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Artilheiro do Bahia teve ajuda de prefeito para começar no futebol e foi pupilo de Rogério Ceni; hoje, é esperança na final da Copa do Nordeste

Para conseguir reverter a vantagem do Ceará, que venceu a primeira partida da final por 1 a 0, e conquistar a Copa do Nordeste, o Bahia precisará de uma grande atuação do atacante Gilberto. O jogador, que já marcou 8 gols em 13 jogos na atual temporada, não teve um começo de carreira dos mais fáceis.

Final da Copa do Nordeste, Ceará x Bahia terá transmissão ao vivo do FOX Sports neste sábado (8), às 16; e o ESPN.com.br acompanhará a decisão em tempo real, com VÍDEOS de lances e gols.

Natural de Piranhas, em Alagoas, Gilberto passou uma infância na zona rural e ajudava o avô em uma loja e a cuidar de cavalos. Apaixonado por mergulhar com os amigos para pescar, ele começou no futebol amador e fez testes em vários times do Nordeste, mas não obteve sucesso.

"Eu jogava um campeonato da minha cidade e o prefeito me viu jogar e falou para eu fazer um teste no Confiança. Eu fui aprovado e fui para lá e comecei na base. Depois, saí de lá e fui ao Santa Cruz, onde começou mesmo minha carreira", disse ao ESPN.com.br, em 2019.

Depois de se profissionalizar no time de Recife, ele foi emprestado ao Vera Cruz. "Quando voltei o [técnico] Zé Teodoro e o [gerente de futebol] Sandro chegaram e eu tinha proposta para ir embora, mas eles me pediram para ficar porque gostavam de mim. Eu agradeço muito à eles", disse.

Gilberto chegou a viver o pior momento do Santa Cruz, que jogava a Série D.

"A gente que era da base passou por todas as fases do clube. Ver o Santa na Série D e não poder fazer nada era muito ruim. O time não estava bem e a gente queria muito jogar, mas precisavam dar uma resposta rápida. Eles confiavam mais em jogadores renomados. Quando o Marcelo Ramos foi para lá eu pude aprender mais. Era uma inspiração para eu jogar", contou.

Após a disputa da Série C, ele rodou por Internacional e Portuguesa, onde conseguiu destaque no Nacional.

"Na Lusinha eu gostei bastante porque foi o time que ajudou bastante. Pela primeira vez pude disputar a artilharia do Campeonato Brasileiro [fez 14 gols]. Nós tínhamos um excelente time e fui crescendo no futebol".

Gilberto ainda rodou por Vasco e Toronto FC, quando ficou famoso por discutir com Defoe, ex-Tottenham. O episódio ocorreu em 2014, em uma partida contra o New York Red Bulls que terminou empatada em 2 a 2. Ele havia sofrido uma falta perto da área adversária e queria cobrá-la. O problema é que o atacante, principal astro da equipe, também queria bater o tiro livre.

Os dois passaram a discutir bastante, mas Gilberto não "afinou" para o antigo jogador da seleção inglesa, que chegou a dar um tapa para tirar a bola da mão do brasileiro.

Mesmo assim, o atual jogador do Bahia partiu para a cobrança e acertou um chute lindíssimo, que terminou com um golaço.

"A raiva que eu tive por ele não ter me deixado cobrar a falta eu coloquei na hora de chutar e fazer o gol. Deu tudo certo. Quando você chega de fora como brasileiro precisa tomar a iniciativa. Eu não sabia porque nunca tinha atuado fora do país. Ele era um cara que era o mais conhecido e tinha muita moral. Foi um gol muito bonito", contou.

Logo após a bola estufar as redes, Defoe ficou bastante sem graça e abriu um sorriso. Em seguida, ele correu para abraçar o brasileiro no gramado.

Gilberto ainda defendeu o Chicago Fire antes de chegar ao São Paulo, em 2016.

Depois de um primeiro semestre de altos e baixos no Morumbi, ele deslanchou com a chegada do técnico Rogério Ceni em 2017.

"No começo eu passei bastante dificuldades porque tinha acabado de voltar ao Brasil. Estava vindo de fora. Aos poucos fui retomando com a ajuda do Rogério Ceni, que tem todos os méritos por isso".

"Eu sou um cara boa praça e me dava muito bem com os funcionários, jogava dominó com eles. O pessoal que cortava grama e da fisioterapia são amigos. Quando encontro vou conversar com eles".

O atacante foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 2017 ao lado de William Pottker, com nove gols marcados. No meio de 2017, Gilberto deixou o São Paulo rumo ao Yeni Malatyaspor, da Turquia. Após quatro meses na Europa, porém, ele voltou ao Brasil para jogar pelo Bahia.

O jogador de 31 anos tem contrato até o fim de 2021 e ainda não renovou com o time tricolor.


Entrevista publicada em setembro de 2019