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Por que o Palmeiras não disputou a Recopa Sul-Americana quando foi campeão da Libertadores de 1999?

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Recopa Sul-Americana ou Supercopa do Brasil: qual taça vale mais para o Palmeiras? André Kfouri responde (2:56)

Sequência do Alviverde foi assunto no SportsCenter (2:56)

Nesta quarta-feira, o Palmeiras começa a buscar um título inédito em sua história: a Recopa Sul-Americana. O Verdão encara o Defensa y Justicia, da Argentina, pelo jogo de ida, em Buenos Aires, às 21h30 (de Brasília).

Será a 1ª vez que o Alviverde irá disputar o torneio da Conmebol, que opõe os últimos campeões da Libertadores e da Copa Sul-Americana. A mini-competição dá um prêmio de cerca de R$ 7 milhões ao seu vencedor.

Mas, afinal, por que o clube do Palestra Itália não jogou a Recopa após ser campeão da Libertadores de 1999?

Para entender a questão, devemos voltar um pouco no tempo e entender a história do próprio torneio.

O certame foi criado em 1989, inicialmente para fazer um desafio entre o vencedor da Libertadores e o campeão da Supercopa Libertadores (extinto torneio que reunia clubes que já haviam vencido a mais importante taça sul-americana ao longo das décadas) ou da Copa Conmebol (uma precursora da Copa Sul-Americana).

A Recopa foi disputada em dois formatos até 1998: ida e volta e jogos únicos. Ela também ficou famosa por ser jogada em países como Estados Unidos (em sedes como Miami, Fort Lauderdale e Los Angeles) e Japão (em Kobe e Tóquio).

Curiosamente, o único ano em que não houve disputa entre 1989 e 1998 foi em 1991, já que o Olimpia, do Paraguai, ganhou tanto a Libertadores quanto a Supercopa Libertadores. Dessa forma, o título da Recopa foi vencido de forma automática pelo gigante de Assunção.

Entre os clubes brasileiros, São Paulo (duas vezes), Grêmio e Cruzeiro conquistaram o troféu.

No entanto, por vários motivos, a disputa da Recopa deixou de ocorrer a partir de 1999, principalmente pelo acúmulo de jogos em todos os países sul-americanos e a falta de datas para a disputa (que quase sempre envolvia longas viagens).

Com isso, clubes como Vasco (que deveria jogar em 1999) e Palmeiras (que teria direito a disputar em 2000) acabaram não tendo a chance de faturar a taça.

A Recopa voltou a ser disputada em 2003, após a criação da Copa Sul-Americana, que surgiu em 2002 para substituir e unir as extintas Copa Mercosul (que era jogada por equipes de Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile) e Copa Merconorte (que foi disputada por times de Colômbia, Equador, Venezuela, Peru, Bolívia, Costa Rica, México e Estados Unidos).

Em 2003 e 2004, ela foi celebrada em jogos únicos nos Estados Unidos, e de 2005 em diante, adotou o formato que dura até hoje: partidas de ida e volta nas respectivas sedes de cada agremiação.

O maior campeão é o Boca Juniors, com quatro conquistas - e vale ressaltar que os xeneizes não disputaram o torneio em 2001 e 2002, após serem bicampeões da Libertadores em 2000 e 2001.

O CASO DO PALMEIRAS EM 2000

No caso específico do Palmeiras, até havia interesse em jogar a Recopa em 2000, mas seria muito difícil achar datas.

Afinal, naquele ano o Verdão disputou inacreditáveis 92 duelos por sete torneios: Paulistão, Rio-São Paulo, Copa do Brasil, Libertadores, Copa Mercosul, Copa dos Campeões e Brasileirão. Ou seja, um jogo a cada quatro dias.

Ainda assim, o Alviverde queria viabilizar uma disputa contra o América de Cali, que havia vencido a Copa Merconorte de 1999, segundo lembra Fernando Galuppo, historiador do Alviverde.

"Naquela temporada, havia a possibilidade de fazer a Recopa contra o América de Cali. Foi curioso, porque o Palmeiras poderia até pleitear ser campeão da Recopa por W.O., já que foi o América que apresentou dificuldades para achar datas", conta Galuppo.

Vale lembrar que, no período, a Colômbia vivia guerra civil entre forças do Governo e das Farc (organização paramilitar que existiu oficialmente entre 1964 e 2017), o que fez até Argentina e Canadá desistirem de disputar a Copa América no país, em 2001.

A situação não era diferente para o América de Cali, que não tentou levar a ideia da Recopa 2000 à frente, apesar da vontade de Palmeiras e Conmebol em realizarem a partida.

"Havia muitos problemas políticos e humanitários na Colômbia, mas foi muito mais por parte do América que não foi consolidada a competição, já que, por parte de Palmeiras e Conmebol, havia interesse na disputa", relatou Galuppo.

Assim, de fato não houve Recopa Sul-Americana em 2000, e, portanto, o Palmeiras fará sua estreia na competição nesta quarta-feira, contra o Defensa y Justicia.

O atual campeão do mini-torneio é o Flamengo, que bateu o Independiente Del Valle, do Equador, no início de 2020.