Chega ao fim neste sábado (29) uma história de amor. Não daquelas de reviravoltas, repletas de brigas e rusgas pelo caminho. Foi mais aquele relacionamento quase conto de fadas, apaixonante e intenso logo de cara, que começou com breves palavras em uma rede social.
"Já sou jogador do City. Feliz de estar neste clube e nesta cidade. Obrigado a todos pelas boas-vindas e recepção", anunciou via Twitter um tal de Sergio Agüero, recém-chegado da Espanha, no longínquo 27 de julho de 2011.
Praticamente dez anos depois, Agüero não é mais menino. Nem uma aposta. É, provavelmente, o maior que já vestiu a camisa azul do Manchester City, artilheiro histórico que empilhou recordes, arrebatou multidões, colecionou taças. E que espera botar mais uma na conta.
A final contra o Chelsea, a partir das 16h (de Brasília), em Porto, pode ser o encerramento perfeito da relação entre Agüero e City. Os dois, já é sabido, percorrerão caminhos diferentes a partir da próxima temporada.
Ganhar a Champions League, então, cairia como um último capítulo ideal, algo que nomes como Vincent Kompany e David Silva não conseguiram, além de cumprir uma profecia feita pelo próprio jogador, há sete anos.
"Ficarei até nós ganharmos [a Champions League]", prometeu o argentino, em uma entrevista de 2014, quando alguns diziam que seu futuro seria fora do Etihad Stadium.
Não foi.
O primeiro contato do City com Agüero foi inesquecível. O atacante jogou apenas os últimos 31 minutos da estreia na Premier League da temporada 2011/12. Tempo suficiente para fazer dois gols e dar uma assistência para David Silva.
Amor à primeira vista e que aumentou exponencialmente nove meses depois.
Foi de Kun o gol que garantiu o maior título da história dos Citizens (pelo menos até este sábado). Agüero recebeu de Balotelli, invadiu a área e, pouco além dos 93 minutos de jogo, definiu a vitória por 3 a 2 sobre o Queens Park Rangers, que deu ao clube o primeiro troféu da Premier League.
O primeiro de muitos, como a torcida pôde comprovar ao longo dos anos. Em uma década com Agüero e outras estrelas, o City conquistou mais quatro vezes o Campeonato Inglês, seis edições da Copa da Liga Inglesa, uma Copa da Inglaterra e três Supercopas. Falta a Champions.
Todas as taças tiveram a marca de Agüero, que, em 2017, tornou-se o maior artilheiro da história do City. São 260 gols pelo clube, 184 deles somente na Premier League, onde só três comemoraram mais bolas a rede: Alan Shearer (260), Wayne Rooney (208) e Andy Cole (187).
O ídolo muito provavelmente começará a decisão em Lisboa no banco. É bem possível até que nem participe do jogo, dependendo de como estará o confronto. Mas só a presença de Sergio Agüero já torna a partida mais especial do que ela já seria em qualquer circunstância.
É o último ato de alguém que chegou de mansinho, virou lenda e pavimentou o caminho para, muito em breve, ser imortalizado com uma estátua na sede do Manchester City. Homenagem justa a quem fez tanto – e está a um jogo de fazer ainda mais história.
