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Ex-auxiliar de Setién no Barcelona: 'Não tivemos a química desejada com Messi, ele estava desanimado'

Ex-auxiliar do técnico Quique Setién nos tempos de Barcelona, Eder Sarabia concedeu entrevista ao jornal El País, nesta sexta-feira, e admitiu que a comissão técnica não teve a melhor "química" com o astro Lionel Messi no Camp Nou.

Hoje "separado" de Setién e seguindo carreira solo como treinador do pequeno FC Andorra, de Andorra, Sarabia revelou que Messi estava "desanimado com tudo" no Barça, e que isso foi a razão para que eles não se dessem bem quando trabalharam juntos.

"Ser Messi é muito difícil. Você é o melhor jogador de todos os tempos. É conhecido por todos, não pode nem sair na rua. Está sempre fechado em seu grupo de amigos e familiares. Não tem qualquer outro tipo de relações, e não pode nem trocar opiniões com outros. Tudo isso produz um cansaço e um desgaste mental. É por isso que ele queria ir embora do Barcelona", contou Eder.

"Nós (comissão técnica de Quique Setién) não fomos capazes de 'apertar os botões' certos e tirar o melhor futebol del. A química com certeza não foi desejada. Mas também não encontramos Messi no melhor estado anímico. Estava desanimado com tudo", acrescentou.

"Ele tem que estar com a cabeça mais limpa para desempenhar seu melhor futebol. No começo do trabalho, tive ótimas conversações sobre futebol com ele. Ele é um ganhador. Você só tem que falar de futebol com ele, dar duas ou três mensagens certas. O restante dele tem dentro de si", completou.

Sarabia, que ficou famoso após ser "ignorado" por Messi durante uma tentativa de dar instruções em partida contra o Celta de Vigo, também falou sobre a demissão de Setién.

O ex-auxilliar se disse decepcionado pela forma como a comissão técnica foi mandada embora após a derrota por 8 a 2 para o Bayern, pela Uefa Champions League.

Ele contou que todos tiveram que abrir mão de grandes quantias de dinheiro para terem seu contrato finalizado, e relatou que Setién sequer recebeu o que lhe era devido.

"Eu fui embora (do Barcelona) com uma sensação de tristeza nesse sentido. Eles queriam nos realocar em outras funções do clube (para não terem que pagar multas rescisórias). Para que a gente pudesse ficar livre e buscar trabalho em outro clube, tivemos que renunciar a uma parte importante do nosso contrato. Cobramos há alguns dias um prazo para receber", salientou.

"O Setién nem foi pago ainda. Tudo isso me decepciona... Mas eu não mudaria por nada no mundo o que aconteceu com a gente no Barcelona. É só lembrar que, uma partida antes do início da pandemia (de COVID-19) toda a torcida gritou nosso nome no estádio!", finalizou.