Em nota oficial divulgada neste sábado, o Cruzeiro acusou o Palmeiras de aliciamento após a equipe alviverde ter formalizado um contrato de formação com o jovem Estevão Willian, conhecido como "Messinho", de 14 anos, na última quinta-feira.
No comunicado (confira abaixo na íntegra), a Raposa atacou diretamente João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do Verdão, e falou em "comportamento questionável" por parte dos palmeirenses.
"O Cruzeiro foi surpreendido ao constatar que, horas depois do desligamento (não comunicado), o nome do jovem atleta apareceu no BID, da CBF, como jogador do Palmeiras, o que poderia, em tese, caracterizar aliciamento, corroborado por notícias posteriores apontando um alto e incomum investimento para um atleta em formação", escreveu.
"Nota-se, pelo registro, que a entrada da documentação na entidade foi realizada no dia 1º de maio de 2021. Estevão compareceu à Toca da Raposa até o dia 4 de maio. Ou seja: o garoto realizou sessões de tratamento já com contrato assinado com outra equipe, o que só reforça o comportamento questionável por parte de seu estafe e também de João Paulo Sampaio, gerente do Centro de Formação de Atletas do Palmeiras e também membro da Abex (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol), o que potencializa ainda mais a decepção e repúdio por parte do Cruzeiro", seguiu.
"Como já relatado, o Cruzeiro lamenta profundamente a condução feita pelas pessoas que cercam Estevão Willian. Enquanto este tipo de pensamento prevalecer no futebol brasileiro, contando com a anuência de diversos 'profissionais' do mundo da bola, estejam eles representando atletas ou clubes, o esporte nacional continuará caminhando na contramão do profissionalismo e da ética, e não contribuirá de forma efetiva na formação de grandes atletas e, especialmente, pessoas corretas", complementou.
O ESPN.com.br procurou João Paulo Sampaio e o questionou sobre as acusações feitas pela Raposa.
Em entrevista à reportagem, o dirigente do Palmeiras salientou que "Messinho" estava livre no mercado, e que o Palmeiras agiu dentro dos princípios de ética e jurídicos ao fechar com o atleta.
Além disso, Sampaio também ressaltou que foram Estevão Willian e seu pai, Ivo, que optaram por inscrever o jovem no Verdão, pelo bom retrospecto alviverde na base nos últimos anos.
"Minha função é de captar no mercado, além da gestão da base. O jogador estava livre no mercado, teve várias propostas, até por se tratar de um dos melhores jogadores de base do Brasil, e ele escolheu o Palmeiras", afirmou.
"Não foi nem o Palmeiras que fez a melhor oferta, que deu 'mundos e fundos'. Ao contrário: ele veio ganhar menos aqui do que no Cruzeiro", seguiu.
"Ele escolheu o Palmeiras pelo que o Palmeiras virou nos últimos anos: um clube com projeto forte de base, referência em gestão e tratamento de pessoas, principalmente durante a pandemia. Foi o clube que mais tratou bem seus funcionários e atletas. Não reduziu salário de nenhum funcionário, pagou 14º salário a todos, não atrasou pagamentos, e todos os atletas que tiveram descontos já foram pagos", recordou.
"Vocês olha para um clube desses, o maior campeão do Brasil, o que mais dá chances a meninos da base, o que mais tem jogadores em seleções brasileiras de base, o que mais viaja internacionalmente para torneios de base... Por isso ele escolheu a gente. Como ele esteve livre no mercado, a gente conseguiu um grande feito para o clube, e espero que ele proporcione retorno técnico ao Palmeiras futuramente", complementou.
Perguntado se vê o Alviverde respaldado juridicamente no caso, Sampaio diz que não há qualquer chance do Cruzeiro tentar qualquer tipo de ação.
"Não tem nem como tentar. Eu mesmo já perdi meu capitão do sub-20 sem acordo para renovar o contrato, o José Aldo, que foi para o Inter após ficar livre. Recebeu oferta e foi para o Inter. O mesmo aconteceu com o Yuri Alberto recentemente", citou.
"O Estevão não tinha nem registro no BID no Cruzeiro, e o Cruzeiro não tem mais certificado de clube formador desde o ano passado", pontuou.
"Foi uma concorrência pelo Estevão, e ele poderia ter ido para o Palmeiras ou para outros clubes. Eu mesmo vi duas propostas oficiais de outros clubes que eram melhores que a do Palmeiras, principalmente financeiramente, mas ele veio para cá ganhando menos do que no Cruzeiro. Isso porque foi o jogador que escolheu o Palmeiras", argumentou.
Por fim, o coordenador da base do Palmeiras também negou que o Verdão tenha acertado luvas de R$ 2 milhões com o pai do atleta, além de um salário de R$ 120 mil por mês para Estevão Willian, como divulgado em alguns veículos de imprensa na última sexta-feira.
"Não foi nem 10% disso. Dos jogadores do Palmeiras que subiram da base para o profissional, nenhum ganhava mais que R$ 40 mil. Ganhavam R$ 10 mil, R$ 20 mil. O Danilo fez sua estreia pelo profissional do Palmeiras ganhando R$ 4 mil. Isso (informação das luvas de R$ 2 milhões e salário alto) é coisa plantada, mas faz parte", encerrou.
VEJA A NOTA OFICIAL DO CRUZEIRO
O Cruzeiro Esporte Clube recebeu como uma ingrata surpresa, nesta semana, a saída do jovem Estevão Willian, guiada de maneira bastante questionável pelo seu staff, que faltou com respeito e profissionalismo para com a instituição, dando um mau exemplo para o próprio garoto, que como muitos outros sonham em trilhar uma carreira de sucesso no futebol e em se tornarem referências positivas.
