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Arsenal: Willian revela pior momento da carreira, abre o jogo sobre racismo e diz se pode voltar a ser 'o mesmo' do Chelsea

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'Não vi evolução nenhuma!' Willian dispara e abre o jogo sobre luta contra o racismo no futebol inglês (1:50)

Meia do Arsenal falou com exclusividade à ESPN (1:50)

Recuperando cada dia mais o futebol que o levou à seleção brasileira e também a ser um dos destaques do Chelsea durante sua passagem de quase uma década no Stamford Bridge, Willian não teve o melhor começo no Arsenal. Contratado com grande esperança pelos Gunners, também de Londres, o meia-atacante foi bastante contestado pela torcida por conta do seu início no novo clube, mas passado algum tempo - e melhor adaptado à filosofia da equipe - vem tendo atuações mais consistentes e assim reconquistando a confiança que o levou a coisas importantes na carreira.

Em entrevista exclusiva à repórter da ESPN Brasil Natalie Gedra, o brasileiro revelado nas categorias de base do Corinthians, e hoje com 32 anos, falou de tudo um pouco. Desde a experiência que vem tendo em mais um gigante da capital da Inglaterra à luta contra o racismo no futebol. E ainda deixou claro: não tem dúvidas de que pode, sim, voltar a ser o mesmo Willian que encantou a Terra da Rainha e Europa nos últimos anos.

Transferência para o Arsenal e 'pior momento da carreira'

Depois de sete temporadas seguidas vestindo a camisa dos Blues, Willian não renovou o seu contrato com o antigo clube para seguir na atual campanha e, em agosto de 2020, foi anunciado como reforço de peso do Arsenal. O brasileiro foi um dos muitos jogadores contratados pelo clube do Emirates Stadium, que desde a saída do técnico Arsène Wenger, em 2018, vem passando por um longo processo de reformulação para voltar aos tempos de glória que teve ao lado do treinador francês, que ficou 22 anos nos Gunners.

Apesar de sequer ter precisado mudar de país ou cidade para atuar em um outro gigante do futebol mundial, Willian não teve um bom início com a camisa alvirrubra. Após estrear com três vitórias consecutivas no Arsenal, o brasileiro acabou caindo de rendimento na equipe, assim como a mesma, e passou a ser bastante contestado pela torcida. Em relação a este período, ele não tem dúvidas de foi o "pior" que viveu na carreira.

"Realmente foi um começo bem difícil, tirando aquele primeiro jogo contra o Fulham, onde eu tive um bom destaque, consegui fazer um bom jogo, até depois daquele jogo teve alguns jogos que vencemos, até tive bem nos jogos, mas depois acabamos pegando uma sequência ruim. Eu também peguei uma sequência ruim e acho que o meu pior momento profissional até hoje, desde quando subi no Corinthians e fui vendido para a Ucrânia, depois cheguei no Chelsea, sem duvída. Essa fase que passou agora foi o pior momento que eu acho que vivi no profissional. É claro que quando você vive um momento difícil, você fica realmente chateado e tentando encontrar soluções, um caminho por onde melhorar, procurar ajudar o time. Isso eu estive fazendo durante todo este tempo, nunca deixei de treinar, de trabalhar, de me dedicar o máximo possível. Demorou um pouquinho para sair, mas ultimamente nos últimos jogos tenho voltado a jogar bem, a me destacar com assistências, jogando bem. Então fico feliz de estar voltando a encontrar o meu bom futebol", começou por dizer.

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Meia do Arsenal falou com exclusividade à ESPN

E apesar de ainda não ter balançado as redes nos 30 jogos que disputou até aqui pelo Arsenal, Willian vem contribuindo com assistências e melhorando suas atuações dentro de campo. Sobre o começo desta volta por cima no norte de Londres, o brasileiro revelou onde encontrou forças para melhorar seu desempenho.

"Acho que isso é uma coisa comigo mesmo, é uma coisa interna, sabia mais do que ninguém que eu teria que melhorar, eu mesmo teria que sair da situação que eu estava, por mais que recebesse apoio dos companheiros e comissão técnica, mas o único que poderia sair dessa situação, de não estar encontrando o futebol que estão todos acostumados a me ver jogar, era eu mesmo. Sempre mantive tranquilidade, a cabeça no lugar e continuei trabalhando forte. A única maneira de você encontrar o bom caminho, a boa forma, é o trabalho no dia a dia. Isso eu nunca deixei de fazer e por isso que nos últimos jogos consegui render o que esperavam de mim", prosseguiu.

Voltar a ser 'o mesmo' do Chelsea como meta

Assim como vem recuperando o seu bom futebol, Willian sabe, mais do que ninguém, que ainda pode voltar a ser o mesmo dos tempos de Chelsea, onde era titular absoluto. Ele, inclusive, revelou que esse é um dos seus desejos no Arsenal e que espera poder aproveitar ao máximo a sequência da temporada para atingir esta meta.

"Me sinto pronto para atingir o nível que atingi com a camisa do Chelsea. Esse é o meu desejo, o que eu espero, principalmente neste final de temporada, procurar fazer o meu máximo para ajudar o Arsenal da melhor maneira possível e atingir o nível de quando eu estava atuando com a camisa do Chelsea", disse o jogador, que ainda lembrou da mudança de ares do Stamford Bridge para o Emirates Stadium.

