Copa do Mundo as equipes se enfrentaram. No grupo 2 da competição, uma massacre húngaro. Vitória por 8 a 3, com quatro gols de Sándor Kocsis, ex-atacante do Barcelona. O lendário Ferenc Puskás marcou 'apenas' um.
Na final digna de cinema - e que foi parar nas telonas - o troco alemão. E o ESPN.com.br relembra aquela saga.
Malandragem do técnico alemão
No grupo 2 daquela Copa, além da Hungria, a Alemanha, a Ocidental, teria pela frente a Turquia. A Coreia do Sul completava a chave. E o técnico Sepp Herberger usou de uma estratégia diferente para encarar os favoritos na primeira partida.
Contra os húngaros, poupou os principais titulares. O resultado? Uma acachapante goleada por 8 a 3. Entrentanto, valeu a pena. Nas duas partidas seguintes, sem poupar ninguém, duas goleadas em cima da Turquia e vaga na próxima fase.
Passagem até a final e troco em Puskás e cia
Até a final, a Alemanha fez mais dois jogos. Nas quartas, encarou a forte seleção da Iugoslavia e venceu por 2 a 0. Nas semifinais, uma sonora goleada por 6 a 1 em cima da Áustria.
Na grande final, o troco alemão. Consequentemente, a última vitória em torneios oficiais. Em um 3 a 2 emocionante e de virada, a Alemanha, sob chuva torrencial em Berna, com dois de Helmut Rahn, no conhecido 'Milagre de Berna', que foi às telas do cinema, fez com que os azarões vencessem os favoritos.
Final digna de cinema
A Hungria defendia invencibilidade de 31 partidas. Naquela Copa do Mundo, em apenas quatro jogos, já havia marcado 25 gols, eliminando, inclusive, o Brasil. Do outro lado, uma Alemanha Ocidental completamente 'azarona'.
Chuva torrencial, diferença técnica gritante e uma virada épica no final escreveram o roteiro daquela decisão digna de cinema, que chegou às 'telonas' em 2003, com o filme 'O Milagre de Berna'.
Por meio da visão da família Lubenski, que vive na pequena cidade de Essen-Katernberg, o filme conta as lembranças do jogo que deu à seleção o seu primeiro título mundial.
Na decisão, no Estádio Wankdorf, a chuva 'jogou a favor' dos alemães. Comandados por Puskás, a Hungria teve dificuldades em exercer o seu jogo baseado no toque de bola. Mas, mesmo assim, se impôs desde o apito inicial.
Logo com oito minutos de jogo, dois gols. O camisa 10 e Czibor deixaram os favoritos na frente. Mas, aos 10 minutos, sob regência de Fritz Walter, capitão alemão conhecido por render melhor em dias frios e chuvosos, a Alemanha diminuiu. Max Morlock marcou.
O empate veio aos 18 minutos. Helmut Rahn fez o seu primeiro na partida. E Der Boss (O Chefe) entraria para a história aos 39 minutos da segunda etapa. Em contra-ataque, após um confronto marcado pela pressão húngara, o 'milagre' se concretizou em Berna.
Em bola mal afastada da zaga, Rahn aproveitou e marcou o gol da virada que entrou para as páginas e películas das grandes histórias da Copa do Mundo. Davi vencia Golias.
Agora, nesta quarta-feira (23), a Alemanha, tetracampeã mundial, voltará a enfrentar a Hungria em uma competição oficial após 67 anos. No entanto, os lados se inverteram. Hoje, os alemães são os gigantes, 'favoritaços'. Já os húngaros, os 'azarões', a 'zebra'. Seria o dia de uma nova grande história?
