Casemiro, Toni Kroos e Luka Modric formaram e ainda formam um dos melhores trios de meio-campistas do mundo. Peças fundamentais no tricampeonato do Real Madrid na Uefa Champions League, eles mantêm uma regularidade impressionante e seguem sendo referências, não só no elenco merengue, como também no futebol europeu de uma forma geral.
Porém, este protagonismo dos três não impediu que um outro talentoso meio-campista surgisse e se consolidasse como uma grande opção no time espanhol: Federico Valverde.
O uruguaio juntou-se ao clube no meio de 2016, quando completou 18 anos, mas sua transferência já estava acertada antes disso. Mesmo assim, ele ainda teve tempo de brilhar na América do Sul antes de cruzar o oceano.
Campeão uruguaio com o Peñarol em 2015-16, ele ainda chamou atenção no Sul-Americano sub-17 em 2015 ao marcar sete gols e terminar como vice-artilheiro.
"Quando eu cheguei, lembro que o coordenador técnico falou para ficar de olho nele nas primeiras conversas. No primeiro mês que fiquei, ele parou de ir para os jogos, porque estava indo ao Real Madrid (risos). Ele já tinha sido campeão pelo Penarol mesmo tendo menos de 18 anos", disse o zagueiro Bressan, que atuou com Valverde no clube uruguaio, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Nos treinos era um jogador completo, porque pode jogar pelo meio, tem técnica, tem boa visão de jogo. Foi para o Real Madrid muito cedo e estourou de uma forma espetacular, colocando grandes jogadores no banco de reservas. O Valverde era um pouco mais quieto, mas quando a bola rolava, os pés falavam por si só", afirmou o ex-atleta de Grêmio e Flamengo que hoje atua no Dallas FC.
Ajuda de Seedorf para brilhar
Após uma temporada como titular pelo Real Madrid Castilla, o meio-campista foi emprestado ao Deportivo La Coruña. Alternando banco e titularidade, ele não conseguiu evitar o rebaixamento da equipe galega, mas retornaria a Madri com experiência o suficiente para fazer parte do elenco principal.
"Dava pra ver que tinha muita qualidade. Quando chegou ao La Coruña, ele tinha jogado pouco na Espanha ainda. Ele passou a jogar mais quando o Seedorf chegou para ser o treinador, mas foram só três meses", contou Guilherme Torres, ex-volante do Corinthians que hoje defende o Al-Sadd. "Ele tem a passada larga, é um jogador alto, tem muita força e chuta bem".
Na temporada 2018-19, a sua primeira na primeira equipe, o uruguaio atuou 25 vezes (dez como titular) e totalizou para 1120 minutos, sem anotar gols ou assistências. Já na campanha seguinte, sua participação mais do que dobrou, indo para 2715 minutos distribuídos em 44 jogos (30 como titular). Ele ainda fez dois gols e deu cinco assistências.
"Ele é muito tranquilão, quando chegou, não falava muito. É um cara mais na dele, tímido e quieto. Chegava, trabalhava e ia embora. Mas é um cara espetacular", relembra Abner, que jogou com o uruguaio e no Castilla e hoje atua pelo Farense.
"O Valverde tinha a confiança de todos os treinadores como o Solari e do próprio Zidane, que nos comandou no Castilla", contou o lateral-esquerdo. "Ele é muito inteligente com a bola, rápido e muito ofensivo. Por ser uruguaio, tem uma marcação bastante agressiva".
Na atual temporada, o camisa 15 do Real Madrid sofreu com lesões, perdeu 13 partidas, mas continua sendo peça importante, tendo inclusive feito três gols, mais do que a campanha passada, e ainda contribuindo com uma assistência.
Sua próxima missão será ajudar o time comandado por Zinedine Zidane a conseguir a classificação às quartas de final da Champions League. Depois de os espanhóis terem vencido a Atalanta por 1 a 0 como visitante, agora recebem os italianos no Alfredo Di Stéfano nesta terça-feira, às 17h (de Brasília).
Valverde pode não estar contado como um dos candidatos a protagonista, mas, com mais de 20 jogos (e uma disputa de Copa América) pela seleção uruguaia e um total de 92 partidas pelo Real Madrid, ele é a prova de que a qualidade no meio de campo do Real vai além do seu badalado trio titular. A aposta em seu futebol é tão alta que na última renovação de contrato, o time merengue colocou uma multa de R$ 6 bilhões.