Estevão Willian chegou ao Cruzeiro aos 11 anos de idade e viu seu nome envolvido entre as diversas polêmicas causadas pela diretoria de Wagner Pires de Sá, Itair Machado e Sérgio Nonato, alvo de investigações de órgãos como o Ministério Público e a Polícia Civil de Minas Gerais.
Inclusive, Ivo Gonçalves, pai do garoto, é réu em um dos processos dos quais o Cruzeiro é vítima, sendo investigado pelo crime de falsidade ideológica. Também faz parte do staff de Estevão o empresário André Cury, supostamente um dos alvos da recente operação de busca e apreensão da Polícia Civil, de acordo com informações veiculadas por alguns veículos de imprensa.
O Clube informa que em momento algum foi comunicado por Ivo Gonçalves, André Cury ou qualquer outra pessoa ligada ao jovem de 14 anos sobre o desligamento.
A carta assinada supostamente pelo pai do garoto, divulgada primeiramente pelo portal UOL, também não foi enviada a qualquer membro da diretoria do Clube. Cabe ressaltar que, inusitadamente, o conteúdo reproduzido mostra o nome do garoto escrito de maneira errada.
Em trecho da mesma publicação, Ivo Gonçalves destaca que: “Foram inúmeras reuniões realizadas junto à diretoria com promessas não cumpridas”, o que o Cruzeiro rebate de forma veemente.
Desde o início da atuação da atual gestão do Clube, iniciada em junho de 2020, o planejamento que vinha sendo executado foi de reaproximação junto ao pequeno atleta e sua família.
Ainda em 2020, a cúpula da Base Celeste realizou uma apresentação de quase três horas de duração, coordenada pelo diretor Gustavo Ferreira, na qual foi mostrada aos pais de Estevão toda a evolução e programação futura para o garoto dentro e fora de campo. A atividade multidisciplinar envolveu desde profissionais de comissão técnica a psicólogos, assistente sociais e pedagogos, dando uma visão 360 de todo o cuidado e carinho que o Cruzeiro mantinha com Estevão no dia a dia.
Em fevereiro deste ano, quando tinha 13 anos, Estevão sofreu uma fratura no tubérculo anterior da tíbia, uma lesão típica em atletas dessa idade, que ocorreu devido a um movimento de giro em uma atividade de finalizações.
Estevão foi operado por um dos médicos do Clube, Dr. Sérgio Campolina, e vinha sendo acompanhado diariamente por profissionais do DM do Cruzeiro. Além dos médicos, profissionais do Departamento de Futebol do Cruzeiro, inclusive o presidente Sérgio Santos Rodrigues, visitaram o garoto em sua residência após a cirurgia, reforçando cada vez mais o apoio e compromisso do Clube em sua recuperação física e psicológica.
No começo de março de 2021, Estevão deu início ao seu tratamento na Toca da Raposa 2, usufruindo de toda a estrutura e dos profissionais que trabalham no futebol profissional, sendo acompanhado de perto pelo próprio pai.
No entanto, na última quarta-feira (5 de maio de 2021), Estevão não compareceu à sessão programada e ninguém do Clube foi avisado. Em contato posterior com Ivo Gonçalves, o mesmo informou que se encontrava na cidade de Franca/SP, terra natal da família, alegando problemas particulares emergenciais. Após a chamada telefônica, Ivo cortou o contato com todos os profissionais do Cruzeiro, passando a não atender mais ligações, muito menos responder mensagens.
Neste meio tempo, Estevão também se ausentou de forma recorrente de importantes consultas odontológicas oferecidas pelo Clube, através do Dr. Fred Araújo, e de exames de rotina previamente marcados. As ausências nunca foram justificadas.
O Cruzeiro destaca que sempre primou pela empatia e responsabilidade em conduzir da melhor maneira a formação de Estevão dentro e fora das quatro linhas.
Ao mesmo tempo, sempre foi intenção do Cruzeiro estabelecer um contrato de formação com o atleta assim que ele completasse 14 anos, idade completada no final de abril deste ano, tendo inclusive apresentado uma proposta oficial.
O Clube também foi surpreendido ao constatar que, horas depois do desligamento (não comunicado ao Cruzeiro), o nome do jovem atleta apareceu no BID, da CBF, como jogador do Palmeiras, o que poderia, em tese, caracterizar aliciamento, corroborado por notícias posteriores apontando um alto e incomum investimento para um atleta em formação.
Nota-se, pelo registro, que a entrada da documentação na entidade foi realizada no dia 1º de maio de 2021, sábado passado. Estevão compareceu à Toca da Raposa até o dia 4 de maio, terça-feira última. Ou seja: o garoto realizou sessões de tratamento já com contrato assinado com outra equipe, o que só reforça o comportamento questionável por parte de seu staff e também de João Paulo Sampaio, gerente do Centro de Formação de Atletas do Palmeiras e também membro da ABEX – Associação Brasileira dos Executivos de Futebol – o que potencializa ainda mais a decepção e repúdio por parte do Cruzeiro.
Como já relatado, o Cruzeiro lamenta profundamente a condução feita pelas pessoas que cercam Estevão Willian. Enquanto este tipo de pensamento prevalecer no futebol brasileiro, contando com a anuência de diversos “profissionais” do mundo da bola, estejam eles representando atletas ou clubes, o esporte nacional continuará caminhando na contramão do profissionalismo e da ética, e não contribuirá de forma efetiva na formação de grandes atletas e, especialmente, pessoas corretas.