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Meia do Arsenal falou com exclusividade à ESPN

"Quando você entra numa equipe que já está montada, acho que isso é mais fácil, mas quando você está numa equipe que está sendo reformulada, estão tentando alcançar um novo projeto dentro do clube, tentando trazer jogadores, tentando vender jogadores, creio que isso dificulta um pouco mais. Não dando desculpas, mas creio que a filosofia é diferente de um clube para o outro (Chelsea para o Arsenal), fiquei praticamente 8 anos no Chelsea, claro que cada clube tem sua maneira de trabalhar, mas creio que expectativa de todos, e a minha também, era a melhor possível, de chegar no mesmo nível que eu estava no Chelsea, arrebentando, jogando bem, fazendo gols, dando assistências e, infelizmente, isso não aconteceu. Fiquei um pouco frustrado comigo mesmo por isso não ter acontecido, cobrei sempre e sou o que mais cobro de mim mesmo, então acho que isso faz parte do futebol. Como aconteceu comigo, pode acontecer com outros jogadores também, mas agora estou bem mais confiante também. Quando você pega uma sequência com o time vencendo, você jogando bem, você ganha mais confiança e isso eu tenho voltado a sentir nos últimos jogos", prosseguiu.

Em relação às metas que têm para a temporada e sobre o processo de reformulação dos Gunners, Willian deixou claro que confia muito no projeto que vem sendo desempenhado pelo clube londrino e também foi só elogios ao técnico Mikel Arteta. Na sua visão, o espanhol tem tudo para se tornar um dos principais treinadores do futebol mundial.

"Creio que tem um potencial para ser um grande projeto, é um grande clube, está nas mãos de um bom treinador, tem tudo para se tornar um dos melhores treinadores do mundo. O Arsenal tem tudo para voltar a ser uma potência, brigar por títulos, voltar a disputar a Champions League, é o que nós jogadores esperamos", disse Willian, que ainda revelou os bastidores de Arteta como comandante do Arsenal.

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Meia do Arsenal falou com exclusividade à ESPN

"Ele sempre procura conversar com os jogadores individualmente, até mesmo dentro do campo, quando termina o treino ele chama o jogador, explica o que ele quer do jogador, como se posicionar, receber a bola, enfim, está sempre procurando ajudar os jogadores neste sentido. Não tem nenhuma reclamação quanto a isso, realmente vem fazendo um grande trabalho, vem sempre procurando os jogadores da melhor maneira possível, dando as ideias, instruindo, mostrando o que ele quer. O Arsenal está em boas mãos", prosseguiu.

Campanha na Europa League

Depois do Arsenal passar pelo Olympiacos nas oitavas de final da Europa League, Willian mantém a postura de pés no chão em relação à disputa, mas também sabe que os Gunners têm capacidade de estar na grande decisão na atual temporada. Além disso, o jogador também falou sobre o principal "erro" que a sua equipe precisa corrigir para ir bem em outra competição, a Premier League, onde os londrinos ocupam o 9º lugar no momento.

Willian ainda comparou o desempenho do Arsenal no Campeonato Inglês com o de outras equipes, como Manchester City e Manchester United, que estão mais bem colocados e vêm apresentando uma maior regularidade.

"Acho que os erros, que às vezes a gente acaba cometendo dentro dos jogos, isso eu não vejo nas equipes que estão lá em cima na tabela, por exemplo o Manchester City, o United. Tem jogos que estamos dominando a equipe adversária e, às vezes, a gente dá o gol para os adversários. Acho que isso que tem dificultado bastante e por isso que não estamos tendo uma constância tão grande durante os jogos, mas tenho certeza que é um ajuste, melhorando esse aspecto o Arsenal tem tudo para voltar a brigar no topo da tabela", começou por dizer.

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"Dá (para brigar pelo título da Europa League), é um objetivo que nós temos, claro que estamos longe ainda da final, mas o pensamento é de ir passo a passo, jogo a jogo, temos um jogo difícil contra o Slavia Praga, que é um time chato, que tem qualidade também, então temos que ter confiança e ir jogo a jogo, mas com certeza temos chances e confiamos que podemos chegar à final sim", prosseguiu.

Luta contra o racismo

Por último, o brasileiro também falou sobre um tema de extrema importância, não somente no esporte, mas também na sociedade como um todo: a luta contra o racismo. E na visão de Willian, que infelizmente já foi alvo de atos racistas, na Inglaterra, apesar de a federação de futebol do país estar tentando dar mais voz à causa, no momento ele não vê uma grande evolução quanto ao assunto.

"Eu não sei se poderiam ser feitas coisas que não foram feitas. Tem pessoas apropriadas para lidar com este tipo de situação, para mudar esse quadro, nós jogadores tentamos fazer o nosso papel de tentar de alguma forma isso também. As autoridades, pessoas que estão acima da gente, precisam mudar isso. Sem dúvida nenhuma, não vi evolução nenhuma, a gente continua ajoelhando no campo antes dos jogos, mas eu não vejo evolução neste caso. A gente sempre continua vendo situações acontecendo e medidas não são tomadas. A partir do momento que começaram a tomar as medidas necessárias, punir quem tiver que punir, aí sim vai começar a melhorar. Por enquanto não tá tendo nenhum tipo de evolução, a gente está fazendo aquele gesto ali antes do jogos, mas não vemos nenhum time de evolução. Com o próprio (Wilfried) Zaha, eu vi uma entrevista que ele deu, que ele falou que não ia mais ajoelhar porque não via nenhum tipo de medida sendo tomada. Eu acho que é por aí, as pessoas têm que começar a tomar as medidas corretas para que isso possa mudar", concluiu.